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Aumento da Renda, “Sofisticação” do Consumo e Previdência Privada Imprimir E-mail
Escrito por Raymundo Araujo Filho   
Quarta, 23 de Fevereiro de 2011
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No dia 15/02, a manchete dos jornais televisivos foi emblemática, o que considero um engodo ao povo brasileiro, a esta altura bastante alienado da realidade, envolto em uma inebriação midiática sem precedentes, acho eu.

 

Os títulos versavam sobre a notícia de que "a renda familiar no Brasil cresceu, o otimismo dos consumidores idem e dos vendedores também". Não estranhamente, ao menos para mim, na TV Globo a notícia vinha acoplada ao crescimento do acesso à Previdência Privada, por gente que nunca tinha experimentado tal néctar.

 

Disponibilizo uma matéria de junho de 2010, em que a jornalista descreve bem, sob o prisma do capital, como se opera esta manipulação midiática sobre o "aumento do consumo e as suas perspectivas e preferências" - veja o link .

 

Apenas com uma leitura superficial vemos a manipulação, quando consideram, inicialmente no mesmo bolo, o consumo na faixa de 10 salários mínimos (de R$ 510 a R$ 5100), para só depois estratificarem em percentuais quantitativos, e apenas para o consumo por classes (C, D e E), em contraposição ao consumo das classes A e B, mas sem quantificar quantas são as pessoas nestas faixas salariais distintas.

 

Um pouco mais abaixo, descortinam que o consumo das faixas mais pobres corresponde a cerca de 78%, e não do total do país, mas das faixas das classes A e B acima de 10 salários mínimos. E não falo daquela multidão que a PresidentA DiLLma chama de pobreza extrema (o alvo recorrente de governos e sucessões que nada fazem), que beira os 15% a 20% da população brasileira.

 

Somem-se então estes da pobreza extrema com a massa de pessoas que recebem até três salários mínimos e temos cerca de 70% da população assalariada. Portanto, por conclusão aritmética, 50% da massa assalariada (até 3 salários mínimos) consome apenas cerca de 50% do que consomem os 10% mais ricos (na faixa superior a 10 salários mínimos), considerando que entre 3 e 10 salários mínimos temos perto de 20% dos assalariados, se tanto.

 

Esta é a "conta de chegar" destes Filhos de Goebbels que administram o Brasil, com a orientação do capital internacional, que faz a festa. Mas o requinte de crueldade desta conta mal apresentada pelo governo DiLLma e seus apaniguados vem a reboque.

 

O consultor entrevistado na matéria diz que, "mesmo considerando que o consumo de quem ganha R$ 15 mil é diferente daquele de quem ganha R$1,5 mil (Bidu!), as classes C, D e E irão sofisticar o seu consumo".

 

O mais trágico, configurando a farsa, é que no dia 7 de fevereiro de 2011, talvez já preparando a mentira sobre o "espetacular" consumo familiar do Brasil, o ministro Guido Mantega (coordenador de um livro de nome Sexo e Poder, nos fins dos anos 70) nos brinda com um discurso igualmente falacioso sobre o tema do consumo familiar.

 

Mesmo dentro de um quadro de altíssima inflação dos alimentos, aluguéis de imóveis, tarifas e gastos corriqueiros, deparamo-nos com a mesma balela do ministro, sem explicitar qual o percentual do consumo total é destinado "aos 41% que serão da classe C", maquiando os índices econométricos - ver link .

 

Vou dar, então, alguns exemplos da sofisticação do consumo para os produtos oferecidos nos comércios varejistas da vida. São exemplos recentes, observados, todos eles, muito próximos a mim, comigo mesmo e por notícias em cadeia nacional.

 

Recomendo que os leitores façam este mesmo exercício.

 

Caso 1) Acabo de ganhar na justiça de pequenas causas um novo laptop e uma indenização, por terem me vendido um laptop novo, é verdade, mas com sérios defeitos e fragilidades estruturais, que fizeram a juíza me dar ganho de causa. A tela simplesmente rompeu, sendo que queriam me acusar de mau uso do produto, sem considerarem a inversão do ônus da prova.

 

Observando o contrato de garantia do produto, reparei que uma simples mudança de programa original que veio de fábrica "faz extinguir a garantia", em flagrante arrepio da lei, pois um defeito estrutural nada tem a ver com o programa instalado, além de outras ilegalidades. Acontece que o mais humilde vê uma cláusula desta (assim como a que determina o não recebimento do equipo com defeito), previamente determinando um caso de mau uso do material, e pensa que é lei. Pergunto: como os órgãos governamentais reguladores do comércio permitem um manual de garantia que nada garante ao consumidor, e ao arrepio da lei?

 

Caso 2) A BAND TV acaba de escolher aleatoriamente cinco postos de gasolina para analisar o que ali vendiam como gasolina. Pois não é que os cinco estabelecimentos fraudavam gravemente o consumidor, ou na qualidade do produto ou em mecanismos que auferiam menos combustível fornecido que o marcado na bomba?

 

Ora! Foram 100% de postos fraudadores, como é que o assalariado das classes C, D e E, depois de empenharem as sogras para comprar seus carrinhos, pode "sofisticar" seu consumo, sem arriscar-se a ser assaltado? Onde está a ANP (Agência Nacional do Petróleo)?

 

Caso 3) Freqüento uma casa em que atualmente há três vídeos novos (com não mais de três ou quatro meses de uso), todos apresentando defeitos variados. E de apenas um deles pode-se dizer que tem um uso razoável, aliás, para isso foi comprado. Este já vai para o conserto pela segunda vez, ainda na garantia, ao menos. É difícil "sofisticar" o consumo com estes produtos de classe C, D e E.

 

Caso 4) Uma conhecida minha, há apenas oito ou nove meses, comprou um renomado computador "de torre", no qual o driver de CD/DVD fica dentro do corpo do computador. Pois bem, o driver já queimou. Ao solicitar conserto foi desaconselhada, pois "é um defeito estrutural", porque driver chega a sofrer com temperaturas de até 70 graus, sendo preferível que compre um externo, de R$140,00. Essa amiga foi "sofisticar" seu consumo e... sifu!

 

Caso 5) Recentemente, foram feitos testes nas cinco marcas de ventiladores mais vendidos (certamente comprados pelas classes C, D e E). Todos os cinco foram considerados temerários, pois após horas seguidas de uso tornavam-se "verdadeiras bombas incendiárias", por esquentamento da carcaça e por poderem causar curtos-circuitos e incêndios. No teste de produção de vento, também foram reprovados. Neste ramo das ventoinhas também está difícil os baixa-renda "sofisticarem seus consumos".

 

Vou parando esta lista por aqui, pois ainda tenho o "gran finale" desta apresentação, pelo governo federal, do "aumento do consumo das famílias" (sem quantificar por classes sociais, ou seja, quanto lhes retorna do PIB que produzem).

 

É que a notícia veio acompanhada da "informação" do aumento da procura pela Previdência Privada, como se isso fosse o caminho natural a todos os que querem melhor atendimento da saúde, sob a mentira de que a nossa Previdência Pública está falida. Só que é estranho a PresidentA DiLLma absorver esta baita mentira sobre a Previdência, mas lançar projeto para desonerar os empregadores de obrigações tipo COFINS, que alimentam boa parte da... Previdência.

 

E, exatamente um dia antes destas alvíssaras à Previdência Privada, vi no mesmo canal de TV uma matéria longa sobre a dificuldade de se marcar uma consulta, se somos conveniados. As tentativas expunham que a marcação de simples consultas só saía entre 60 e 90 dias. Exames, então, só depois da morte... A ponto de ter um deputado que quer regulamentar isso, reduzindo para uma semana as consultas e no máximo 21 dias os exames complexos. Nem daqui a 10 mil anos isso vai acontecer, mas é capaz de este deputado se reeleger, uma data de vezes.

 

Assim, esta mídia asquerosa (PIG? Não me façam rir, é PID – Partido da Imprensa DiLLmista), servil ao capital e aos governos, não mente quando estampa a manchete "Estudo prevê aumento de 40% no consumo das famílias brasileiras em dez anos". Só não explicam que 2/3 deste aumento será "desfrutado" por apenas 10% da massa dos assalariados...

 

Se eu fosse jornalista eu teria vergonha de escrever uma matéria como esta que vai no link

 

Raymundo Araujo Filho é médico veterinário homeopata e divide o seu tempo entre analisar a realidade brasileira e estudar as propriedades do esterco de vaca. Gosta mais da segunda atividade.

 

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Última atualização em Sexta, 25 de Fevereiro de 2011
 

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