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O exército não salvará o Egito Imprimir E-mail
Escrito por Rafael B. Vieira   
Quarta, 16 de Fevereiro de 2011
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Ainda é tarefa um tanto complexa estabelecer uma análise estrutural dos recentes acontecimentos no Egito, e parece-me ser este um dos fatores que tornam insuficientes as considerações vindas do ocidente por parte dos diferentes atores envolvidos no processo: ONGs, governos, "especialistas" e etc. O posicionamento diante de tais fatos deve refletir um conhecimento de diferentes aspectos envolvidos, dentre eles a história da região, a dinâmica política e das classes sociais, fatores que precisam refletir nas considerações a serem ainda estabelecidas.

 

Nesse sentido, a arrogância de alguns setores que rapidamente querem encaixar uma espécie de "fórmula" ocidental no Egito deve ser pensada com ressalvas. O somatório de democracia formal, sociedade de mercado e declaração abstrata de direitos, pautadas num suposto universalismo que geralmente manifesta-se nas ações "humanitárias" ao redor do mundo, parece-me não conseguir lidar com os anseios e demandas dos setores oprimidos e explorados das diferentes populações que vivem sob esse marco. Isso quando a opressão não se manifesta em uma outra região do mundo, com a constante transferência das forças e capacidades produtivas ao redor do mundo e por conseqüência, de conflitos. Esses pontos estabelecidos servem como base para algumas considerações feitas posteriormente.

 

Escrevo este texto ainda impressionado pela declaração do dia 10/02, de Mohamed El Baradei: "O Egito explodirá. O Exército deve salvar o país agora". El Baradei nesse momento aproveitou-se da divisão interna do exército egípcio para conclamar o mesmo enquanto ator político, em um processo que foi em boa parte conduzido pelo povo egípcio, constituído por diferentes setores, unidos em torno de reivindicações políticas e principalmente sociais.

 

El Baradei aparenta ser um nome chave capitaneado pelas potências ocidentais como saída institucional para o Egito nesse momento, mas é fundamental lembrar que o mesmo sofre resistência do povo egípcio, pelo longo período que passou fora do país e por sua proximidade com o discurso de algumas dessas potências. É justamente nesse sentido que deve ser lembrada a relação promíscua estabelecida entre os governos centrais do ocidente e Mubarak, cujo sinônimo até os recentes acontecimentos era o de instabilidade institucional na região, importante para os negócios político-econômicos em jogo. Justamente esses grupos vêm indicando El Baradei como um dos possíveis substitutos de Mubarak, sem analisar as diferentes demandas do próprio povo egípcio, e por isso tal declaração precisa ser analisada com extremo cuidado e ressalva.

 

O discurso abstrato que se formula é de que o Egito precisa de democracia e El Baradei seria um ator importante nesse processo. O ponto central é que democracia é também um conceito em disputa, e não necessariamente significa a santíssima trindade reproduzida nas ações "humanitárias" ao redor do mundo, muitas vezes capitaneada pelo papel ambíguo da ONU nesse processo.

 

As demandas do povo egípcio vão muito além de eleições diretas formais para mandatos representativos, e lidam diretamente com o entrecruzamento político para além do formal e o social, significando também a contestação do desemprego estrutural que assola o país, da pífia distribuição de renda, e reivindicações sociais por alimentação, saúde, moradia e educação, além de outros variados fatores que foram capazes de envolver múltiplos grupos políticos e religiosos. O próprio processo político precisa ser pensado para além dos sistemas de eleições diretas, o que geralmente se propagandeia como demanda do povo egípcio, pois isto não necessariamente representa ou representará a solução das demandas concretas estabelecidas.

 

Essa ressignificação estrutural pela qual passam as bases da sociedade egípcia precisa ir adiante tendo em vista a compreensão dos diferentes sujeitos atuantes no processo.

 

Tais pontos, entretanto, passam distante do que clama El Baradei em seu pronunciamento, exortando a intervenção do exército, instituição baseada na hierarquia e disciplina e que de democrático tem muito pouco. Aqui no Brasil, a atuação do exército em tempos historicamente não tão distantes ainda deixa marcas profundas na sociedade, e apesar da dificuldade de estabelecer tal aproximação entre países de formações sociais tão diferentes, a relação entre exército e o fenômeno moderno de consolidação da soberania enquanto relação de poder é no mínimo preocupante.

 

Salta aos olhos a preocupação de manter os protestos egípcios num nível meramente institucional, como se o problema fosse algo simplesmente legal e representativo. Essa não é uma decisão que cabe aos governos ocidentais, não cabem aos professores de universidades (refiro-me aqui ao recente manifesto publicado por professores da Universidade do Cairo, como se tudo se resumisse meramente à Constituição e pudesse ser compactado em uns poucos artigos), não cabe a Mubarak e nem a El Baradei.

 

Esses eventos ainda por acontecer dizem respeito ao povo egípcio e às dinâmicas ainda a se manifestar, sem que possam ser encerrados na usurpação da capacidade ativa de sua população, numa mera substituição do despotismo de Mubarak para outras formas de despotismo e opressão que se manifestam em diferentes níveis e aspectos na sociedade atual.

 

Rafael Vieira é mestrando em Direito.

Contato: rafaelb.vieira(0)yahoo.com.br

 

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