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Mantendo curso firme rumo ao apartheid Imprimir E-mail
Escrito por Jeff Halper   
Sexta, 29 de Junho de 2007
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Apesar de toda a atenção e histeria que os últimos acontecimentos em Gaza têm gerado desde que o Hamas “assumiu”, para Israel eles não significam mais que uma gota d’água mínima em seu curso inexorável rumo à sua própria “solução” unilateral: o apartheid.

 

O objetivo final de Israel, explícito e não perturbado pela recente confusão no local, está claro. Foi apresentado em detalhe no “Plano de Convergência”, que Olmert apresentou para uma sessão conjunta do Congresso dos Estados Unidos em maio 2006, baseado no plano de Sharon de “cantonização”(1). Com ajustes mínimos, é o plano que a ministra de Relações Exteriores de Israel, Tzipi Livni, está discretamente fazendo avançar com a ajuda de Condoleezza Rice e é aceito em sua totalidade por Ehud Barak, líder recentemente eleito do Partido Trabalhista, que desempenhou um papel-chave em sua formulação.

 

O plano de Israel para o apartheid é o seguinte:

 

1. Criar um “Estado” palestino truncado, formado por quatro cantões desconectados, três na Margem Ocidental e Gaza. Através da anexação dos principais blocos de territórios colonizados definidos pelo Muro, Israel se expande para ocupar 85% das terras, deixando os palestinos confinados em enclaves empobrecidos nos restantes 15% do território. Numa tal solução de “dois Estados”, Israel controlaria as fronteiras, movimentos externos e interinos dos palestinos, a área da “Grande” Jerusalém, todos os recursos hídricos, o espaço aéreo, o campo das comunicações e até a política exterior do estado palestino. Um tal bantustão (2) não teria nenhuma soberania verdadeira nem economia viável, mas teria que aceitar todos os refugiados palestinos, traumatizados e empobrecidos.

 

2. Se isto falhar, basicamente porque Israel não consegue encontrar o líder pelego palestino que concordaria com um bantustão, o Plano B – o plano Livni-Rice – reivindica uma declaração unilateral pelos EUA de um Estado palestino “provisório” sem fronteiras definidas, sem qualquer soberania significativa, nenhuma economia viável, esmagado entre o Muro, com a fronteira oriental “demográfica” de Israel incorporando os territórios colonizados, e o Vale do Jordão, a fronteira oriental “de segurança” de Israel. Os palestinos ficariam assim deixados indefinidamente no limbo de um estado “provisório” – ou até que concordem com um bantustão –, tudo de acordo com os parâmetros do “Mapa do Caminho”.

 

Apesar da “iniciativa de paz” do momento, o Mapa do Caminho, a iniciativa saudita, a cúpula de Sharm-el-sheik, a nomeação de um enviado para o Oriente Médio, todos esses planos terão que se conformar com uma destas alternativas, ou ser condenados à irrelevância.

 

O que acontecerá então com Gaza (significativamente apelidada de “Hamastão”, sendo os cantões palestinos da Margem Ocidental agora apelidados de “Fatahland”) é portanto irrelevante para Israel, já que Gaza não representa mais que uma parte minúscula do bantustão palestino (uns 8%). Mesmo que Gaza tivesse sido “pacificada” depois que Israel tivesse se desengajado como Sharon tinha planejado, exportando mão-de-obra barata para Israel e talvez gozando de um crescimento econômico limitado, ou que fosse apenas isolada e empobrecida devido às sanções dos EUA e Israel depois da vitória do Hamas nas eleições, ou então que explodisse – como de fato aconteceu –, nada vai impedir o processo interminável de Israel de consolidar sua dominação da Margem Ocidental. Mais cedo ou mais tarde, no plano de Israel e EUA, Gaza vai entrar no seu lugar.

 

Não somente os palestinos são irrelevantes, do ponto de vista israelense, mas a “tomada de poder” pelo Hamas é até uma evolução positiva, uma vez que promove o processo de apartheid. Uma razão-chave pela qual os palestinos votaram no Hamas era a percepção de que ele resistiria às pressões para aceitar um bantustão melhor do que o fraco e vacilante movimento Fatah, que era considerado como pouco mais que a polícia de Israel nos Territórios. Israel, os EUA e uma Europa cúmplice são vistos então como tentando isolar precisamente aqueles que realmente resistem à Ocupação, enquanto “fortalecem” Abbas e os “moderados” – “moderados” definidos como aqueles que querem pacificar os palestinos sem garantir seu direito fundamental a um Estado próprio viável e soberano. O programa patrocinado pelos EUA de armar o Fatah contra seu próprio povo, que inclui até “emprestar” um general estadunidense (Dayton), apenas confirma essas suspeitas, especialmente se tornam Abbas dependente de forças de fora para sua sobrevivência.

 

Israel e os EUA estão fazendo no microcosmo da Palestina aquilo que os EUA estão fazendo em todo o mundo muçulmano, forçando os palestinos a escolher entre duas opções inaceitáveis: ou as perspectivas de um regime de apartheid que é tudo o que os “moderados” podem dar, ou a contínua resistência à ocupação e ao apartheid sob o Hamas, pelo preço do isolamento internacional e de um processo de islamização não desejado. Onde estão os verdadeiros libertadores que podem produzir um Estado palestino viável, ao mesmo tempo em que reconhecem Israel, mas mantendo sua própria dignidade? Onde estão os líderes progressistas que representam os desejos da maioria avassaladora do povo palestino?

 

Onde estão os líderes “fortes” que Bush afirma estarem faltando no lado palestino? Ou estão mortos, vítimas de uma campanha de 30 anos por parte de Israel para eliminar qualquer líder palestino eficaz, ou definhando em campos de refugiados ou no exílio, ou na prisão. Se Marwan Bargouti e os prisioneiros de todas as facções que produziram o Documento dos Prisioneiros, o único plano de paz viável que tem qualquer possibilidade de sucesso, estivessem livres e lhes fosse permitido liderar seu povo, o conflito entre Israel e Palestina poderia ser resolvido amanhã.

 

O que está faltando, naturalmente, é boa fé. O desejo de defender os direitos palestinos e contra o apartheid israelense está totalmente ausente nos governos. O jornal israelense Ha’aretz ( 21.06.07) notou o cinismo subjacente no recente encontro entre Olmert e Bush. “Olmert chegou a um entendimento com Bush durante sua visita a Washington, de que é necessário apoiar Abbas”, disse uma fonte política sênior em Jerusalém. “A decisão de ajudar Abbas foi feita apesar do ceticismo em relação a suas possibilidades de sucesso, em vista de experiências passadas. Olmert e Bush concordaram que não podem permitir que exista uma impressão de que Abbas fracassou, porque Israel ou os EUA não o apoiaram”.

 

Israel não vai sustentar Abbas - a menos que ele se torne o colaborador que Israel está procurando, o que ele não fará. Olmert já anunciou que não haverá negociações finais de status num futuro previsível. Assim sendo, nem a iniciativa saudita, nem o encontro de Sharm conduzirão a negociações genuínas. Os EUA, com seu moribundo Mapa do Caminho, não vão facilitar o estabelecimento de um Estado palestino viável e a Europa não vai agir de modo independente para conseguir isso, mesmo sendo de seu próprio interesse. Os palestinos, por seu lado, não têm poder para realizar um Estado viável por si mesmos e vão continuar a ser derrotados e culpados por seu próprio aprisionamento e resistência.

 

Nossos governos nos traíram. A menos que nós, o povo em todo o mundo, possamos mobilizar uma oposição da base contra a Ocupação israelense-estadunidense-européia, um novo regime de apartheid, e por incrível que pareça, na Terra Santa, surgirá logo diante de nossos próprios olhos. Só quando o povo liderar é que nossos “líderes” irão pensar na possibilidade de fazer a coisa certa.

 

(1) Cantonização – cantões são divisões territoriais, por exemplo, na Suíça. Corresponderiam aproximadamente a nossos municípios.

 

(2) Bantustão – divisão territorial criada pelo regime de apartheid na África do Sul, onde eram confinados os africanos negros. Eram terras áridas, sem possibilidade de sustentação econômica; os negros eram, por essa lei, cidadãos desses territórios e precisavam de documento legal – o “passe” – para entrar na África do Sul branca, sua única possibilidade de obter trabalho e assim sustento para suas famílias. Eram áreas descontínuas, enclaves isolados dentro do território “branco”.

 

 

Jeff Halper é o coordenador do Comitê contra Demolições de Casas (ICAHD) e foi candidato, com o ativista palestino pela paz Ghassan Andoni, ao Prêmio Nobel da Paz.

Email: jeff(0)icahd.org.

 

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Última atualização em Sexta, 29 de Junho de 2007
 

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