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Medicamento ou veneno? Imprimir E-mail
Escrito por Daniel Chutorianscy   
Terça, 01 de Fevereiro de 2011
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O símbolo da medicina é uma cobra enrolada, com a seguinte frase: "Sedarem dolorem opus divinus est", ou seja, "sedar a dor é um ato divino". Mas como na vida tudo é relativo, vai lá uma pergunta: medicamento ou veneno?

 

Desde os gregos, a Medicina era um grande sacerdócio, porém, foi mudando, mudando, até se tornar um grande negócio.

 

O lucro passou a ser o medicamento. O veneno mais eficiente encontrado hoje é o modelo capitalista, que envenena as massas trabalhadoras com seu ódio, desprezo pelas pessoas, pelo trabalho justo e produtivo, pela justiça, pela reforma agrária, pelo envenenamento com os agrotóxicos produzido pelo agronegócio... Lucro, lucro, lucro, sempre o lucro, e tome uma mídia totalmente envenenada.

 

O aumento da média de vida da população aconteceu muito mais em função das conquistas sociais bancadas pela população trabalhadora do que propriamente das conquistas científicas. As conquistas sociais sempre foram um medicamento voltado para a Saúde, ao passo que as conquistas científicas sempre foram voltadas para combater as doenças. Uma complementa a outra, mas e o veneno? 

 

O modelo capitalista sempre foi o veneno, na sua forma mais avançada: o imperialismo, que na fobia de impedir qualquer vestígio de luta de classes tenta esmagar com a doença, alienação, desinformação, deseducação. Ou seja: o modelo capitalista PRECISA DESESPERADAMENTE DA DOENÇA. Manter uma população adoecida é manter o controle. O homem doente fica à mercê de tudo. Manter vivo para o trabalho alienado: a maior fonte de doenças. Já a Saúde é transformadora e o grande medicamento. Doença e lucro mantêm essa cobra venenosa ativa e raivosa.

 

Aristocracia: as elites são iguais em qualquer lugar do planeta; mantêm seus enormes "bolsos-famílias" plenos de venenos, corrupções e artimanhas, criam leis para seu próprio benefício, mostram o "pau" e escondem sempre a cobra. Lucro com o "pão e circo", lucro com as doenças de massas produzidas pela forma totalmente insalubre ou insana da produção de bens e insumos inteiramente administrada pelo envenenamento da "mais e cada vez mais-valia" e o lucro que desqualifica o indivíduo, tornando-o um simples objeto, um simples numerozinho desprezível e vulgar.

 

O modelo capitalista precisa desqualificar e adoecer, eis sua real fonte de lucro. A Medicina há algum tempo sempre foi usada metaforicamente, como no exemplo da cobra: medicamento ou veneno, ou seja, ambigüidade para encobrir outras razões. Escolas e cursos superiores particulares em cada esquina "sem rosto" para gerar lucros e formar gerações adestradas. Todos têm enormes lucros: é "a indústria da doença", com laboratórios, planos de saúde, farmácias, drogarias.

Em cada família há um ou vários doentes. E segue essa procissão impiedosa e cruel em nome da "bondade" e da "piedade". O ‘rabo do cavalo’ que é o setor público, que pertence verdadeiramente à população, mas que só cresce para baixo.

 

Doenças de massas, fome, miséria, causas naturais, desemprego, as grandes jogadas do capital especulativo que geram milhões de desempregos, angústia, desespero, cada vez mais doenças contra as quais a Medicina sozinha nunca pôde nem dará conta. A Medicina é um alívio para a dor - social. A tragédia social é para ser combatida de frente pelo indivíduo, pelo cidadão, para retirar o veneno da exploração de classes.

 

A nossa tarefa é envenenar as cobras, modificar, revolucionar, não acreditar em medicamentos que a cultura burguesa nos dá como líquidos e certos há séculos, como infantilizar-nos com suas verdades venenosas e absolutas. Usemos o medicamento adequado: justiça social. Usemos a Medicina, a Educação, a Arte, a Cultura, a Justiça, no lugar onde devem estar. O veneno da corrupção, do lucro, da alienação, da estupidez pela força das armas, das guerras por mais poder, ditaduras econômicas e culturais, podemos jogar tudo no lixo com suas cobras venenosas.

 

Imaginem o que é ver um trabalhador num corredor de um hospital público, totalmente desprotegido, sem nenhuma assistência, nenhum medicamento, quase morrendo, cercado de uma multidão de trabalhadores iguais a si, nas mesmas circunstâncias, sem a menor chance... Mais um que vai... E o médico impotente...

 

Aquele trabalhador deu sua vida pela família, pela sua dignidade. Sua honra nunca imaginaria ver isso acontecer. O médico com baixíssimo salário vê todo dia isso acontecer. Eu pergunto, o que é pior, a morte ou a impotência? Eis o que o modelo capitalista quer nos incorporar: nossa frustração ou morte, venenos letais. Contra o veneno, o antídoto, que é não se deixar levar pelas bruxarias do "não adianta fazer nada", "é impossível fazer alguma coisa", "é melhor negociar com o inimigo", "vamos fazer o jogo", "os fins justificam os meios"...

 

A ‘bruxaria’ só existe se você acreditar nela. Companheiro cidadão, coragem e esperança sempre, não se deixe envenenar. A sua voz é a minha voz, a sua angústia é a minha angústia, a tua força é a minha força.

 

O nosso grande medicamento? LUCIDEZ E SOLIDARIEDADE.

 

Daniel Chutorianscy é médico.

E-mail: trenzinhocaipira(0)vnet.com.br

 

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