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Tunísia: A lógica da revolução Imprimir E-mail
Escrito por Dyab Abou Jahjah   
Sexta, 21 de Janeiro de 2011
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A revolução tunisiana continua a ditar a sua própria lógica em todos os níveis. Após tentativas de remanescentes do regime de difundirem, através de várias técnicas (carros em movimento nas ruas disparando aleatoriamente sobre pessoas e casas, destruição de infra-estrutura, etc.), o povo tunisiano organizou-se em comitês que se disseminam por todo o país, em todo bairro e em todas as cidades, começando a patrulhar as ruas e a proteger o povo. Comitês populares perseguiram efetivamente as milícias do velho regime e em um caso, numa troca de tiros, um deles caiu como mártir enquanto dois homens da milícia foram executados pelo povo. <

 

Há relatos de atividade israelense na Tunísia em apoio à contra-revolução e também de infiltrados enviados da Líbia para sabotagem. Ainda não é claro se isto é um padrão ou se são casos isolados.

 

Em nível político, os remanescentes do velho regime ainda estão oficialmente no poder, negociando com a falsa oposição que sempre serviu ao regime como decoração. Contudo, os comitês populares, a central sindical e a oposição real estão trabalhando para mudar isto e traduzir a revolução em efeitos políticos.

 

Acredito que não levará muito tempo até ser traçado um caminho político rumo à preparação de eleições. É importante notar que eleições feitas em conformidade com o velho regime não produzirão mudança, de modo que a oposição real e o povo estão exigindo primeiro a mudança da constituição, para então ir às eleições.

 

Os regimes árabes estão sendo sacudidos e os povos árabes em euforia, mesmo em lugares como o Omã e Emirados. No Twitter, a juventude saudita também mostra seu apoio à revolução tunisiana, exprimindo vergonha pelo seu país tolerar a tirania.

 

O regime egípcio adiou medidas planejadas para revogar o subsídio do Estado a alguns bens de consumo básicos.

 

Quanto a Muammar Kadafi, expressou seu lamento e disse que os tunisianos deveriam ter mantido Ben Ali para sempre. Kadafi está claramente nervoso acerca de uma revolução real na fronteira líbia, contrária à sua própria falsa revolução.

 

Em outro nível, a oposição egípcia agora está mais convencida de que a resposta está na rua e nada mais. Este reviver do ideal revolucionário é universal sobre todo o mundo árabe.

 

Na Argélia, há relatos de três casos de cidadãos que se atearem fogo, um deles confirmadamente morto. O Egito e a Argélia parecem ser os dois países árabes em que mais repercute o que aconteceu na Tunísia.

 

O Hezbollah saudou a revolução tunisiana e pediu a todos os líderes árabes que tirassem conclusões da mesma.

 

Internacionalmente, os franceses e os americanos emitiram declarações que revelam um alto nível de hipocrisia. Eles sempre apoiarem o velho regime, sabendo muito bem da sua natureza, como revelou o WikLeaks, e agora não podem nos vender o seu chamado apoio às opções do povo.

 

Eles não gostam de ver revoluções a menos que sejam orquestradas pela CIA e pelas ONGs financiadas pela CIA, como na Ucrânia, Geórgia e Líbano.

 

Isto é uma revolução real e, portanto, sentem-se inquietos acerca dela.

 

Dyab Abou Jahjah é fundador e antigo presidente da Arab European League.

 

O original encontra-se em http://mrzine.monthlyreview.org/2011/jahjah160111.html e em Abou Jahjah comments

 

Retirado de http://resistir.info/.

 

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