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Adoniran Barbosa: um centenário que passou Imprimir E-mail
Escrito por Maria Clara Lucchetti Bingemer   
Qui, 20 de Janeiro de 2011
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Tão pouco percebido passou que só no ano seguinte encontramos tempo para falar dele. Falo de mim, mas falo da mídia também. O fato é que se o centenário de Noel Rosa foi pouco comemorado proporcionalmente à sua grandeza como compositor, o de Adoniran Barbosa o foi menos ainda. E, no entanto, poucos cantaram a alma brasileira como este paulista de Valinhos.

 

Enquanto Noel é o próprio Rio de Janeiro em pessoa, Adoniran cantou o interior do país, a gente simples e humilde do interior do estado de São Paulo e de sua capital, com seus problemas, suas dores e alegrias. Típico paulistano, filho de imigrantes italianos, Adoniran experimentou na carne a luta pela sobrevivência do paulistano comum numa metrópole sufocante como é São Paulo, onde tudo, o tempo e a vida inclusive, corre, range e solta fumaça pelas ventas, poluindo o céu e apagando as estrelas, como diria o baiano Caetano.

 

O verdadeiro nome de Adoniran Barbosa era João Rubinato. Mas, devido ao proverbial amor com que ele canta mesmo as tragédias e os sofrimentos, ia mudando de nome e de personalidade em cada situação vivida, tornando-se personagem de uma nova história. O dia a dia do cidadão comum é corrente e a matéria-prima com a qual Adoniran Barbosa constrói seu cancioneiro. Notícias de jornal, observação da gente da rua, daí sai a lira do compositor, que tem criações imortalizadas na música popular brasileira.

 

Quem já não sorriu entre encantado e triste com a história melancólica de Iracema, amada pelo cantor, que um dia "atravessou na contramão", vivendo hoje lá no céu, bem pertinho de Nosso Senhor? Mas em meio ao que é notícia de obituário de jornal - Adoniran se inspirou para compor Iracema em uma notícia sobre uma mulher atropelada na Avenida São João - ocorrência triste e cinzenta do cotidiano mais triste e nublado do paulistano, está o humor do amante inconsolável, que guarda da amada a meia e o sapato, pois perdeu o seu retrato.

 

Como todo bom poeta, Adoniran foi também um criador de linguagem. O mergulho que fará na linguagem com suas construções e inovações linguísticas, pontuadas pela escolha exata do ritmo da fala popular e coloquial paulistana, na verdade vão no sentido inverso daquele que toma o samba em sua história oficial. Enquanto os outros compositores buscavam tom sublime e solene para suas composições, Adoniran nunca se afastou do jeito popular de ser e de falar, construindo uma linguagem própria e original.

 

Falando com o jeito popular, que dá às palavras a forma com que as pronuncia, diferente da oficial, mas com o sabor do entendimento oral, o compositor, cujo centenário agora celebramos, introduziu definitivamente na língua portuguesa a expressão " tiro ao Álvaro" para cantar o tiro ao alvo que era o seu coração em direção ao qual a amada teimava em enviar flechas e mais flechas até não ter mais onde furar. Quem que já tenha amado na vida não se sentiu assim algum dia? E quem já não ouviu algum brasileiro confundir "alvo" e "Álvaro"? Ou "tábua" e" "talba"?

 

Não só expressões idiomáticas próprias saem da criação de Adoniran. Também nomes próprios são rebatizados com a liberdade que o talento confere à arte. É assim que o personagem Ernesto que mora no Brás e que deu uma festa onde não havia ninguém é rebatizado de Arnesto, e todos os que cantam o samba de Adoniran nem pensam em cantar de outra maneira senão Arnesto.

 

Mas a peça-chave, o ícone definitivo de seu cancioneiro é, sem dúvida, o famoso "Trem das onze", onde o desejo de ficar ao lado da namorada tem que ser deixado de lado para tomar o último trem, não só para não ter que ficar esperando até "amanhã de manhã" como para não preocupar a mãe, que não dorme enquanto o rapaz não chegar.

 

Com várias interpretações, de Elis Regina a Clara Nunes e até Chico Buarque, entre outros, Adoniran viveu e morreu modesto como nasceu. Amando a vida e acreditando na amizade, contando histórias com sua voz rouca, enchendo de humor e de realidade a vida dos botecos, foi o único sambista paulista que todo o Brasil reconheceu e reverenciou, inclusive o Rio de Janeiro e a Bahia, que são considerados um pouco o território do samba por excelência.

 

Maria Clara Bingemer, teóloga e professora da PUC-Rio é autora de "A Argila e o espírito - ensaios sobre ética, mística e poética" (Ed. Garamond), entre outros livros. (www.users.rdc.puc-rio.br/ágape)

 

Copyright 2010 – MARIA CLARA LUCCHETTI BINGEMER – Não é permitida a reprodução deste artigo em qualquer meio de comunicação, eletrônico ou impresso, sem autorização. Contato – MHPAL – Agência Literária (mhpal(0)terra.com.br).

 

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