Um verão para Dilma

 

A presidente Dilma visitou as áreas devastadas pelas chuvas. Pousou no lugar. Conversou com os prefeitos e o governador. Não riu das pererecas, dos bagres, nem criticou os ambientalistas, o Ministério Público, os indígenas e os quilombolas. Humildemente disse que era também um momento de aprender.

 

Dilma tem aparência dura, mas muitas vezes chora em público. Chorar e sorrir são atitudes exclusivas do ser humano, sinais de inteligência e sensibilidade.

 

Portanto, esperamos da presidente atitudes coerentes com seu procedimento e com suas palavras. O primeiro passo do poder público é mesmo socorrer com o melhor essas populações. Em segundo, é preciso o mapeamento imediato das áreas de risco no Brasil e o investimento prioritário para remover essas populações.

 

Será um custo econômico astronômico, mas ainda é melhor prevenir que remediar, porque muito além do econômico está a vida da população. Essa tragédia, ao soterrar condomínios de luxo, prova mais uma vez que, diante do que o mundo vem atravessando e vai atravessar, a natureza não distingue classe social.

 

Muitos especialistas comparam o que aconteceu no Brasil agora com o que acontece na Austrália e outros países, como Bélgica. Oras, não se pode avaliar essas tragédias apenas pelas mortes, mas por todos os prejuízos e transtornos físicos e psicológicos que eles causam. Quem passa por essa situação, a cada chuva, revive a tensão emocional de situações do passado. 

 

O que acontece no mundo é muito mais grave que fortes chuvas de verão. O fracasso de Copenhague, Cancun, o avanço progressivo das cidades e agricultura sobre as florestas desabam em fenômenos que agora presenciamos.

 

Dilma precisa, enfim, vetar qualquer mudança no Código Florestal que venha aumentar o desmatamento nas encostas e às margens dos rios. A força econômica e política do agronegócio não pode sobrepor-se aos direitos da esmagadora maioria do povo brasileiro. Sua racionalidade econômica é irracional para o bem do conjunto da nação.

 

Sobretudo, a presidente precisa entender que ela tem um papel histórico infinitamente maior que ser uma gerente dos interesses do capital. Precisamos ser um país melhor e equilibrado, não necessariamente a 5ª  economia do mundo.

 

A história lhe deu gratuitamente o papel de conduzir o país para um novo paradigma civilizacional, justamente nesse momento que atravessamos uma mudança de época.

 

Tomara que ela compreenda a magnitude da tarefa que lhe cabe e não se abespinhe diante de interesses poderosos, mas profundamente mesquinhos.

 

Lembremo-nos sempre: hoje foi na casa do vizinho, amanhã poderá ser na nossa.

 

Roberto Malvezzi, o Gogó, é assessor da CPT – Comissão Pastoral da Terra.

 

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Comentários   

0 #1 Dilma e um verão de esoerançasguimarães s. v. 21-01-2011 03:49
tamém acredito! Gogó, que a Dilma demonstre mais sensibilidade que o Lula nessa questão do meio amdiente e do desastre ecológico. não apenas por se mulher mas por alguns sinais que se vem percebendo neste início de governo. esperemos que vete os pontos danosos do Código Florestal. Esperemos e... amemos.
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