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Perspectivas econômicas para 2011 Imprimir E-mail
Escrito por Guilherme C. Delgado   
Terça, 04 de Janeiro de 2011
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A convenção que vai se formando - dos círculos oficiais a alguns mercados organizados - é a de que o próximo quadriênio do governo Dilma será uma espécie de ‘canteiro de obras’. Investimentos volumosos em infra-estrutura urbana preparatórios à Copa do Mundo de 2014 e Olimpíadas de 2016, combinados com outra massa de investimentos nos setores de energia elétrica (duas maiores hidroelétricas mundiais em construção) e petróleo (programa de investimentos e parcerias da Petrobrás), capitaneados pelo setor público, puxariam o setor privado a também investir.

 

Também faz parte de uma espécie de acordo ou pacto implícito estatal-privado expandir as exportações de "commodities" agrícolas e minerais, possivelmente no mesmo ritmo desta primeira década, quando as exportações de Produtos Básicos cresceram muito à frente da exportação de Produtos Manufaturados, caracterizando já no final da década um claro processo de "primarização" das exportações e relativa "desindustrialização" do nosso comércio exportador.

 

A convenção ou pacto de interesses classistas a que me refiro somente não é dominante nos chamados mercados organizados, porque o segmento financeiro reluta e resiste a mudanças de políticas monetária e cambial, que são imprescindíveis à plena estruturação desse processo de expansão econômica.

 

Por outro lado, esses dois vetores de demanda efetiva - investimento público (em infra-estrutura e energia) e exportação privada de "commodities" - dependem fortemente de condições externas favoráveis, do mesmo ritmo de crescimento da demanda externa de "commodities" da década passada e da aderência do mercado externo de capitais às demandas por financiamento dos investimentos programados. Mas mesmo que imaginemos satisfeitas tais condições, o que podemos esperar desse estilo de crescimento é a confirmação da aposta de uma estratégia de crescimento puramente assentada na modernização técnica.

 

O sistema econômico se expande, aumenta a produtividade do trabalho mediante investimento em infra-estrutura; a demanda efetiva é planejada em setores que têm capacidade de arrasto. Mas o nó górdio desse estilo de crescimento é a reprodução de dois dilemas clássicos do subdesenvolvimento, tão bem teorizados por Celso Furtado: maior dependência externa, maior desigualdade na repartição do excedente econômico, materializado em renda e riqueza sociais ultraconcentradas. Isto tudo significa mais miséria e violência urbana e rural como padrão de civilização, calcado na desigualdade, que infelizmente grande parte da nossa elite econômica e cultural se acostumou a considerar "natural".

 

Mas no ambiente político e econômico do governo Dilma comparece um terceiro importante protagonista do crescimento, a respeito do qual ainda não há consenso na aliança política que ganhou as eleições sobre como tratá-lo: a chamada ‘classe C’, consumidora de bens-salário; trabalhadora assalariada; portadora de direitos sociais, mas que também é produtora atual e potencial de bens e serviços no segmento da chamada economia familiar ou do micro-empreendimento.

 

Com tantas e diferenciadas caracterizações, esse amplo arranjo de formações sociais tem em comum um traço relevante: depende de políticas públicas permanentes, voltadas à igualdade social, para consolidar sua participação na distribuição da renda.

 

Essa ‘classe C’, medida pela PNAD na faixa de meio até dois salários mínimos de renda per capita familiar, já representa mais de metade das famílias e, para se manter e elevar sua presença no espectro da distribuição de renda, precisaria contar com uma estratégia explícita de redistribuição do excedente econômico, gerado a partir dos ganhos de produtividade a que nos referimos anteriormente.

 

Deve-se assinalar a contradição latente, presente na economia política desse novo governo que ora se inicia. A convenção ou acordo para o crescimento, malgrado algumas resistências, é para um clássico processo de "modernização conservadora" - rural e urbana.

 

Mas a base político-eleitoral que elegeu Dilma será expelida do processo distributivo se não houver estratégia redistributiva claramente delineada, não apenas nas políticas sociais clássicas, como também nas políticas de fomento econômico. A conseqüência política disso seria uma enorme frustração, com implicações certamente perversas para o mínimo de coesão social.

 

Finalmente, deve-se assinalar que o governo Dilma, assim como os dois governos Lula que ela continuará, herda as crises latentes da economia mundial, cuja incidência e freqüência histórica têm se acelerado, década a década, nos últimos 30 anos.

 

Tais crises são sempre um campo antinômico de riscos e oportunidades para vencermos as dificuldades tradicionais da nossa dependência e desigualdade social. No passado, ofereceram, pela expansão do mercado interno, uma via de escape à estagnação. Terá chegado a hora do paradigma da igualdade?  

 

Guilherme Costa Delgado é doutor em economia pela UNICAMP e consultor da Comissão Brasileira de Justiça e Paz.

 

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Última atualização em Terça, 04 de Janeiro de 2011
 

A publicação deste texto é livre, desde que citada a fonte e o endereço eletrônico da página do Correio da Cidadania




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