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Os Filhos de Goebels Imprimir E-mail
Escrito por Raymundo Araujo Filho   
Quarta, 22 de Dezembro de 2010
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A recomendação é que este artigo seja lido escutando-se a música Filhos de Gandhi, de Gilberto Gil, em um dos seus mais populares momentos musicais.

 

Fim de oito anos de mandato de um presidente que foi eleito sob o compromisso de renovar a política brasileira em seus métodos e direcionamentos, como coroamento (êpa!) de, na época, pouco mais de duas décadas da fundação do PT, que hegemonizou a política da esquerda brasileira, tendo atingido, em 2002, não só a adesão dos Movimentos Sociais, Sindicais e Popular, mas de grande parcela das classe média e setores empresariais não hegemônicos economicamente e anti-oligopolistas (e nem sempre de esquerda, exatamente). Todos consensuados de que, como estavam as políticas sociais e econômicas, não podia mais ficar, visto que os padrões de liberdade de opinião, afinal, já tinham sido conquistados pela sociedade brasileira, e não por algum Partido ou Político, como em outros países.

 

Portanto, afirmo sem medo de errar que o legado político da "Era FHC" estava completamente derrotado, assim como as oligarquias tradicionais, mas apenas pela vontade da população, e não pela do PT e pela vontade do presidente Lulla - que, como hoje sabemos, já tinha imposto ao Partido as condições de sua cooptação pelo Diálogo Interamericano, em 1982, para que ele fosse alçado à presidência do Brasil, mas pelas mãos do Capital e apenas, eu disse apenas, com o voto popular.

 

Lembro que, em 2002, até o MST tinha conquistado a população, ou ao menos, o consenso que a Reforma Agrária e as questões relativas à Propriedade, Utilização e Função Social da terra tinham de ser democratizadas, assim como a Agricultura Familiar e a sua Agroindustrialização pelas próprias cooperativas dos agricultores. Lembro também que as velhas e novas oligarquias, como a de sarney, barbalho, renan e jucá, assim como o rebotalho direitista do PP e congêneres, estavam em baixa, a despeito das alianças com setores conservadores como a IURD do Bispo Macedo e setores empresariais conservadores representados pelo vice José de Alencar - que de bom velhinho e nacionalista não tem nada, a ponto de ter ganho uma licitação para roupas militares e ter mandado fazê-las na China, para lucrar às custas do desemprego industrial brasileiro.

 

E o golpe foi consolidado na tal Carta aos Brasileiros (aos Estrangeiros, na verdade), já sem tempo hábil para a desconstrução eleitoral do Lulla, quando anunciou que os Banqueiros podiam ficar tranqüilos, que o Leão era manso...

 

Mesmo assim, votamos em Lulla nesta ocasião, por entendermos que poderia haver alguma disputa de projeto no curso de seu governo. Ledo (Ivo) engano! Já em janeiro vimos, não sem estupefação, o então ministro chefe da Casa Civil, conhecido como Zé Dirceu, compor com o presidente das milícias rurais do RS e presidente da FARSUL, Carlos Sperotto, e ter ido com ele em seminário de ruralistas em Santa Catarina para dizer que o governo não ia contra os transgênicos e que ouviriam os ruralistas nas políticas para o setor. Meses antes (em setembro de 2002), Lulla disse, em encontro com duas mil pessoas reunidas em Francisco Beltrão (sudoeste paranaense), que "com uma agricultura familiar que temos, não precisamos e não legalizaremos os transgênicos". Este depoimento está gravado em fita, mas guardado a sete chaves pela ONG que recebeu o financiamento para a promoção daquele encontro, transformado em Ato de Campanha para a Presidência da República. A ONG é o AS-PTA.

 

Daí para frente, é o que sabemos. Um período onde os atalhos anti-republicanos quase acabaram com a reeleição de Lulla (segundo o próprio Zé Dirceu e Gilberto Carvalho, em recentes entrevistas), tudo feito em nome de uma suposta "governabilidade", já nos mostrando que mesmo quem se dizia e se diz esquerda do PT (Zé Dirceu) preferia os atalhos palacianos do que a inserção popular...

 

Lulla, que de bobo nunca teve nada e sempre gostou muito do Poder, assumiu finalmente o comando do mandato, a esta altura muito proximamente aconselhado por Stanley Gaceck, braço "trabalhista" da AFL-CIO (sindicalismo dos EUA) e amigo íntimo do presidente (foi um dos dois únicos estrangeiros presentes no palanque da festa da vitória do Lulla - o outro foi um meteoro de nome Luiz Favre), a quem tinha acabado de visitar em sua ida aos EUA, para conversar com o "companheiro" Bush.

 

E aí se inicia a implementação do projeto gestado "de fora pra dentro", em sua fase pós traumática de FHC, onde se implementaram "a fórceps" todas as reformas desestruturantes do Estado Brasileiro e aprofundando o pagamento régio para a banca internacional (R$ 200 bi anuais), que colocara o principal credor no Banco Central, o Henrique Meirelles, do Bank of Boston (este agraciado com status de ministro para poder fugir de processos por falcatruas supostamente cometidas por ele), como garantidor do pagamento e rolagem da especulação financeira.

 

O resto, sabemos bem o que aconteceu. Inicia-se a implementação da entrega de nossas riquezas naturais, culminando com o Pré-Sal já totalmente entregue. Transfere-se o erário para grandes empreiteiras, que executam os projetos de infra-estrutura com lucros de 100% sobre o custo real da obra. Entrega-se a telefonia para um jogo, onde o consumidor é estonteado e fica incapaz de saber com clareza até quanto paga por ligação, em um país com 200 milhões de celulares em uso, sendo apenas 35 milhões de pós-pago e o restante estando nas mãos dos mais pobres que pagam o dobro pela ligação.

 

Privatizam-se estradas, aeroportos, a navegação de cabotagem desnacionalizada, fala-se em Trem Bala inútil, privatizam-se os serviços de saúde e desmontam-se as políticas de medicina social, vigilância epidemiológica e sanitária, estando o país a mercê da tuberculose, dengue e muitas outras doenças, além do recrudescimento vergonhoso da AIDS. E a total iniqüidade do atendimento hospitalar público (e dos planos de saúde, não fiscalizados também). Em relação ao PIB, Lulla investiu menos em estradas que o próprio FHC, embora trate de números absolutos, ao se comparar com...Geisel.

 

O dia a dia do brasileiro comum é tomado em grande parte em transportes públicos perversos, onde é o passageiro que serve à empresa, e não o contrário, com tarifas altas, em relação ao péssimo serviço, como o metrô, por exemplo.

 

Temos 42 milhões de jovens matriculados na escola fundamental, sendo que a evasão antes da oitava série chega a 50%, e o segundo grau é muito pouco freqüentado, mesmo com o remendo do Prouni, que faz a salvação dos empresários da educação – que, segundo o próprio Lulla, são heróis, a exemplo dos usineiros de cana. O MEC não conseguiu realizar um só exame nacional (ao custo de cerca de R$400 milhões cada um) sem que a corrupção e o vazamento tenham sido a regra, e não a exceção.

 

Exportamos gasolina pela metade do preço cobrado aos brasileiros. O gás de cozinha custa cerca de 8% do salário mínimo (o de bujão) e o encanado ainda mais caro. Energia elétrica, água e esgoto possuem preços proibitivos, a não ser para parca subsistência.

 

Por fim, temos os números finais deste governo, que é irresponsavelmente embalado por apoios em falsas estatísticas e maquiagens. Pois os últimos dados do IBGE nos mostram a verdade sobre este "avanço" e "diminuição da pobreza", quando nos mostram que os 50% da população mais pobre continua usufruindo apenas de 25% da renda nacional, que 3% da população detém 50% das terras, e que 70% dos empregos são pagos com o salário mínimo (R$ 510, até o fim de 2010). Tudo sob a égide de mentiras como a que famílias (4 pessoas) com renda de R$ 1mil fazem parte da classe média, que compra a crédito com altos juros embutidos, mas com propaganda de "juros zero", mas não tem saúde pública, transporte e educação, e onde "trabalho qualificado" é o pedreiro que fez "cursos" de aprendizado....

 

O fato é que a redução da pobreza no Brasil restringiu-se a tirar cerca de 15 milhões de brasileiros do ganho mensal ZERO, ou perto disso, para algo em torno de R$ 4 por dia (R$120/mês), pelo Bolsa Família. É o que está escrito nos dados do IBGE. É a isso que se reduz a tão propalada redução de pobreza, levada a cabo por Lulla. E quem pagou a conta não foram os 10% mais ricos (que enriqueceram ainda mais), mas sim o trabalhador qualificado, que tem seus ganhos congelados ou em queda.

 

Pra mim é pouco e saiu muito caro. Só sendo trouxa para acreditar que mais nada poderia ter sido feito.

 

E, para terminar, vemos o ministro da Defesa Jobim pactuar um acordo militar com os EUA, que nem a ditadura militar ousou fazer, seguido de declaração do Lulla, que desejaria implementar um Conselho de Segurança Internacional, para "combater o crime na América do Sul". Isso me cheira a repressão aos Movimentos Sociais...

 

E, para que as minhas esperanças natalinas fossem de vez para o espaço, acabo de ouvir do super ministro Jobim, já nomeado por Dillma, que, "se os aeroviários entrarem de greve no Natal e Ano Novo, vão sofrer graves conseqüências...". E isso tendo o maior beneficiário da implosão da VARIG e deste furdunço desregulamentado que é a nossa aviação comercial sido indiciado (rapidamente solto) em crime doloso, com todos os agravantes possíveis de se imaginarem, e tendo sido freqüentes suas idas ao gabinete do Lulla presidente ...

 

Fecha o Pano! Ou melhor, "Recolhe as meias da lareira".

 

Raymundo Araujo Filho é médico veterinário homeopata e não gosta de confundir fantasias com realidade.

 

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Última atualização em Quarta, 22 de Dezembro de 2010
 

A publicação deste texto é livre, desde que citada a fonte e o endereço eletrônico da página do Correio da Cidadania




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