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2010 esportivo: mais mediocridade e obscenidade Imprimir E-mail
Escrito por Gabriel Brito, da Redação   
Terça, 21 de Dezembro de 2010
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Como será corriqueiro nos anos vindouros, o esporte esteve em alta na agenda nacional deste 2010. Além de importantes fatos esportivos ocorridos nos últimos doze meses, o mundo do esporte também teve fortes movimentos em sua política, economia e jogos de interesses. Quanto ao Brasil, o velho quadro de descrédito permanece, com todas as eternas mazelas mantidas, que agora se evidenciam com a proximidade de grandes eventos.

 

Começando pelo lugar em que pousaram os olhos do país na reta final do ano, o Rio de Janeiro, o quadro já se mostra tenso, com alta probabilidade de caos e truculência estatal na condução dos megaeventos esportivos, especialmente a Olimpíada em 2016, exclusividade da capital carioca.

 

Tal realidade já se vê claramente na gestão da cidade, voltada a abrir espaços econômicos e sociais para grandes obras e negócios transnacionais, numa verdadeira ‘venda’ da cidade maravilhosa aos interesses empresariais. Ao menos nos disseram ao Correio da Cidadania diversos especialistas ao longo do ano.

 

Como revelou matéria do jornalista Gustavo Barreto, da revista online Consciência.net, já são 119 as comunidades ameaçadas de remoção no que já se cunhou de ‘corredor olímpico’. Como de praxe, os moradores sempre sofrem pressões desumanas para aceitarem as condições da negociação, que às vezes são apresentadas pelo próprio empreendedor, desrespeitando de maneira grotesca os mais básicos preceitos legais. A coerção é outro expediente freqüente para ‘convencer’ aqueles que só são lembrados pelo Estado na hora de se perpetrarem violências – moral, física, material, pra todo gosto.

 

Mas nem todos são tão inocentes assim ou cantam no coro dos contentes. A interferência das forças armadas na operação do Alemão e Cruzeiro, em novo pseudo-ataque ao narcotráfico (vide que sua estrutura fora dos morros, isto é, diretiva, segue intacta), fez parte do teatro da comoção nacional criado na ocasião do espetáculo, que foi definitivamente elevado a tal nível quando a belicista mídia cunhou o episódio como ‘Tropa de Elite 3’.

 

Nas demais cidades-sedes da Copa do Mundo, nada muito alentador. Licitações vêm sendo atropeladas e depois suspensas pela justiça, obras em várias localidades estão com atraso, fora a indefinição e muita politicagem em torno da disputa pela abertura do mundial, assim como pela escolha do estádio paulista que o abrigará.

 

Aparentemente, será realizada em São Paulo, no enésimo futuro estádio do Corinthians, desta vez a ser erguido em Itaquera, populosa área da zona leste de São Paulo, tradicionalmente esquecida pelo poder público. Pelo que constou das informações transmitidas, o próprio presidente Lula conjecturou com Ricardo Teixeira, governo paulista e Odebrecht um acordo para levar adiante a construção, além, é claro, do próprio clube paulista.

 

De toda forma, a Copa promete ser uma farra histórica para as empreiteiras, e um crime ainda a ser medido contra o nosso futebol. O Maracanã já começou a ser demolido para sua remodelação, que acabará com a divisão entre arquibancadas e cadeiras, ou seja, mudará radicalmente a arquitetura original. Ainda não se sabe a quem interessa tamanha intervenção. No entanto, comparada a outras, fica claro o processo de elitização de nosso futebol e padronização de nossos estádios ao melhor estilo shopping-center.

 

Pra finalizar os assuntos extra-campo, da cartolagem que reina mais impunemente que a classe política ao mesmo tempo em que mexe com paixões mais desarmadas, no terreno internacional a coisa não foi muito melhor. A Copa do Mundo da África do Sul já mostrou que a ganância da dirigência esportiva não encontra limites, tendo sido realizado um evento excludente do povo local e caríssimo para os cofres públicos, que bancaram toda a festa. Além disso, o empreendedorismo popular foi massacrado pela total blindagem aos patrocinadores oficiais.

 

Um desastre em termos de legado, com a importante comprovação de que esses sujeitos não querem desenvolver pólo algum em termos de esporte: apenas procuram as mais vantajosas portas para seus negócios. Basta ver que só têm vencido tais eleições aqueles países mais necessitados de infra-estrutura, instalações esportivas, hoteleiras, transporte público etc.

 

E é mais óbvio ainda que o botim de tais eventos será explorado pelas forças políticas dominantes de cada país e seus respectivos associados do mundo privado, de onde de fato se tomam as grandes decisões políticas. China, África do Sul, Brasil, Rússia e Catar se encaixam neste recorte, cada qual à sua maneira.

 

Dentro das quatro linhas

 

Nos campos, quadras e pistas, o ano teve como fato mais impactante e novidadeiro o título da Espanha na Copa do Mundo. Melhor time do planeta nos últimos quatros anos, período em que perdeu somente uma partida, confirmou seu favoritismo (algo raríssimo em Copas) e consagrou seu estilo de jogo de trocar passes incansavelmente até o exato instante de definir a partida – o que ocorreu com sofrimento acima do esperado, é verdade.

 

De toda forma, em meio a uma competição que novamente deixou dúvidas sobre se ainda veremos Copas do Mundo memoráveis tecnicamente, a Fúria foi quem se sobressaiu, mostrou um futebol virtuoso, leve, onde o talento sempre regia a orquestra. Ao contrário do medíocre Brasil de Dunga, que não deixará saudades com seu estilo tacanho, tanto para ver a vida como para montar uma seleção.

 

Sua convocação ultraconservadora e abrasileira já foi desancada por esta coluna, que prefere nem se recordar dos escassos momentos de esperança que esta copa nos ofereceu, mostrando desde o início que não tínhamos bala na agulha para o hexa. A falta de opções ofensivas no banco foi gritante e não é possível que em seu âmago Dunga não se arrependa de não ter convocado jovens valores em fase muito superior à de seus queridinhos, que em geral pouco ou nada se destacavam em seus clubes.

 

Tinha somente um bom trio de frente (com Kaká no sacrifício, haja vista que não mais jogou desde a derrota para a Holanda) e uma defesa sólida, que na verdade era o destaque do time, o que dá a exata medida da crise técnica em que nos encontramos. Agora, com Mano Menezes, a ordem é resgatar os princípios básicos do futebol brasileiro, até porque ninguém quer outro Maracanazo em 2014.

 

De resto, a Alemanha se destacou com sua seleção renovada e multi-étnica, de onde todos concordam que veio sua reabilitação no futebol, mas perdeu na semifinal. O Uruguai voltou a brilhar e chegou a uma semifinal após 40 anos, conquistando corações com sua raça dentro de campo e simpatia fora dele.

 

Foi o orgulho latino, em uma copa onde a covardia de atacar voltou a incomodar além da conta e diversas seleções jogaram abaixo de seu potencial. Ficou escancarado o genocídio que os europeus voltaram a provocar aos africanos, desta vez arrasando com sua maneira natural de jogar e implantando esquemas à européia, que têm crescentemente domesticado o talento e imprevisibilidade dos africanos.

 

Nos demais esportes, o mesmo de sempre. Em algumas modalidades em que abundam talentos, o país se mantém em alto nível, como no vôlei, tricampeão mundial este ano e maior seleção do planeta na última década. No basquete, nova decepção no mundial e a sensação de que continua muito difícil voltar aos dias gloriosos.

 

Em outros menos destacados, algumas conquistas em atletismo, judô, natação, quase sempre obra do talento e trabalho de poucos abnegados. O apoio e financiamento ao esporte profissional crescem, mas ainda há pouca transparência nas federações e principalmente no COB (Comitê Olímpico Brasileiro), dirigido praticamente como uma empresa pessoal de Carlos Arthur Nuzman.

 

Interessante foi a Petrobrás dirigir 265 milhões de reais para cinco modalidades de menor apelo e tradição (boxe, esgrima, remo, taekwondo e levantamento de peso), porém, colocando o dinheiro na mão da fundação de apoio esportivo da ex-jogadora de basquete Magic Paula, que terá a seu lado Ana Mozer, que foi da seleção de vôlei, deixando de lado o COB.

 

De toda forma, não se desenham perspectivas de mudança na atual lógica que rege o esporte e sua política. Nós, brasileiros, seremos testemunhas de um processo avassalador, que conta com toda a anuência dos governos, de modo que restará fazer o contraponto ao modelo de sucesso que será vendido ao público. E todo festejo oficial em torno de assuntos que sempre ignoraram será motivo de suspeita, ou da quase certeza de que alguma imoralidade está sendo praticada contra a população não abrangida pela Constituição, com o dinheiro de todo e qualquer contribuinte.

 

Gabriel Brito é jornalista.

 

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Última atualização em Terça, 21 de Dezembro de 2010
 

A publicação deste texto é livre, desde que citada a fonte e o endereço eletrônico da página do Correio da Cidadania




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