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A mitigação das mudanças climáticas e os ganhos para a saúde Imprimir E-mail
Escrito por Rodrigo de Oliveira Andrade e Samuel Antenor   
Qui, 09 de Dezembro de 2010
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A rede global de academias nacionais de medicina, ciências e engenharia Inter-Academy Medical Panel (IAMP), da qual faz parte a Academia Brasileira de Ciências (ABC), lançou esta semana uma declaração sobre os co-benefícios da saúde para as políticas de combate às mudanças climáticas. O documento tem como objetivo alertar os líderes mundiais que se reúnem para a COP 16 (Conference of the Parties of the United Nations Framework Convention on Climate Change) e a COM 6 (Conference of the Parties serving as the meeting of the Parties to the Kyoto Protocol), entre os dias 29 de novembro e 10 de dezembro, em Cancún, no México. O alerta é para o fato de algumas ações, além de contribuírem para a diminuição das emissões de gases de efeito estufa (GEE) e, consequentemente, reduzirem as mudanças climáticas, melhorarem a saúde humana, compensando, simultaneamente, os custos do combate às alterações climáticas. Dentre os especialistas que redigiram o documento está o brasileiro Paulo Saldiva, professor titular do Departamento de Patologia Pulmonar da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP).

 

De acordo com o documento, hoje, os efeitos adversos das mudanças climáticas sobre a saúde humana podem ser diretos ou indiretos. Dentre as principais conseqüências destas mudanças estão a ocorrência de eventos climáticos extremos, como inundações, tempestades e períodos de seca, que culminarão em um significativo aumento das doenças infecciosas, seja por contaminação de alimentos e água, como, também, pela migração e acomodação de grande número de pessoas, e das concentrações ambientais de ozônio no nível do solo. Por sua vez, esses fatores promoverão morbidade e mortalidade por doenças respiratórias e cardíacas. O documento evidencia, ainda, o fato de essas conseqüências recaírem, principalmente, sobre os países mais pobres, que são justamente aqueles com menor responsabilidade pela emissão per capita de GEE.

 

Contudo, apesar de esses fatores serem frequentemente discutidos, as estratégias para reduzir as emissões desses gases, além de levarem tempo para se manifestar, são, muitas vezes, dispersas por todo o mundo. Além disso, há uma percepção geral de que as medidas necessárias para mitigar as mudanças climáticas terão alto custo social e econômico, o que salienta o viés monetarista dos debates. A desconstrução deste conceito pauta-se, assim, em evidências científicas, provenientes de uma série de estudos realizados por uma comissão internacional de cientistas, que analisou as principais fontes de emissão de GEE em países de alta e baixa renda.

 

Em seus resultados, as análises mostraram, por exemplo, que, em relação à energia doméstica, na Índia, a substituição dos atuais fogões à lenha ou fogueiras a céu aberto por fogões de baixa emissão, e com alta eficiência na queima de biomassa, reduziria, significativamente, a emissão de vários poluentes domésticos, como as partículas de carbono elementar. Quanto ao transporte urbano, responsável por cerca de 25% das emissões globais de GEE e em fase de aumento da ascensão da demanda do transporte individual, o estudo revelou que dados obtidos para as cidades de Londres, na Inglaterra, e Nova Delhi, na Índia, indicam que ações que estimulem à mobilidade ativa, como ciclismo e a caminhada, anexadas à adoção de motores de baixa emissão, podem levar a uma redução substancial da produção de GEE e a imediatas melhorias a saúde.

 

No que diz respeito à geração de eletricidade, o documento do IAMP afirma que a adoção de tecnologias mais limpas de geração de eletricidade, junto à redução de usinas termoelétricas que utilizam carvão, ajudaria na redução da emissão de material particulado, um dos poluentes mais associados ao excesso de morbidade e mortalidade precoce decorrente de doenças. Os ganhos econômicos em saúde, neste caso, ultrapassariam, segundo o documento, os custos do emprego de tecnologias mais limpas, especialmente na China e na Índia.

 

Embora no documento não haja citação a esta questão no Brasil, pesquisas revelam que o potencial eólico brasileiro é equivalente a 25 vezes a capacidade atual de geração do país. No entanto, estudos relacionados a essa tecnologia devem considerar os determinantes sociais, ou seja, aspectos relacionados à biologia, à economia, ao meio ambiente e à cultura, para que não ocorram perdas, inclusive na saúde da população, como atesta reportagem publicada na Revista Pesquisa Fapesp em sua edição n° 177 (novembro/2010), segundo a qual, em 2009, o Ministério Público Federal denunciou diversos problemas sócio-ambientais no Ceará, como devastação de dunas, aterramento de lagoas, destruição de moradias e conflitos com comunidades de pescadores, decorrentes do planejamento inadequado de parques eólicos.

 

A partir das evidências relatadas no documento, a Inter-Academy Medical Panel espera mudar a percepção dos principais líderes mundiais em relação às discussões de diretrizes que minimizem as causas e os efeitos das mudanças climáticas. Para isso, há de ser prioridade, entre as nações, a melhoria das condições de saúde, tanto local quanto globalmente, por meio da formulação de políticas de mitigação e a união de formuladores de políticas de saúde com profissionais da saúde e a indústria com vistas à redução de emissões que resultem em benefícios à saúde.

 

Rodrigo de Oliveira Andrade e Samuel Antenor são jornalistas.

 

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Última atualização em Qui, 09 de Dezembro de 2010
 

A publicação deste texto é livre, desde que citada a fonte e o endereço eletrônico da página do Correio da Cidadania




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