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Cuba, estrela cintilante Imprimir E-mail
Escrito por Gilvander Moreira   
Segunda, 29 de Novembro de 2010
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Tive a alegria e a responsabilidade de visitar Cuba durante nove dias, em dezembro de 2006. Ao voltar da Ilha, escrevi o texto "Cuba: os desafios de um grande povo ‘ilhado’" (cf. www.gilvander.org.br/C001.htm). Hoje, dia 15 de novembro de 2010, estou divulgando um novo artigo sobre Cuba, com informações que são fruto de estudo, do que vi e ouvi em Cuba e também do que ouvi de estudantes brasileiros, membros da Via Campesina, que estão estudando em território cubano.

 

Ouço com interesse pessoas que vão a Cuba e procuro me informar o que se passa com o povo cubano, ciente de que não podemos aceitar ingenuamente a criminalização do governo cubano e do socialismo em Cuba feita pela mídia: TV Globo e Cia. Mas a história absolverá os criminalizados injustamente. Fidel Castro será um deles. A mídia, geralmente, desfila um rosário de preconceitos acerca do regime político cubano e da história da Revolução cubana.

 

Falar de Cuba, do povo cubano, do socialismo e dos grandes líderes revolucionários, tais como Fidel Castro, Che Guevara e Camilo Cienfuegos, exige muita responsabilidade de quem se arrisca, porque, para quem conhece Cuba, convive um pouco com o povo cubano e estuda a história da revolução cubana, é impossível não aprender e não reconhecer o histórico de indignação, a força e a luta por parte dos revolucionários e o grande sentimento de amor por Cuba e por seu povo por parte desses. E se torna impossível não respeitar e admirar o povo cubano e sua história.

 

Cuba é uma ilha de 110.000 km², 20% do estado de Minas Gerais, estreita e comprida, assemelhando-se a um jacaré. Com 11 milhões de habitantes é uma ilha encantada por sua beleza natural e encantadora pelo seu povo. Cristóvão Colombo, ao chegar a Cuba, em 1492, já afirmara: "Esta é a terra mais bela que olhos humanos viram".

 

Desde o início Cuba teve um histórico de luta do povo contra a opressão do imperialismo desde muitos tempos, com lutadores como o grande revolucionário José Marti na luta pela Independência. Cuba foi inicialmente uma colônia espanhola. Em 1898 foi invadida militarmente pelos Estados Unidos. A partir de então, cresceram os negócios dos norte-americanos na ilha.

 

Em dezembro de 1898 Cuba converte-se em uma nova colônia dos Estados Unidos através de um "tratado de paz" absurdo realizado pela Espanha e pelos Estados Unidos onde excluíam os cubanos. Em 1902 surge a "República" e junto dela um documento "Ementa plate" que dava total direito aos Estados Unidos de intervirem em Cuba politicamente e militarmente, de todas as formas.

 

O destino de Cuba foi profundamente marcado pela influência norte-americana tanto no plano político, mediante o apoio a partidos ou grupos, quanto no econômico. A beleza caribenha e a localização estratégica atraíram também para o local o lazer e a orgia dos ianques. Também uma chaga que gera um grande incômodo: uma base militar dos Estados Unidos em território cubano, a de Guantánamo. Essa base militar resultou das negociações para a retirada das tropas americanas na independência.

 

Anos e anos se passam e Cuba fica a mercê do poder dos EUA, mas o povo sempre se organizou e lutou contra o seu poder econômico. Em 1933 aconteceu o Golpe de Estado de Fulgêncio Batista, com seu governo ditador repressor do povo Cubano.

 

O revolucionário Fidel castro, diferente do que a mídia burguesa alardeia, surge em um momento histórico carregado de luta e de sonhos por uma pátria livre. E, principalmente, não sozinho, e sim junto com o povo que lutava com mínimas condições objetivas e subjetivas, o que era possível na época, e de forma popular. O processo revolucionário foi uma construção coletiva.

 

Só existiu o triunfo da Revolução porque o povo estava junto, participando. Fidel, com indignação, coerência e amor por seu país, junto com o povo cubano, nunca desistiu de Cuba e continuou o projeto de libertação iniciado por José Marti. Um grupo de revolucionários realizou no dia 26 de julho de 1953 um assalto ao Quartel Moncada, situado na Província de Santiago de Cuba - na época era a segunda maior força militar de Cuba - como estratégia para conseguir armas e iniciar a Revolução. Houve um erro tático e foram derrotados pelos soldados do ditador Fulgêncio Batista.

 

Neste contexto, muitos revolucionários foram assassinados, presos e torturados. Fidel Castro foi torturado e, quando estava preso, pronunciou a seguinte frase: "Condenar-me não importa. A história me absolverá". Fidel, ao ver companheiros e companheiras sendo assassinados e torturados injustamente, se humanizou ainda mais; a indignação palpitou mais em seu peito e o desejo pela Revolução cubana se fortaleceu muito mais como seu projeto de vida. No momento em que estava preso, Fidel estudou muito, inclusive ‘O Capital’, de Marx. Produziu o documento "A História me absolverá", documento esse que o mesmo usou para se defender em seu julgamento e que mais tarde, com o triunfo, virou plano de governo da Revolução Cubana. Fidel, ao ser solto, foi exilado para o México, mas não desistiu do seu povo. No México, começou a organizar pessoas que tinham a revolução como projeto de vida, e começaram a se preparar para regressarem a Cuba e começarem o processo da revolução.

 

Segundo a História, quando se reuniram para subir a Sierra Maestra, tinham somente quatro armas e disseram: "estamos prontos para iniciarmos a Revolução". Estavam encharcados de coragem, mas com pouca comida. Em um dos combates que durou vinte dias, o exército rebelde comeu somente nove vezes. Esta informação está escrita no livro de Che Guevara "Passagem da Guerra revolucionária". Com pouca estrutura, mas com muita vontade e muita convicção do que buscavam, o grupo de guerrilheiras e guerrilheiros do exército rebelde na Sierra Maestra iniciou um marco da história que culminou no triunfo da Revolução Cubana e na libertação do povo cubano. Fidel Castro é um dos comandantes que lutou junto com seus companheiros e venceu.

 

Em toda a história da Revolução cubana está presente o compromisso, a coerência, o amor e a força dos revolucionários. Não se pode negar essa história e o povo cubano sabe da sua história, respeita e a vive todos os dias. Não podemos aceitar ingenuamente a criminalização do governo cubano e do socialismo por parte da mídia de turistas da sociedade capitalista, que não aceitam a liberdade do povo cubano de viverem o socialismo. O povo cubano ama a Revolução, reconhece os limites materiais hoje existentes em Cuba, mas quer continuar a viver no socialismo. "Capitalismo, jamais!", dizem todos.

 

A Revolução pensa cada detalhe para as pessoas, que vai desde as questões mais complexas de como manter a produção de alimentos no país, como sobreviver com o bloqueio econômico imposto pelos Estados Unidos, até o sagrado direito de tomar um sorvete gostoso por um preço acessível a todos na Sorveteria Popular Copélia, no centro de Havana. Essa Sorveteria Copélia foi um projeto da guerrilheira Haidee Santa Maria, que adorava sorvete. Na Sierra Maestra tinham pouca comida, mas Haidee almejava que com a Revolução todos os cubanos teriam o direito ao prazer de tomar sorvete. Hoje, em todos os municípios de Cuba existe uma sorveteria popular para os cidadãos.

 

A Revolução mudou a vida das pessoas, fez reforma agrária, erradicou o analfabetismo, distribuiu as riquezas etc. Após viver 15 anos no capitalismo antes da revolução, o camponês Sr. Vicente Guillen Granado disse: "Na época do capitalismo em Cuba, eu não era gente; eu era um miserável. Hoje, no socialismo, sou gente; tenho dignidade e um governo que zela por mim e por meu povo. Nunca mais quero ter a experiência de viver no capitalismo". Os cubanos sabem a diferença entre viver em uma sociedade socialista e viver numa sociedade capitalista. Como o próprio Sr. Vicente disse: "O socialismo em Cuba nunca vai acabar, porque o povo cubano não quer, porque aqui quem tem o poder é o povo e o que prevalece é a vontade do proletariado".

 

Então, diferentemente do que a mídia trombeteia, os cubanos são felizes com o socialismo e sabem da importância da Revolução. Sabem que o poder está nas mãos do povo. E o socialismo em Cuba ainda existe e está firme não porque uma pessoa governa, e sim porque o povo governa.

 

Antes de emitir qualquer opinião sobre Cuba é importante entender a história do povo cubano e da Revolução, e acredito ser relevante ter em mente alguns aspectos fundamentais: o primeiro, a localização estratégica da Ilha, que fica a apenas 150 milhas do maior império da atualidade. Esta é a distância que separa Cuba do estado da Flórida nos Estados Unidos. O segundo aspecto é o fato de o país ter sofrido, e continuar sofrendo, ao longo de sua história, permanentes tentativas de invasão, exatamente em vista de sua posição estratégica na entrada do golfo do México. E terceiro, o bloqueio dos Estados Unidos a Cuba é injusto e covarde, pois dificulta a vida de todos os cubanos. Mas o povo cubano sabe que não é o bloqueio que vai destruir o socialismo, e já mostraram isso para o mundo e para o imperialismo. Pelo contrário, viver com o bloqueio cada dia mais unifica as pessoas, fortalece a solidariedade entre o povo. Os cubanos sabem que mesmo com as dificuldades que o bloqueio proporciona, não existe nenhum cubano analfabeto, as pessoas têm acesso à comida, à educação, à medicina, à cultura, ao esporte etc.

 

Na chegada a Havana, capital de Cuba, já é possível sentir a diferença de se estar em um Estado socialista. Do aeroporto José Marti ao centro da capital há um percurso de aproximadamente 30 quilômetros. Neste trajeto somos presenteados com uma delicada e bem cuidada paisagem, onde não há sequer uma propaganda comercial. Nas ruas de Havana, ocorre o mesmo, nenhum outdoor que estimule o consumo. Só podem ser vistas, e poucas, as propagandas do regime socialista. Lembro-me de algumas: "Neste momento mais de 2 milhões de crianças estão passando fome nas ruas do mundo, nenhuma delas é cubana"; "Pela vida. Não ao bloqueio econômico dos Estados Unidos"; "Che Guevara, teu exemplo é uma luz na nossa marcha socialista"; "Em Cuba, 100% das crianças estão na escola". É obrigatório estudar. Se uma criança é pega na rua em horário de aula, a polícia leva a criança em casa e os pais têm que ir à delegacia dar satisfação. A Educação não é responsabilidade somente dos pais, mas também do Estado. Por lei todos têm que estudar. Não se vêem crianças nas ruas sozinhas, sem os pais, pedindo esmola, vendendo balas, se prostituindo.

 

Em Cuba, na Escola Latino-Americana de Ciências Médicas - ELAM –, criada em 1999, milhares de jovens latino-americanos já se formaram em Medicina. O Estado cubano custeia tudo: além dos professores e da manutenção da universidade, oferece hospedagem, alimentação, livros, cadernos e ainda dá uma ajuda de custo mensal. Os livros usados são devolvidos ao final de cada ano para que outros estudantes possam estudar neles. É interessante registrar: enquanto nos Estados Unidos gastam-se 350 mil dólares para formar um médico, em Cuba 120 mil dólares são suficientes.

 

Há milhares de estudantes estrangeiros em Cuba, na graduação e na pós-graduação. Só do Brasil são mais de mil jovens, mais de 200 dos quais enviados pelo MST para medicina e outros cursos. Dezenas, já formados.

 

Após a Revolução em 1959, muitos cubanos - latifundiários, banqueiros e empresários - migraram para os EUA por discordar do regime, e são, ainda nos dias atuais, manipulados e financiados pelo governo estadunidense com o intuito de derrubar o regime socialista de Cuba. Hoje, incluindo os descendentes, há mais de um milhão de cubanos que vivem naquele país. A grande maioria colabora efetivamente para a economia cubana enviando mensalmente dólares para os parentes que moram na ilha. Uma minoria, conhecida como a máfia cubana de Miami, que perdeu dinheiro e poder após a Revolução de 1959, conspira o tempo inteiro contra a política socialista. Essa pressão de uma minoria cubana interessa à política imperialista dos Estados Unidos, que usa de tais artifícios para isolar o último país de resistência socialista existente no planeta.

 

Basta ver que quando um estrangeiro chega clandestinamente aos Estados Unidos é imediatamente mandado de volta ao seu país. Os cubanos são a exceção. Para incentivar a saída de Cuba, o governo dos Estados Unidos acolhe como cidadãos os cubanos que chegam ao seu território. Ou seja, os únicos estrangeiros que têm visto de permanência incondicional nos Estados Unidos são os originários de Cuba.

 

O bloqueio dos Estados Unidos a Cuba consiste na proibição do comércio dos produtos cubanos nos Estados Unidos e a venda de qualquer produto norte-americano a Cuba. Além, é claro, da proibição do uso de tecnologia desenvolvida nos Estados Unidos. Não existe relação diplomática e comercial entre os dois países. Isso gera enormes dificuldades à economia cubana devido ao custo do transporte, que é acrescido a todos os produtos que vêm de países bem mais distantes, como os países europeus, o Canadá ou China. Cuba tem de pagar sobretaxas para importar produtos norte-americanos de outros países.

 

Deste modo, a única forma de o governo cubano sobreviver ao bloqueio é usar de muita criatividade. Mas ocorre um verdadeiro milagre: Cuba conta irrestritamente com o apoio de um povo educado (mais de 34% dos cubanos têm, no mínimo, um curso universitário) e que conhece muito bem a sua história. O governo cubano é tão fiel ao seu povo e facilita em tudo a vida de todos. Eis um exemplo: muitos produtos vendidos em Cuba e no Brasil têm o mesmo preço em Cuba e no Brasil, porém Cuba compra os mesmos produtos muito mais caros do que o Brasil por causa do Bloqueio. Se empresas que atuam no Brasil compram por um preço muito mais barato, poderiam vender para os consumidores por um preço menor. Logo, o povo brasileiro é mais explorado. Em Cuba, o povo não é explorado. Outro exemplo muito importante é na alimentação. Um camponês vende um ovo de galinha a 2,00 pesos para o Estado e o Estado vende o mesmo ovo nas tendas estatais para as pessoas por 0,20 centavos. O camponês vende 1 litro de leite para o Estado a 2,5 pesos e o Estado vende nas tendas a 0,20 centavos. Isso é incrível. Um país que sofre com o bloqueio consegue garantir qualidade de vida para os camponeses que vivem no campo, valorizando o seu produto, com venda garantida dos alimentos para o Estado, incentivando a agricultura na produção de alimentos e repassando os alimentos a baixo custo para a população. Essa é uma estratégia para superar os malefícios do bloqueio.

 

Dessa forma os camponeses se motivam a continuar no campo e produzirem alimentos. E o mais importante: alimentos saudáveis sem uso de agrotóxicos. Cuba vem trabalhando e mostrando na prática que é possível produzir alimentos agroecológicos de forma sustentável. Diferentemente do Brasil, que a cada dia fortalece o agronegócio, a concentração da terra, a intensificação dos monocultivos transforma o país num grande lixão das transnacionais, com uso abusivo de agrotóxicos, poluindo os alimentos da população, o solo e as águas. Não é por acaso que o Brasil é o maior consumidor de agrotóxicos do mundo: 713 milhões de litros por ano, 3,5 quilos para cada pessoa, em média.

 

Na conjuntura atual, Cuba tem como estratégia principal garantir a soberania alimentar, dependendo o mínimo de alimentos importados. Cuba hoje exporta café, açúcar, tabaco, cacau e outros produtos. E importa em grande quantidade, por exemplo, arroz e leite em pó. Em cima da frase dita pelo comandante Fidel de que "o dever patriótico número um do campesinato cubano é produzir para o povo", está sendo feita uma campanha nacional, traçando linhas políticas de incentivo à agricultura para a produção de alimentos. Com a elaboração da lei 259 - "Entrega de terras em usufruto", de 11 de julho de 2008, segundo a qual o Estado repassa terras que estão ociosas para as pessoas que querem trabalhar na agricultura com o compromisso de produzirem alimentos. Desde o surgimento desta lei, mais de 100 mil famílias já voltaram ao campo para a produção de alimentos. O que mostra que a produção só vem aumentando. E o governo supervaloriza o preço dos alimentos. O que garante a permanência dos agricultores no campo.

 

O Estado, através da ANAP (Associação Nacional de Agricultores Pequenos), presente em todas as Províncias de Cuba, garante a compra de 80% da produção dos camponeses, ficando 20% para consumo da família produtora. E o camponês que quiser vende seus 20% nas feiras, na beira das estradas ou em casa. Para se ter idéia, as pessoas que mais têm poder de ingresso de dinheiro em Cuba são os camponeses. Onde já se viu isso em um país capitalista! É lindo ver a alegria e a satisfação dos camponeses na lida com a terra. Eles têm convicção da sua importância para o país. Orgulham-se de ser camponeses. A meta do governo cubano é não precisar importar nenhum alimento. Há planejamento da produção de alimentos. A demanda é distribuída por região. São informados aos camponeses os alimentos de que o Estado precisa. Os agricultores plantam levando em consideração a demanda da região e do país. Por exemplo, se em uma determinada região há potencial para a produção de milho, arroz e feijão, com certeza essa região potencializa suas forças na produção de tais alimentos, e assim vai se fazendo o planejamento e garantindo uma agricultura diversificada, cumprindo as metas. Os camponeses têm a tarefa de produzir. O transporte e a comercialização são por conta do Estado. Os caminhões do Estado buscam a produção nas propriedades. Os camponeses têm assistência técnica garantida pelo Estado. Cuba, somente em 2009, formou mais de cinco mil agrônomos. Todos os meios de produção são garantidos, como ferramentas, sementes etc.

 

O presidente Raul Castro convocou toda a juventude para vir ao campo contribuir na produção de alimentos. É uma realidade bonita de se ver. Jovens que até trancam suas matrículas na Universidade para prestar ajuda ao Estado, ao seu país; professores universitários que prestam trabalho solidário no campo na produção de alimentos. Em Cuba existe uma solidariedade que contagia as pessoas, o que é um processo de humanização muito grande. Todos os cubanos, desde as crianças até os idosos, sabem do problema que é o bloqueio dos EUA, existe uma consciência fantástica por parte das pessoas. E todos contribuem como podem.

 

Em Havana, vê-se um grande número de pessoas pegando carona e muitos motoristas oferecendo carona, especialmente nos horários de pico. Cerca de 80% dos automóveis são estatais e são orientados a dar carona. Os carros particulares, que são poucos, também cultivam a prática de dar carona. É muito difícil ver uma pessoa sozinha em um automóvel. Normalmente andam duas, três ou quatro pessoas no mesmo automóvel, inclusive nos táxis. Dar e receber carona é um valor socialista e faz parte da cultura, é o normal. Muita gente vai trabalhar e volta sem ter que pagar pelo transporte. Não existe o menor receio de violência como seria de se esperar no Brasil. Além de ser também uma forma bastante inteligente de economizar energia. O petróleo é muito oneroso para o governo cubano. Assim, o povo cubano vai driblando o bloqueio norte-americano.

 

Faz bem considerar o que nos diz Haroldo Brasil, no artigo "Flashes de Cuba" (Jornal Estado de Minas, 31/05/2010):

 

"Quem buscar conhecer por dentro como vive o povo cubano, sua geografia e sua cultura, ao ir a Cuba, deve se hospedar em casas de família. Lá existe, com a autorização do governo, uma rede de casas de família, divididas em pequenos apartamentos, que podem ser alugados a visitantes, preservando uma área para uso próprio. Há sempre a opção de café da manhã e jantar, que são cobrados à parte. É possível assim um melhor conhecimento da intimidade das famílias, através do papo agradável e aberto que foi possível manter com os moradores locais. A exceção acontece em Varadero, praia no norte da ilha, que só recebe turistas, em hotéis, com uso de mão-de-obra cubana.

 

Quem vai a Cuba vê com os próprios olhos um sistema educacional de ótima qualidade em todos os níveis, saúde pública para todos os cidadãos, nível de renda equalizado, segurança pública total, sem policiamento ostensivo, com criminalidade próxima de zero e sem o clássico problema das drogas de nossas sociedades capitalistas. Além disso, o cuidado com o meio ambiente transparece em todos os locais que visitamos. No que diz respeito à educação das crianças e adolescentes, há escolas em quase todos os quarteirões das cidades em tempo integral, com espaço para brincadeiras e esportes. A constituição de Cuba é enfática: ‘O único privilégio que admitimos nesse país é com relação ao tratamento que daremos às nossas crianças’.

 

O bloqueio norte-americano causa muitos danos ao povo cubano. Carência de matérias primas essenciais como papel, tintas, peças sobressalentes para veículos etc. Quem volta de Cuba para o Brasil, no avião, que faz conexão no Panamá, sente um grande contraste quando se observam os brasileiros vindos de Aruba, Cancun, Miami, Nova Iorque, carregando imensas malas com quinquilharias inúteis e despejando um papo furado sobre suas inúteis aventuras consumistas".

 

Conhecer Cuba e poder conviver com o povo cubano é um verdadeiro processo de humanização, é entender que precisamos de muito pouco para ser felizes. E que é possível viver em uma sociedade onde a competitividade e a acumulação de bens não são o mais importante; a vida das pessoas está acima de qualquer coisa. Em Cuba o ser das pessoas é mais importante do que o ter.

 

Os cubanos sabem o que é o socialismo, o quanto foi difícil conquistá-lo e que é este regime que querem que permaneça em Cuba. Também sabem o quanto o governo faz por eles e com eles. Cuba incomoda os capitalistas, pois, mesmo pequena como Davi, nos dá exemplo de que, ainda que sofrendo todo tipo de pressão, segue firme vencendo todos os obstáculos. Os imperialistas já sabem que não conseguirão destruir o socialismo de Cuba, porque Cuba, junto com Fidel, com seu povo, não é governada por uma ditadura, mas sim pelo poder popular. Se existe alguma ditadura em Cuba é a ditadura do proletariado, dos trabalhadores, da classe trabalhadora, do povo. Assim, Cuba, como uma estrela cintilante, resiste sendo exemplo de que uma sociedade livre é possível. Ser livre é difícil, mas possível, nos ensina o povo cubano.

 

Gilvander Moreira é frei e padre carmelita; mestre em Exegese Bíblica; professor de Teologia Bíblica; assessor da CPT – Comissão Pastoral da Terra, de CEBs – Comunidades Eclesiais de Base , do SAB – Serviço de Animação Bíblica e da Via Campesina; E-mail: gilvander(0)igrejadocarmo.com.br Página na Web e Twitter: http://www.gilvander.org.br/www.twitter.com/gilvanderluis

 

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Última atualização em Qui, 02 de Dezembro de 2010
 

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