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O Haiti e os Meios de Comunicação Imprimir E-mail
Escrito por Murilo Salviano   
Terça, 16 de Novembro de 2010
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Da mesma forma que o poderio bélico é capaz de dominar uma nação, os meios de comunicação também podem ser utilizados como armamentos de guerra. Hitler, por exemplo, investiu na propaganda de massa como uma tática para despertar o nacionalismo nos alemães e fazer a manutenção da política nazista por meio do jogo de idéias.

 

Um dos maiores episódios que ilustram a capacidade de convencimento dos meios de comunicação aconteceu na década de 1930. Orson Welles, radialista da Columbia Broadcasting System (CBS), introduziu a peça "A Guerra dos Mundos" logo após a leitura da previsão do tempo e não a anunciou previamente como uma obra de ficção. Os efeitos dessa transmissão logo chegaram aos estúdios da CBS: a população alarmada fugia de suas casas e buscava ajuda no corpo de bombeiros, em postos policiais e hospitais.

 

Após o terremoto de 2009 que deixou o Haiti em ruínas, o país teve de enfrentar as lentes da imprensa internacional. Jornais, televisões e agências de notícias do mundo inteiro registravam a dor daquele povo. A única miséria que a imprensa não aceitava naquele momento era a de imagens. Cadáveres nas ruas, choros e gritos formavam o cenário da tragédia natural. Nesse mesmo período, o número de ONGs que passaram a atuar no local apresentou um salto para a marca dos 3000, de acordo com o United State Institute of Peace.

 

Ainda hoje, pessoas do mundo inteiro continuam a se reunir em território haitiano para oferecer ajuda humanitária. A estudante universitária Bárbara Cruz trabalhou na área de comunicação da ONG Action Aid, em setembro deste ano. Ela conta que era orientada a nunca sair do escritório para fotografar sozinha, pois parte da população tem reagido quando percebe que está sendo fotografada. De acordo com a organização, os haitianos se sentem muito injustiçados pela maneira como a imprensa internacional noticiou o desastre no país, principalmente durante os episódios dos saques aos supermercados, quando foram tratados como bandidos.

 

A estudante afirma que encontrou muitas rádios-poste espalhadas pelos acampamentos dos desabrigados. Segundo dados oficiais do governo, existem mais de 290 veículos de comunicação no país, sendo que quase 90% deles são rádios. De acordo com Sony Estéus, coordenador do SAKS, um grupo de apoio às rádios comunitárias no Haiti, isso se deve à combinação de dois fatores: a alta taxa de analfabetismo da população e a deficiente infraestrutura energética. Como o rádio simula a comunicação oral, o meio é facilmente compreendido pela grande massa desinstruída.

 

E é na comunicação em que reside um dos maiores desafios à nação do Haiti: a construção de uma imprensa livre e compromissada com a população local. Segundo Zélia Leal Adghirni, chefe do departamento de jornalismo da Universidade de Brasília (UnB), a dominação da imprensa internacional sobre a haitiana pode ocasionar sérios problemas na identidade nacional da população daquela ilha. Zélia garante ser perigoso o fato de os haitianos se informarem sobre seu próprio país unicamente por meio da impressão de estrangeiros.

 

Tiago Quiroga, professor de teorias da comunicação da UnB, afirma que no processo de construção de um país é fundamental que a informação alcance o máximo de sua imparcialidade e que haja uma mídia que trate a informação como um direito do cidadão, não apenas como uma mercadoria. "As ONGs podem atenuar esse processo de construção da notícia, mas dependerá de como elas farão a leitura ideológica do país."

 

Os meios e a construção social

 

As teorias do pesquisador Harold Adams Innis mostram que os meios de comunicação, mais que meros canais de transporte de informação entre dois ou mais lugares, são formadores de ambientes e que o controle desses meios é uma forma de exercer o poder político e social.

 

Para o pesquisador americano Joshua Meyrowitz, a identidade social não reside nas pessoas, mas em uma malha de relações sociais. Nesse sentido, o comportamento cotidiano é suscetível a mudanças pela ação de novos meios de comunicação. Para Meyrowitz, as diferenças de conduta, identidade e status são criadas e apoiadas pela separação das pessoas em distintos mundos de informação.

 

O teórico francês Dominique Wolton acredita que a invasão da imprensa no Haiti é atrelada ao movimento de concorrência empresarial e que deve existir uma limitação aos veículos de comunicação. "Isso é grave e foi também o caso com os mineiros do Chile que acabou bem. No Haiti foi trágico. Era um espetáculo de qualquer coisa. Isso se tornou um câncer para o mundo e temos que resolver por meio de políticas públicas."

 

Os "donos" da comunicação

 

No Haiti há o predomínio de quatro tipos de meios: os comerciais, os religiosos, os oficiais e os comunitários. Os meios de comunicação da MINUSTAH, a Missão das Nações Unidas para a Estabilização do Haiti, também podem estar incluídos nessa disputa, já que as informações transmitidas por eles circundam os interesses militares e alcançam a população.

 

O Coronel Silva Filho, um dos responsáveis pelo Centro de Comunicação Social do Exército (CCOMSEx), esteve presente nas Forças de Paz enviadas pelo Brasil durante o primeiro semestre deste ano. Ele afirma que o exército brasileiro não interfere no fluxo informacional oferecido para a população: "Não estamos ali para dar notícias, mas para garantir a segurança e a ordem daquele ambiente".

 

Perspectivas

 

Dominique Wolton acredita que a população haitiana, no momento em que se reerguer, reagirá a essa espetacularização e por ter sido transformada em um parque zoológico de observação.

 

A jornalista Zélia Adghirni afirma ter muita esperança no trabalho das pequenas organizações e no uso da Internet para reverter o quadro no Haiti. No mesmo sentido estão as teorias de Harold Innis que analisam que os monopólios de informação podem ser desarticulados através da introdução de novos meios.

 

A dominação dos meios de comunicação ainda representa um risco ao desenvolvimento social do Haiti. Enquanto o direito à comunicação não for respeitado, o povo haitiano continuará sob forte dependência internacional e sendo a estrela principal do reality-show de horrores produzido pelos noticiários. Se o objetivo da ONU é garantir a reconstrução do país e a manutenção de sua identidade, que comece por um dos seus direitos básicos.

 

Murilo Salviano é jornalista.

 

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Última atualização em Sexta, 19 de Novembro de 2010
 

A publicação deste texto é livre, desde que citada a fonte e o endereço eletrônico da página do Correio da Cidadania




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