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Obama derrotou Obama Imprimir E-mail
Escrito por Luiz Eça   
Quarta, 10 de Novembro de 2010
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Diante da derrota eleitoral de 2 de novembro, todo mundo reconhece que Barack Obama sofreu os efeitos de uma crise que ele não criou. Os grandes culpados são, sem dúvida, seus antecessores, Clinton e Bush, "que deixaram os touros de Wall Street avançarem selvagemmente na vida das pessoas comuns" (Robert Scheer, no Truthdig).

 

Aparentemente, o povo americano não se deu conta da cumplicidade do Partido Republicano, que deu todo apoio à desregulamentação radical da indústria financeira responsável pela crise. Tanto é que o premiou com a vitória.

 

O que se discute é se Obama poderia lidar melhor com a situação e assim, talvez, tirar dos seus ombros o peso negativo da crise.

 

O respeitado economista Paul Krugman sustenta no New York Times de 24 de outubro que Obama colaborou para criar uma imagem negativa de sua atuação e, por extensão, do Partido Democrata. Diz ele que o presidente e seus economistas ignoraram as lições da História, segundo as quais, depois de uma grave crise econômica, segue-se fatalmente um longo período de desemprego crescente. E garantiram ao povo que o desemprego bateria nos 9% e, em seguida, cairia rapidamente, alimentando assim falsas esperanças.

 

Krugman foi além: "A América precisava de um programa muito mais forte do que um modesto aumento nos gastos federais... A inadequação do estímulo era óbvia desde o início".

 

É certo, porém, que o plano econômico de Obama conseguiu alguns resultados. Estima-se que sem ele o desemprego no mês passado alcançaria 12%. Além disso, enquanto o déficit no último orçamento de Bush era de 1,465 trilhão de dólares, no primeiro orçamento de Obama caiu para 1,29 trilhão.

 

Mas não deu para o povo americano perceber esses detalhes em um quadro geral catastrófico: o desemprego chegou aos 9% e não parou de crescer. Em setembro foi para 9,6%, permanecendo nesse patamar em outubro. O nível de endividamento da população manteve-se muito alto. E as desapropriações, embora em número decrescente, não deixaram de alcançar cifras pesadas.

 

Como Obama dispunha da maior credibilidade, seu otimismo tinha dado esperanças às pessoas. Quando sentiram que as promessas do governo não estavam se concretizando, o desencanto foi enorme, gerando uma reação profundamente negativa.

 

Obama passou de herói a vilão. Um presidente sem competência para lidar com situações adversas. Perdendo a confiança no seu líder, os americanos voltaram-se para a única opção de que dispunham: os republicanos, que vinham constantemente denunciando os presumíveis erros do governo.

 

Isso aconteceu até com os eleitores independentes. Eles eram fundamentais para o Partido Democrata. Nas eleições de 2006, a maioria dos independentes optou por Obama em um score de 57% a 39%.

 

Agora, esses números se inverteram: os republicanos ganharam por 55 % x 39%. Os democratas também perderam os jovens (18-29 anos), um segmento fundamental, não só por seus votos, mas também pela sua capacidade de mobilização. Normalmente, nas eleições, os índices de abstenções deste público são muito altos, traduzindo seu desinteresse e desânimo diante da política.

 

A mensagem de mudança de Barack Obama mudou essa situação. Empolgados, eles fizeram mais do que votar. Era de jovens a maioria das 13 milhões de pessoas que militaram ativamente na campanha eleitoral de Obama, em 2008.

 

E eles foram às urnas em grande número, apresentando um comparecimento recorde para os EUA (51,1% - Instituto de Políticas de Harvard), sendo que quase o dobro optou pelo candidato democrata - 60% contra 38%.

 

Esse segmento do público, com os sindicatos, os liberais, os esquerdistas e os moderados do Partido Democrata, acreditava na mudança que Obama prometia. Que, com ele, os EUA seriam respeitados pela justiça, e não temidos pela força. E que os direitos humanos - esquecidos por Bush – seriam firmemente promovidos no país e no mundo.

 

As primeiras decepções começaram antes mesmo de Obama tomar posse, quando ele anunciou seus principais auxiliares. Talvez querendo formar uma "base aliada" que garantisse a aprovação dos seus projetos, o presidente nomeou pessoas das mais diversas orientações políticas (com exceção dos liberais de esquerda).

 

Para as áreas que cuidariam da política externa, Obama escolheu nada menos do que 20 notórios "falcões".

 

Robert Gates, ex-secretário da Defesa de Bush, continuou no cargo; Hillary Clinton foi para o Departamento de Estado; o general James Jones, para a assessoria especial de Relações Exteriores. Pelo passado desse trio, a política externa dos EUA dificilmente iria mudar. Na verdade, mudou num ponto: na retórica.

 

Havia uma perfeita divisão de trabalho entre Obama e seus auxiliares. A ele, cabiam as belas palavras; a eles, as ações duras. Obama fez um histórico discurso no Cairo, prometendo uma nova era no relacionamento EUA-Árabes, na qual o presidente garantia um Estado aos palestinos e amizade, baseada na justiça, a todos os povos islâmicos.

 

E, de fato, passou a exigir que o primeiro ministro Netanyahu interrompesse os assentamentos israelenses na Cisjordânia como primeiro passo para uma negociação de paz baseada na idéia dos dois Estados.

 

Talvez para agradar aos israelenses e convencê-los a abrandarem suas posições, os EUA condenaram o relatório Goldstone, que acusou o exército de Tel-aviv de crimes de guerra no ataque a Gaza; sabotaram a realização de um inquérito da ONU sobre o assunto; passaram panos quentes no massacre do navio que levava socorro humanitário a Gaza; ignoraram o assassinato de líder palestino pelo Mossad em Dubai; impediram que a ONU tomasse atitudes mais fortes contra o bloqueio de Gaza por Israel, entre outras ações e omissões.

 

Nada feito, Netanyahu, no máximo, aceitou uma interrupção parcial e por 10 meses dos assentamentos, saudada por Obama como uma grande contribuição à paz. Findo o prazo, por mais que Obama pedisse, o líder israelense recusou-se a prolongá-lo. Diante disso, os árabes não voltaram à mesa das negociações.

 

E tudo continua como antes. Algo semelhante aconteceu no front do Irã. Obama proferiu lindos discursos, estendendo suas mãos para os aiatolás. Proclamou que estava aberto às negociações. Mas nada fez de concreto.

 

Hillary fez: proferiu uma sucessão de ameaças, inclusive o famoso "todas as opções estão sobre a mesa".

 

Quando a Turquia e o Brasil conseguiram um primeiro acordo para resolver a questão atômica, os EUA simplesmente o rejeitaram, ao mesmo tempo em que apressavam a ONU para bombardear Teerã com novas sanções. Mais uma vez, nada de mudanças.

 

Aparentemente, elas aconteceram no Iraque. Afinal, as tropas americanas se retiraram, 19 meses depois da posse de Obama.

 

Retiraram-se? Em termos, pois permaneceram 50 mil soldados. É ridícula a explicação de que lá estão para treinar as tropas iraquianas e garantir a democracia do país.

 

Democracia, pero no mucho... Os últimos documentos revelados pelo Wikkileaks revelam barbaridades cometidas pelo exército iraquiano contra prisioneiros, sob olhares indiferentes de soldados americanos. Os quais, aliás, estariam cumprindo ordens de "fechar os olhos", que partiram dos altos escalões das forças armadas.

 

O triste é que o governo americano não está investigando esses graves fatos. Prefere fazer outra coisa. Julian Assange, o responsável pelo Wikileaks, informa: "Washington realiza uma investigação agressiva sobre nossa organização, com ameaças públicas, e pediram para destruirmos todos os documentos que temos, o que não aceitamos". Bush não faria diferente.

 

No Afeganistão, porém, Obama vai além de Bush. Por sua ordem, o número de bombardeios sobre a região fronteiriça do Paquistão com aviões sem piloto é muito maior do que o realizado na administração anterior.

 

Muito mais talibãs estão sendo mortos. E muito mais camponeses afegãos inocentes morrem com eles, pois os "bombardeios cirúrgicos" costumam deixar muitas vítimas num grande raio ao redor do alvo.

 

Para completar o rol das decepções, entramos na área dos Direitos Humanos. Aqui houve uma mudança: Obama proibiu terminantemente as torturas, inclusive o "waterboarding", tão em moda na era Bush. É verdade que se nega a processar aqueles que usaram esses métodos antes de sua posse, embora já fossem proibidos pelas leis americanas.

 

Animou bastante os liberais e os jovens quando declarou que cumpriria sua promessa de fechar Guantánamo em um ano. Infelizmente, por pressão militar, voltou atrás. Alegou que muitos dos prisioneiros, "sabidamente culpados", poderiam ser absolvidos na justiça civil e assim voltariam ao sinistro mundo terrorista.

 

É um interessante conceito de justiça. As autoridades de segurança podem decidir que alguém é culpado de terrorismo, mesmo que não haja provas suficientes para um juiz togado condená-lo. E o réu permanece preso ad aeternum.

 

Diante de tantas mudanças prometidas e fracassadas, Barack Obama foi interpelado por um jovem admirador desiludido. Ele respondeu que dois anos era pouco para mudar tudo. Tinha conseguido alguma coisa, a reforma da saúde, por exemplo. Seria preciso dar mais tempo para realizar o que faltava. Mas os jovens não deram.

 

Pesquisa do Instituto de Política de Harvard, realizada poucos dias antes da eleição, revelou que menos de três em cada 10 americanos na faixa de 18 a 29 anos afirmaram que iriam votar com certeza. O Partido Republicano foi o mais votado por eles: 54% x 43%.

 

Sem os independentes e sem os jovens, os democratas não tinham como vencer. Discute-se se Obama poderia ser mais eficaz no combate à crise, realizando mais mudanças em áreas chaves como política externa e direitos humanos.

 

O fato é que, nas vezes em que tentou enfrentar o "establishment, cedeu muito rapidamente.

 

E, se ficou muito aquém do que se esperava quando tinha maioria nas duas casas do Congresso, o que fará agora que não tem mais?

 

Luiz Eça é jornalista.

 

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Última atualização em Terça, 16 de Novembro de 2010
 

A publicação deste texto é livre, desde que citada a fonte e o endereço eletrônico da página do Correio da Cidadania




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