A extrema-direita

 

É muito grave o cenário político que se apresenta nos Estados Unidos. Ali, toma corpo uma extrema-direita representada pelo movimento Tea Party, que chega a considerar Barack Obama um político de extrema-esquerda, chamando-o de bolchevique.

 

Imaginem só o nível de irracionalidade dessa extrema-direita. Irracionalidade semelhante foi o nazi-fascismo e suas extravagâncias conceituais e políticas. Diante do quadro de crise que atravessam os Estados Unidos, não surge um movimento de esquerda de caráter anticapitalista, mas, sim, uma extrema-direita, como foi dito.

 

Esse episódio nos leva a fazer uma reflexão. A Terceira Internacional, burocratizada, abandonou as massas populares, o proletariado norte-americano, à sua própria sorte e a burguesia logrou impor no seio das massas o mais profundo anti-socialismo.

 

Porém, não foi só a Terceira Internacional que procedeu com tamanho descaso diante das massas trabalhadoras norte-americanas. O sr. Fidel Castro, dirigente da vitoriosa Revolução Cubana, limitou-se a proferir desaforos ao imperialismo ianque e se esqueceu de se dirigir aos trabalhadores, aos imigrantes, aos negros, enfim, aos explorados e oprimidos daquele país.

 

Salta-nos aos olhos que o marxismo foi posto totalmente de lado quando o princípio da luta de classes foi colocado para debaixo do tapete, uma vez que o stalinismo substituiu esse princípio basilar pela divisão do mundo entre nações opressoras e nações oprimidas.

 

Na esteira dessa absurda distorção, prosperou o nacionalismo e, pior ainda, um anti-imperialismo tosco, que tem norteado os partidos ditos comunistas ou socialistas. Em razão disso, vê-se a indiscutível hegemonia que hoje goza o capitalismo em escala mundial e a conseqüente redução do movimento socialista.

 

O antiamericanismo tem dado margem a que prosperem movimentos fascistas como o são a Al Qaeda, de Bin Laden; o fascismo teocrático, de Mahmmoud Ahmadinejad; o fundamentalismo desvairado da Síria e outros movimentos congêneres, que fazem a alegria dos desavisados. E isso é, simplesmente, apavorante.

 

Gilvan Rocha é presidente do Centro de Atividades e Estudos Políticos – CAEP.

Blog: http://www.gilvanrocha.blogspot.com/

 

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Comentários   

0 #1 Prova dos NoveRaymundo Araujo Filho 06-11-2010 07:36
Se a maioria das observações do Gilvan Rocha eu acho corretas, a uma conclusão final, que considero muito ruim e distorcida, quase como um ato de autocomiseração, tãopresente em Fundamentalistas, que sei não ser o caso do Gilvan Rocha.

Querer atribuir o surgimento ou presença de Bin Laden e Mahmmoud Ahmadinejad a alguma generosiddae e distorção otica da esquerda, é um pouco demais, e ainda acrescentar que a crítica desta esquerda ao Obama também contribui para o avanço do Tea Party, é um exagero.

Em primeiro lugar porque a esquerda mundial não faz a cabeça ou chega aos ouvidos de quase ninguém. E isso é fato.

Depois que, ara não abandonarmos o materialismo dialético como método de análise, precisamos colocar nesta sopa, as próprias contradições de Obama e dos EUA (aqui reprentando o capital internacional, o que ainda é verdade), como matéria prima para as mazelas mundiais e regimes fascistas-fundamentalistas.

Se não fizermos isso, acho que passamos a usar a cride internacional para ensejarmos uma disputa interna na esquerda, através de críticas sustentadas apenas nos erro dela, que são muitos, é verdade, e até estes, em certa medida, mas não como protagonista.

De mha arte, tenho afirmado que, mais do apoiar esta gente citada por Gilvan, determino minha postura em combater a possibilidade dos EUA ser donde se emana a Ordem Mundial.

Se os EA não combatem os regimes títeres da Arábia Saudita e outros parceiros, n]ão como apoiá-lo em sua crítica ao Irã, or exemplo.

Persiste em mim a tese exposta no filme Zeit Geist e no 11 de Setembro de Michael Moore que Bin Laden é um braço do Tea Party. Bin Ladem ajudou a enfraquecer a Europa, levantou Bush com o 11 de Set e o reelegeu com a desastrada mensagem de Votem em Cheyney, senão...". Reelegeram Bush.

As disputas internas na esquerda, a meu ver, devem se dar não na teoria, mas na Ação DENTRO do Movimento Popular. Ali fazemos a "prova dos nove"
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