O Ateísmo como militância social

 

Dentro do respeito às crenças individuais dos homens e das mulheres de bem, a militância ateísta é dever social inarredável para todos os que se mobilizam pela redenção da humanidade da alienação social, material e espiritual que a submerge crescentemente neste início de milênio, ameaçando a sua própria existência. Por mais subjetiva, introspectiva e sublimada que se apresente, a crença religiosa jamais nasce, se realiza e se esgota no indivíduo. Ela é fenômeno parido no mundo social, que influencia essencialmente a ação individual e coletiva.

 

Em forma mais ou menos radical, mais ou menos plena, mais ou menos consciente, a crença religiosa dissocia-se da objetividade material e social. Ela desqualifica o doloroso esforço histórico que permitiu ao ser humano superar sua origem animal e, percebendo a si e à natureza, começar a conhecer as leis imanentes ao mundo, na difícil, necessária e inconclusa luta pela harmonização da existência social.

 

A crença religiosa nega as crescentes conquistas da racionalidade, da objetividade, da materialidade, da historicidade, encobrindo-as com as espessas sombras da irracionalidade, da subjetividade, do espiritualismo. Desequilibra a difícil luta do ser humano para erguer-se sobre as pernas e moldar o mundo com as mãos, forçando-o a ajoelhar-se novamente, apequenado, temeroso, embasbacado diante do "desconhecido", sob o peso de alienação socialmente alimentada.

 

A crença religiosa droga o ser social com suas ilusões infantis de redenção conquistada através da obediência incondicional a estranho super-pai, que em muitas das mais importantes tradições espiritualistas, apesar de onisciente, onipotente e onipresente, e, assim, capaz de tudo dar aos filhos, lançou-os – no singular e no plural – em desnecessárias desassistência, miséria e tristeza.

 

É porque é!

 

A essência anti-científica da religião, que não argumenta, pois se nutre da crença incondicional no arbitrário, materializa-se na oposição visceral, mais ou menos realizada, ao maior tesouro humano, a capacidade de diálogo e de compreensão tendencial do universo. Que o digam Galileu e Giordano Bruno! Daí sua histórica intolerância, desconfiança e ojeriza para com o pensamento científico. E, verdadeiro tiro no pé, seu constante e paradoxal esforço para afirmar que a ciência seja uma crença a mais.

 

O pensamento religioso nega e aborta o ativismo e o otimismo racionalistas e materialistas, nascidos da possibilidade de compreensão, domínio e transformação do mundo social e material. Impõe visão pessimista, quietista, introspectiva e infantil do universo, essencialmente petrificado e eternizado pela materialização de transcendência, à qual o homem deve apenas submeter-se e render-se, para merecer a liberação.

 

Para tais visões, o ativismo e otimismo social são incongruências, ao não haver imperfeição social superável, já que esta última nasce da própria natureza humana, habitada pelo mal e pelo pecado, devido ao desrespeito a interdições primordiais do pai eterno – olha aí ele de novo –, origem do pecado. Pecado que exige incessante expiação e penitência, lançando o ser religioso em triste e mórbido mundo de culpa, de submissão, de punição.

 

Ativismo e otimismo sociais impensáveis para uma forma de compreender a sociedade em que não há história. Ou o que compreendemos como história se mostra ininteligível, pois regida essencialmente por determinações transcendentais paridas e concluídas à margem das práticas humanas. Realidade à qual, segundo tal visão, podemos ascender, muito limitadamente, apenas através da revelação.

 

Quando deus mata o homem

 

Na sua petrificação a-social e a-histórica, a religião cria um mundo chato, triste, deprimente, infantil, mórbido. Um universo que valoriza a paciência, a submissão, o imobilismo, o quietismo, a humildade, a transcendência, a espiritualidade etc., valores e comportamentos historicamente explorados pelos opressores, no esforço de manter o mundo imóvel, através de alienação e submissão dos oprimidos, nesta vida, é claro, pois na outra se sentarão à direita de deus-pai.

 

O ateísmo militante é necessário ao retrocesso da alienação, enormemente crescente em tempos de vitória da contra-revolução neoliberal. Ele impõe-se na luta por um mundo mais rico, mais pleno, mais livre, mais fraterno, em que o homem seja o amigo, não o lobo do homem. É imprescindível ao esforço de superação da miséria, da tristeza e da dor, materiais e espirituais, nos limites férreos da natureza humana historicamente determinada.

 

O ateísmo militante é democrático, pois tem como essencial meio de pregação a conscientização, individual e coletiva, da necessidade de assentar as práticas sociais nos valores da humanidade, da racionalidade, da liberdade, da solidariedade, da igualdade. Pregação racionalista e materialista que compreende que a superação da alienação espiritual será materializada plenamente apenas através da superação da alienação social e material.

 

O que exige intransigente luta política, cultural e ideológica pela defesa dos maltratados valores do laicismo, única base possível para convivência social mínima por sobre crenças religiosas, étnicas, ideológicas etc. singulares. Laicismo agredido pela despudorada exploração mercantil, política e social, direta ou indireta, por parte das religiões novas e antigas, da crescente fragilidade popular contemporânea. O monopólio público da educação e da grande mídia televisiva e radiofônica, sob controle democrático, e a ilegalização do escorcho religioso popular direto são pontos programáticos dessa mobilização.

 

O Céu e o Inferno

 

O ateísmo militante é pregação de adultos, conscientes do limite e dos perigos de empreitada subversiva, dessacralizante e mobilizadora, pois voltada para a necessidade do homem de retomar as rédeas de sua vida material e espiritual, no aqui e no agora. É jornada sem esperanças de premiações e de graças na outra vida, e sobretudo nessa, ao contrário do habitual nas religiões oferecidas como vias expressas para o sucesso individual, no rentável balcão da exploração da alienação.

 

O racionalismo militante é caminho difícil que premia os que nele perseveram com a experiência, mesmo fugidia, com o que há de melhor nos seres humanos, a racionalidade, a solidariedade, a fraternidade. Sentimentos e práticas vividos em forma direta, sem tabelas, pois a única ponte que liga os homens são as lançadas pelos próprios homens, entre homens construídos pela história à imagem e semelhança dos homens.

 

A vida racional é aventura recompensada, sobretudo, pelo inebriante desvelamento do encoberto pela ignorância e irracionalidade e pelo equilíbrio obtido na procura da harmonia social, por mais difícil e limitada que seja. Trata-se de caminho que permite, sem sonhar nem crer, seguir decifrando, alegre e desvairadamente, esse mundo crescentemente encantado e terrível. Viagem por esta vida terrena, valiosa, breve e única, sempre apoiada na lembrança de que, diante das penas e tristezas, não se há de rir ou chorar, mas sobretudo entender, para poder transformar.

 

Uma experiência de vida que, mesmo bordejando não raro o inferno, ou sendo elevada fugidamente aos reinos dos céus, sabe-se que tudo se passa e se conclui nesse mundo, concreto, terrivelmente triste e belo, sobre o qual somos plena, total, sem desculpas e irremediavelmente responsáveis.

 

Mário Maestri é rio-grandense, historiador, ateu, marxista, comunista sem partido. E-mail: Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.

 

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Comentários   

0 #18 materialismo dialético, histórico e cienJosé Safrany Filho 22-11-2010 12:30
Existe muita confusão com a questão do materialismo e a ciência, principalmente por parte dos que não a estudaram e/ou estão influenciados por alguma forma, ainda que mínima, de superstição.
Não existe espírito puro vagando por aí! O princípio primário, que dá suporte a todos os demais, inclusive o espiritual, é a matéria e o seu laboratório comprobatório maior é o próprio Universo, onde ele vive em permanente movimento e transformação em suas diversas formas e dimensões! As maiores autoridades no assunto, como Einstein nos desvendaram muito dessa verdade. Confundir materialismo vulgar com o científico, dialético - onde tudo está interrelacionado e em constante transformação - e o histórico, através da evolução permanente do universo e da própria sociedade, é prova de desconhecimento da realidade. O mundo é um emaranhado de complexos de complexos em mútua ação e reação, que a verdadeira Ciência vai, no seu próprio processo dialético de evolução, nos revelando. Nosso cérebro é uma das mais impressionantes formas dessa evolução, mas pouco dele usamos, ainda. A ciência não tem ideologia nem partido, ela serve para investigar e apurar a realidade material e social em que vivemos e o resultado de seu uso depende de quem o emprega e para quê!
Ateu praticante, de verdade, e, principalmente marxista, jamais se arvora o privilégio da verdade e a defesa da Ciência. As coisas estão no mundo só que precisamos é aprender e apreender!!!
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0 #17 LimitesEnoisa Veras 19-11-2010 20:54
Prof. Maestri, fiquei impressionada com a sua visão tão limitada da religião. Gostaria de relacionar inúmeros exemplos de homens e mulheres religiosos/as que, com suas vidas, revelaram (e muitos ainda revelam) o contrário da sua crença que é a de que a \"crença religiosa dissocia-se da objetividade material e social\"; entretanto, vou apostar no seu gosto pela pesquisa da história humana que, penso eu, é permeada pela complexidade, pelas contradições e, felizmente, pelos ‘assombros’. Gostaria ainda de dizer que, apesar de acreditar profundamente em Deus e tb ser apaixonada por Dom Hélder Câmara, São Francisco de Assis e Santa Teresa de Ávila, sinto o mesmo que sente o racionalista militante sobre as dificuldades do caminho. Percebo, num contexto diferente do seu racionalista, que é a perseverança na experiência de fé nas ‘noites escuras’ que possibilita o encontro com a solidariedade e a fraternidade. Abraços!
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0 #16 respostaLucas Levitan 10-11-2010 13:45
Bela resposta ao intragável artigo (e tentativa de correção) do sr. Frei Betto
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0 #15 Bom TextoFilipe 09-11-2010 15:14
Direto ao ponto!
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0 #14 Espiritualismo MilitanteIsaquiel Rosa 07-11-2010 13:19
Céu e inferno estão dentro de nós. São frutos da nossa liberdade individual, do livre-arbítrio. Estender a tudo e a todos/as a imagem estreita de algumas religiões que utilizam da dicotomia inferno e paraíso é apequenar o discurso sobre a espiritualidade, que é muito mais vasta do que a religião. Conheço ateus que se conectam com uma força cósmica, natural, naturalística... para além do materialismo.
A ciência é uma das crenças mais importantes e perigosas da Humanidade, assim como a religião. Portanto, ela não é somente mais uma crença, pois revestida de infalível racionalidade, negando a subjetividade e tensões entre os cientistas, propaga a neutralidade ( o ideal de extrema objetividade) de seu discurso. Muitas vezes, isso serve apenas para encobrir sua promiscuidade com os grandes interesses econômicos. A ciência costuma servir muito mais as elites do que as classes populares. A ciência realmente tornou o mundo um lugar melhor para o convívio fraterno e solidário?
A ciência e o materialismo, assim como a religião, servem a interesses diversos. Alias, não conheço nenhum caso em que o materialismo tenha sido comprovado em algum laboratório científico, empiricamente. Ele está muito mais para uma crença filosófica do que para uma verdade científica.
Já a espiritualidade, no que se refere à reencarnação e a comunicação dos espíritos com os encarnados, já foi comprovada em alguns estudos interessantes, principalmente no que diz respeito às curas espirituais, viagem astral e materializações de espíritos. Entretanto, alguns cientistas, fechados em seus regimes de verdades (seja por causa dos conflitos internos com seus próprios dogmas religiosos, ou pela crendice materialista que embaça seus binóculos sobre determinados fenômenos sociais, refutando-os de antemão, por contradizerem seus próprios valores), não fazem ciência, ao contrário, a negam, pois não estão dispostos a investigar mais profundamente verdades diferentes das suas.
Não só o materialismo militante procura a solidariedade e a fraternidade. É a própria militância em prol da humanidade, dos direitos humanos, dos direitos dos animais e da natureza, contra a guerra e qualquer forma de violência, que caminha rumo à solidariedade e da fraternidade. Gandhi, Luther King, Paulo Freire (cristão e marxista), Boff, os adeptos da teologia da libertação, os“marxistas esotéricos” (rsrs), e os milhares de militantes espiritualistas que desejam fazer desse mundo, do aqui e agora, um lugar mais amoroso e equânime para se viver, são exemplos que a busca pela justiça social não é privilégio de uma massa atéia e materialista.
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0 #13 vida de ateuJosé Safrany Filho 05-11-2010 19:02
Como já disse Marx, há século e meio, vivemos sob a égide da barbárie capitalista, onde predomina a ideologia do obscurantismo burguês. E continuamos nele, nesse século XXI, com o reforço da mídia e aceleração das comunicações, utilizadas, basicamente, para reforçar a alienação e imbecilização do homem, para melhor dominá-los, já que quase todos os meios estão de posse do capital. Nessa situação, a militância do ateu tem sido quase clandestina. Aquele que tem a coragem de manifestá-la, raramente é respeitado e, menos ainda, levado em consideração, a não ser pelos seus pares que são em minoria bem restrita, na maioria dos países.
O artigo do historiador e amigo Mário Maestri é um dos mais claros e didáticos que tenho lido. Concordo totalmente com suas colocações e aproveito para lançar um desafio aos demais ateus militantes que saiam do anonimato para lançarem-se à luta, à vida, pois, só assim, ajudaremos a transformar esse mundo cada vez mais triste e tenebroso em que vivemos!
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0 #12 Esta humanidade sofrida e ignorante, terhamilton 05-11-2010 12:37
Em que muito do vosso pensamento abraço, embora seja um simples leitor, mas que através do raciocínio procuro analisar os bons preceitos apresentados.
Como prova da verdade não sou escritor, mas compactuando em parte com o epigrafado, me sento na obrigação de manifestar minhas convicções.
Vivemos num mundo chamado escola, cheio de contradições, onde os seres humanos são classificados por classes distintas e nesta acepção, muitos na maneira de raciocinar são considerados inferiores, se acomodando a tudo e a todas as situações, desde que sejam satisfeitas suas conveniências pessoais,
Vive pois a humanidade, habituada ao círculo vicioso dos seus princípios. Ninguém se revolta contra a falta de moral e de honra, são dominados por um comodismo, que enerva os que cultuam as noções do dever e da dignidade humana.
As crenças esboçadas no subconsciente destas criaturas, provoca um movimento de repulsa; são reagidas com atitude de revolta; os fazem por egoísmo, despeito ou inveja que quando satisfeitos, tornao-os novamente de acôrdo com a calmaria reinante.
É sabido que a igreja católica foi fundada cêrca de trezentos anos, após a monstruosa crucificação de Jesus, o que convinha a um imperador romano a criação de uma religião oficial para o povo, para que se tornassem cristãos, criaturas boas, honestas, respeitadoras, que ama o trabalho e dignifica a família.
- E assim falando a verdade, ficassem convencidos que tudo depende de si, do seu livre arbítrio, que não deve ser tímido, medroso, mas convencido de que só há dois caminhos - o do bem e o do mal; dêle depende enveredar e palmilhar sempre o caminho do Bem ou dêle se afstar e seguir pelo caminho do mal.
- Portanto católicos, protestantes, espíritas, budistas, ateus ou quasquer outros, tem a mesma fonte de origem; pode ela se chamar Deus, Fôrça Criadora, Inteligência Universal, Grande Arquiteto ou Grande Foco.
Não materializemos essa Fôrça que é o Espírito Criador de tudo que tem vida, e o quanto tanto que o nosso raciocínio possa assimilar, sintamô-la em nosso espírito para que êle mais se ilumine a fim de só produzir coisas boas na Terra.
O grito desalentador que precisa ser feito, é o de despertar esta humanidade ante o quadro de misérias e baixezas que se traduzem em sofrimentos e destruições pelas quais a mesma tem passado, provinientes de guerras e cataclismos.
Mas como ninguém lhe faça ouvir e sentir a vida como ela é, em sua total realidade de canseiras e trabalhos em busca do aperfeiçamento espiritual.
Quase todos preferem viver iludidos, imbuídos por falsos preconceitos e idéias empíricas sôbre deuses e religiões, por indolência mental.
A mentira sempre é mais comoda, não fere suscetibilidades nem sentimentos religiosos arraigados há séculos, passando de gerações a gerações, sem exigir esforços de raciocínio nem quebara de continuidade.
Se todo fanatismo é condenável pelo poder que tem de obliterar a razão e impedir que o raciocínio seja exercitado, o religioso é mais nocivo ainda porque, gerando ódios e paixões é capaz de levar as criaturas a cometerem os atos mais desalmados e os crimes mais abomináveis."RC"
Na história da humanidade, não existem guerras tão bárbaras, tão implacáveis, tão cruentas, tão ferozes, tão brutais, tão espantosamente perversas e desumanas quanto as religiosas. "RC"
Jamais o mundo assistiu a ações de tamanha crueldade e vandalismo como as que praticaram os cruzados, cujo ódio os levou a despediçar indefesos e aterrorizados velhos, mulheres e crianças."RC"
A pavorosa noite de São Bartolomeu e as fogueiras acesas pela Inquisição para queimar vivas, depois de horrivelmente martirizadas e mutiladas, as vítimas do ódio gerado pelo fanatismo religioso no espírito dos próprios sacerdotes-inquisitores, são exemplos bem ilustrados dos extremos a que esse fanatismo pode levar o homem."RC"
Na melhor das hipóteses, o fanatismo religioso - e ninguém, por mais que demonstre estar por ele dominado, se considera fanático - enfraquece, aliena e reduz à impotência a vontade humana."RC"
O homem que é, por excelência, um espírito criador, quando influenciado pela falsa idéia do milagre e da ajuda divina, à espera dos quais se detém, em lugar de esforçar-se para ajudar-se a si mesmo, chega muitas e muitas vezes, ao fracasso, por não saber utilizar-se de duas forças poderosas que possui e que, se devidamente exercitadas, o teriam conduzido ao triunfo."RC"
Essas forças, que na maioria dos seres jazem ignoradas e adormecidas, se chamam - vontade e pensamento."RC"...
O vergonhoso sentimento, especialmente em um deus, nada mais é do que o reflexo do sentimento do próprio povo que o imaginou."RC"
A indigência de conhecimentos impõe certa condição de dependência. Esta verdade, constatada na vida terrena, ainda é mais evidente quando envolve questões espirituais."RC"
Adora-se, de um modo geral, para mendigar favores e proteção. A adoração, acusa pois, uma condição de ignorância e inferioridade espiritual."RC"
As religiões perduraram enquanto puderem contar com adoradores para protegê-las e sustentá-las. Não importa que os objetos da adoração sejam os astros, as manifestações da natureza, os animais inferiores ou as imagens alegóricas de barro, de madeira ou mesmo de ouro."RC"
A verdade é que os adoradores pertencem todos a uma classe idêntica, embora de diferentes categorias.
São candidatos a reencarnações sucessivas neste laboratório psíquico que é o mundo Terra, até que o amadurecimento espiritual os faça compreender a realidade das coisas."RC"...
Os fiéis podem adorar um pedaço de pau talhado com feições humanas, porque o livre arbítrio não lhes nega o direito de satisfazer a sua irracional vontade adorativa."RC"
Nenhum adorador é capaz de dissociar a idéia de adorar, da de pedir. A razão é óbvia: adoarar e pedir são duas muletas iguais para uma só invalidez mental."RC"
E deve-se notar o deus, a quem são dirigidos os pedidos, é de tal maneira desavisado, e vive tão alheio, tão arredio, tão indiferente aos problemas humanos, que a sua atenção para esses problemas somente é despertada pelos apelos que recebe."RC"
É preciso que se lhe peça piedade, para que se apiede; que se lhe suplique misericórdia, para torna-se misericordioso; que se lhe implore a paz, para que pacifique; que se lhe rogue justiça, para que seja justo."RC" ....
Os que sabem avaliar o peso da responsabilidade que arrastam com os próprios atos, fazem todo o possível para firmar-se nos ensinamentos reais que transmitem o conhecimento da Verdade, rompendo com as entorpecentes mentiras religiosas."RC"....
..........Em todos os tempos e em todos os lugares, sempre houve seres bem intencionados que procuraram exclarecer o povo ignaro.
Estes seres iluminados pelo reflexo dos seus pensamentos, procuraram levar sempre sua mensagem colaborativa a humanidade, mas sempre recusadas.
De jóias desta natureza, buriladas pelas mãos DE MESTRES grandemente evoluidos na arte da espiritualisdade; fica demonstrada a palavra autorizada do valoroso e desprendido Padre Guilherme Dias, na sua importante obra "Ecos de Roma" editada em janeiro de 1873, em Pelotas, Estado do Rio Grande do Sul - Brasil:
- " O catolicismo transformou os homens em escravos; e a escravidão mata a inteligência, mata o brio e o pundonor, mata o amor à família, mata os estímulos elevados; mata, enfim, no homem, tudo que o podia mover à elevação espiritual, à generosidade, ao brio e ao pundonor.
" O catolicismo faz dos homens burros. O burro recebe a carga e sofre a descarga.Nenhum estímulo o move ao trabalho... aperfeiçoado, generoso e humanitário.
" Roma de uma cidade de artistas, de guerreiros, de poetas, de legisladores e de literatos, tornou-se vasto acampamento de mendigos, no meio do qual se levantou o mais deslumbrante luxo, à custa da credulidade dos estrangeiros com a moeda do mais nojento e repugnante embuste, e êsse luxo foi acompanhado da maior devassidão e corrupção de costumes que se conhece!...
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..."A Roma papal, conventos de frades e freiras, fábrica em ponto grande bentinhos religiosos, bulas, indulgências, excomunhão e encíclicas - um inúmero exército de vadios, ociosos, corruptos e devasos.
.........................................................
..."As normas da sociedade papal são absolutamente opostas às da sociedade civil...liberal , como absolutamente opostos são os fins de cada sociedade.
A sociedade civil libera cria ciddadãos. A sociedade papista, escravos.Para criar cidadãos, é necessário ilustração; para fazer escravos, embrutecimento. A primeira condiçõao do cidadão é a dignidade. O cidadão contente de sí mesmo, cultiva a razão, desenvolve a inteligência, bem faz aos homens, e eleva-se pelo pensamento até fora dêsse planênta, religando-se à pureza, à luz que emana do Grande Foco, gerador de tudo, e se parcela de mundo em mundo, até chegar sua irradiação às suas partículas encarnadas; o escravo maldiz a sua existência, o seu deus(materializado como êle) e os homens, e odeia tudo quanto o cerca."...
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O que seria o bastante para os mentores espirituais, se fossen sinceros, para reconhecerem que não é uma questão de crença, nem de exorcismo ou dogmas religiosos, a formação moral das criaturas que as livre dos males e misérias da vida.
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0 #11 os ateus devem sair do armáriorenato machado 05-11-2010 10:58
Parabéns professor Maestri. É muito importante que os ateus passem a assumir o ateísmo de uma forma mais enfática e tranquila e ao mesmo tempo passem a defendê-lo. O seu texto nos traz uma série de informações , reflexões e argumentos para bem melhor falarmos sobre isso. As estatísticas usadas de forma ideológica pelos Estados , fornecem informações onde apresentam amplas maiorias de populações como professando uma ou outra religião. Uma grande parte dessas populações não professam praticamente nenhuma religião porque não acreditam nelas , mas se vêem no constrangimento de reafirmarem as religiões na qual foram criadas , etc. Por um outro lado , muitos cientistas , artistas , inteletuais , políticos , ativistas e pensadores em geral que são ateus , mas evitam de abordar essa questão , como se fosse um tabu. Por isso , artigos como o seu vem ao benéfico encontro de uma discussão sobre a grande importância do ateísmo , principalmente nesses tempos que estamos vivendo , onde estão sendo decididos o destino do planeta.
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0 #10 Valha-me Deus!Raymundo Araujo Filho 05-11-2010 10:01
Sou Ateu / Agnóstico pois, além de não compartilhar da concepção central que nos leva a ter Fé (milagres, Dogmas, substituição de idealismo com factualismo histórico) não acho sequer importante a discussão se Deus existe ou não, por entender que a sua existência ou não não deve estar afetando muito os destinos da humanidade, cada vez mais trágico.

E isso considerando e respeitando que a maioria das pessoas têm, ou dizem ter Fé Religiosa, mas sabendo que, o importante é o que se faz da Fé, e não o que se diz pensar da Fé. E sabedor também que, muitos que conheço que têm Fé Religiosa, são pessoas íntegras, progressistas e nunca cairiam nesta pobreza de adjetivação, a la Datena ("não deve ter Deus no coraçaõ quem comete um assassinato...")usada por Frei Beto, em um deslize de tal monta, que deveria calças as Sandálias da Humildade e reconhecer o "mal jeito", de uma vez, em vez de insistir nele, com um remendo pior que o soneto.

Também alerto ao prof. Mario Maestri que muitos , não ele, que bradam o Marxismo, Leninismo, Trotskismo, Anarquismo, etc., também os usam de forma dogmática e diria até Religiosa a ponto, por exemplo, de justificar até o apoio à Lulla-DiLLma (lanço aqui, em primeira mão, a grafia que usarei doravante no nome da presidentA).

Assim, rememorando velho ditame Anarquista "És o que fazes, e não o que dizes querer fazer".

Quero dizer que, mais do que ficarmos a questionar o materialismo ou a religiosidade alheia, em vez de discutirmos OBJETIVAMENTE o que estamos a fazer, como fazemos e com que objetivos, não chegaremos a lugar nenhum.

De minha parte, e tenho escrito aqui por diversas vezes, Frei Beto, a exemplo de muitos outros que se dizem "de esquerda", nada me acrescentam, senão a certeza que eles estão equivocados em atos e em escritas.

E, apenas alerto o prof. Mario Maestri que, mesmo eu não tendo Fé Religiosa alguma, não penso em atacar algo de Foro Íntimo de cada um, mas sim lutar por um Estado, Escolas e etc. LAICOS, e contra a promiscuidade institucional entre Igreja(s) e o Estado. Prefiro atacar as Instituições Religiosas do que os Religiosos sem mando na estrutura

"O resto nóis faz na Luta!". Não pretendo pedir atestado de religiosidae ou ateísmo para ninguém e não acho que pessoas que nutrem alguma Fé, já estão condenadas ao Reacionarismo Militante, embora eu possa discordar deles, até em coisas muito profundas, sobre a existência humana. Afinal, no camo da esquerda temos cada um....

O que Fazemos, ganhamos ou pagamos!
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0 #9 ObrigadoZiel Machado 05-11-2010 09:12
Estimado professor Mario Maestri, tive o privilégio de ser teu aluno no curso de História da Africa em 1980 ou 1981 na Universidade Santa Ursula- RJ. De tempo em tempo, leio alguns de seus textos, sempre muito brilhantes, assim como tem sido sua jornada acadêmica. Deste, com a humildade devida a quem se dirige ao seu mestre -Maestri, ouso discordar. De toda forma agradeço a iniciativa de escrevê-lo. Creio que encontro sintonia no pensamento de Otto Maria Carpeaux, epresso nas palavras do prof. Luiz Felipe Pondé que passo a citar: \" nossa imensa ignorância perante a imensidão da vida e do universo, perante a impenetrabilidade das razões de nosso nascimento e de nossa morte, perante nosso inexorável isolamento nesta vastidão dos espaços infinitos de escuridão que nos assusta, como diria Pascal, nos impõe a humildade como forma última de estar no mundo. Sem ela, não há conhecimento possível...Em nós, modernos, falta a humildade. Por isso, pela falta de humildade, é que o orgulho moderno é sempre um erro como forma de estar no mundo\" L.F. Pondé inContra um mundo melhor: ensaios do afeto, ed. Leya. p.132
Forte abraço mestre!
Ziel Machado
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