A oposição de esquerda e o voto crítico em Dilma

 

Já é possível constatar o estrago produzido na oposição de esquerda pela recomendação do "voto crítico em Dilma" no segundo turno – apesar dos esforços contrários do PSTU e de Plínio de Arruda Sampaio, candidato a presidente pelo PSOL no primeiro turno, que têm insistido no voto nulo.

 

Dividida e imobilizada, a oposição de esquerda perdeu a iniciativa política, dispersou apoios que havia aglutinado, interrompeu a luta ideológica contra o consenso capitalista e social-liberal e nem mesmo se contrapôs ao enraizamento na consciência popular de mitos e valores burgueses difundidos pela campanha de Dilma, como o "país de classe média" ou o "agora posso comprar um carro".

 

A recomendação do "voto crítico em Dilma" facilitou a passagem de lideranças e entidades populares de uma postura de oposição ao governo Lula ao apoio anunciado a um eventual governo Dilma – embora Dilma insista com toda clareza que vai manter e aprofundar as orientações do governo Lula, ou seja, o projeto capitalista-monopolista, as políticas sociais-liberais e as alianças com setores do grande capital e da direita conservadora.

 

O bloco PT-PCdoB, influente na frente liderada por Lula e Dilma, ressuscitou uma rígida concepção de que é preciso aprofundar a "etapa capitalista", supostamente nacional, da formação social brasileira, antes de se poder cogitar a luta por uma eventual "etapa socialista". Projeto nacional tornou-se sinônimo de projeto capitalista-estatal. De Lula regrediu-se a Getúlio, é claro que na forma de uma farsa, a única viável em condições históricas inteiramente distintas das que caracterizavam o mundo e o Brasil dos anos 1930 aos anos 1950.

 

Concluída a eleição presidencial, vença Dilma, o que é mais provável, ou vença Serra, o que seria surpreendente, a falta de uma atuação autônoma e unificada da oposição de esquerda no segundo turno tornará mais difíceis, e não mais fáceis, como alegam alguns, a retomada da mobilização independente dos trabalhadores e da juventude estudantil e a reorganização da resistência democrática e socialista ao desenvolvimento capitalista e monopolista e às políticas sociais-liberais em andamento no Brasil há 16 anos.

 

Duarte Pereira é jornalista.

 

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Comentários   

0 #8 Artur Cardozo 04-11-2010 08:26
Companheiros,
como boa parte dos comentadores também não tenho acordo com a linha do artigo. É visível que a esquerda não possui hoje um projeto estratégico capaz de unificar a classe trabalhadora e os setores populares. O que estávamos defendendo com a proposta do voto nulo? O socialismo não se faz apenas por vontade ou convicção. Concretamente, a candidatura de Serra representava mais retrocessos à nossa articulação, à construção de um novo projeto.
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0 #7 Espelho espelho meuRaymundo Araujo Filho 04-11-2010 01:18
Prezada Dulcinéia

As suas palavras apenas me indicam que do PT e do PSOL nada sairá de muito útil para o Povo Brasileiro. Sofrem do mesmo mal genético, apesar de bravos como o Plínio, doença chamada Inconsistência Ideológica, conjugada com o fungo Politicus oportunuistis.

Cabe te lembrar que Partidos Políticos não são lojas de griffe e nem o prêt a porter que usaremos em convescotes. É coisa um pouco mais séria, embora com menos eficácia do que as griffes, em relação aos objetivos pretendidos.

Te sugiro a escuta atenta da música Baby de Caetano Veloso.

Você entraria em um Partido que 25% de seus eleitores (14% do total) votaram na mulher do Roriz, no segundo turno do DF? Isso é que é Inconsistência Ideológica. Devem ter esquecido de dizer na campanha, que o PSOL e constituído daquele tipo de gente que "come criancinhas", como se dizia na ápoca da ditadura. Ao menos teriam espantado eleitores tão indesejáveis e conservadores, senão totalmente confusos, senão conservadores, tendo se identificado com o candiadto Psolista de lá.

Sei lá!
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0 #6 Na minha cidade...Dulcinéa Santos Carvalho 02-11-2010 16:37
Gosto do Plínio, gosto do Psol. Se um dia eu sair do PT é para o Psol que vou, se me aceitarem. Mas o pessoal do Psol em minha cidade (Varginha-MG), que até considero como companheiros, que fomos um dia. Para mim, ainda são. Mas, olha, tenho sérias críticas. Nas escolas em que trabalhamos juntos, ficavam quietos, enquanto eu e outros, que nem eram filiados ao PT, íamos para o ataque.
Então, não sei não, fico meio em dúvida com esse esquerdismo de esquerda.
Mas, repito, se um dia eu me desligar do partido que tanto amo, é para o Psol que vou. Se me aceitarem, é claro. Suposições, claro!
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0 #5 Avelino Fóscolo 02-11-2010 06:26
Caro,
pensar em outra atitude que não a digna manifestação da bancada do PSOL na situação em jogo é pregar o absurdo.
Serra mobilizou o que há de mais conservador. O conservadorismo radical. Diante deste confronto não houve como ficar impassível.
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0 #4 A Oposição De Essquerda e o Voto Crítivaleria mauricio 01-11-2010 17:15
Companheiro
Como já havia comentado antes,a falta de alternativas,em quem votar ou votar no menos pior!Espero que agora,que a Dilma ganhou,faça escolhas acertadas para o governo,mas ainda é preocupante
os acordos que ela fará e com quem.
Na situação atual,devemos aguardar o futuro e esperar que Dilma se lembre,que ela já foi oposição e se isso não acontecer,os partidos de oposição devem se manifestar para fiscalizar e criticar,já que em seu discurso de posse,Dilma disse estender sua mão aos partidos de oposição,espero que seja verdade!
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0 #3 EsquerdasPaulo de Carvalho 01-11-2010 14:20
Penso, ao contrário do articulista, que a proposta unificada a favor do voto nulo deveria ter acontecido no primeiro turno, e não de forma oportunista(?) no segundo turno, quando a conjuntura é outra. Quanto mais não fosse, a apresentação de candidaturas próprias por TODOS os partidos de esquerda nas últimas eleições demonstrou a inexistência de um mínimo de articulação em suas estratégias.
sem dúvida, uma perda de esforços para a oposição de esquerda.
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0 #2 Já estou vendo...Raymundo Araujo Filho 30-10-2010 19:15
...a ladainha durante o (des)governo Dillma: Temos de mantê-la, pois a direita e o PIG a atacam, para impedir a volta de Lulla, nas próximas eleições.

Quem viver, (vi)verá!

E toma de Palloci, Meirelles, Joban, e caterva....
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0 #1 Alguns entendem outros nãoRafael Dantas 30-10-2010 11:58
A questão é muito simples e muitas pessoas da esquerda seja ela crítica ou não tem percebido com uma facilidade astronômica: se tá ruim do jeito que tá (Lula/Dilma) com Serra isso ficaria muito pior. Porém alguns não entenderam o que está em jogo ainda, o que demonstra um grave erro de leitura da realidade e miopismo político. Achar que com Serra a coisa vai ficar pior e, por conseguinte, aumentará a luta pelo socialismo é tão absurdo quanto como esperar o Hitler chegar ao poder pra fomentar o movimento revolucionário judeu.
Eu vi o Plínio falando: tudo menos Serra, achei esta uma postura acertada, pois ele sabe quem é o Serra, no entanto tem um monte de gente da esquerda que muitas vezes se confunde na tática adotando táticas que favorecem a direita, o que na prática formam socialistas de direita
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