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Lembrando as mentiras colloridas Imprimir E-mail
Escrito por Wladimir Pomar   
Segunda, 18 de Outubro de 2010
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A campanha Dilma, mesmo tardiamente, se deu conta de que Serra se parece cada vez mais com Collor na campanha de 1989. Ele está procurando aplicar o mesmo estelionato eleitoral contra o povo brasileiro, combinando uma campanha midiática de promessas com a difusão massiva de mentiras e calúnias contra a candidata do PT.

 

Promete tudo, mesmo que as contas para realizar o que está prometendo representem dois ou três produtos internos brutos do país. Promete reforçar a Petrobrás, o Banco do Brasil e a CEF, mesmo que seu passado no governo FHC tenha sido o de tentar privatizar essas poucas estatais que sobraram da privataria selvagem daquele governo.

 

Promete melhorar a educação, embora sua participação no governo FHC tenha contribuído para quase liquidar as universidades e o ensino público no Brasil. Promete implantar o ensino técnico, embora no governo FHC tenha aplicado uma política de desmonte desse ensino e esconda que o governo Lula deu um salto na construção e funcionamento das escolas técnicas federais.

 

Promete salário mínimo de 600 reais, embora tenha concordado com as políticas de arrocho desse e de outros salários durante o governo FHC. Promete emprego pleno, embora tenha aplicado rigorosamente a política de desemprego pleno e de alastramento da miséria, que caracterizaram o governo FHC.

 

Promete crescimento econômico e desenvolvimento social, embora tenha contribuído para o desmonte da indústria nacional e para a subordinação do Brasil às ordens do FMI, segundo o qual crescimento causa inflação. Arvora como grande sucesso a implantação do real e do controle da inflação, embora esse sucesso tenha sido obtido à custa da economia nacional, que praticamente quebrou, e à custa do padrão de vida do povo, que desceu a um dos níveis mais baixos de sua história.

 

O sucesso de uma política anti-inflacionária se mede pelo grau de crescimento econômico e de emprego, como vem fazendo o governo Lula, e não pelo grau de quebradeira industrial e desemprego, como ocorreu no governo FHC. O uso de remédios que fazem o doente morrer "muito melhor", como a política aplicada por FHC-Serra, deveria ser considerado, na melhor das hipóteses, como erro médico ou, na pior, como crime contra o país e o povo.

 

A campanha suja contra Dilma segue o mesmo padrão de mentiras, lembrando a campanha collorida contra Lula em 1989. Lula seria analfabeto e incompetente, teria casa no Morumbi, possuiria dinheiro em paraísos fiscais, iria acabar com as religiões e fechar as igrejas, liberar o aborto, desapropriar ou dividir as casas, tomar as fábricas e os negócios, implantar o comunismo e dar o calote na poupança. Excetuando o calote aplicado por Collor, a campanha suja contra Dilma acrescentou a essas acusações a de que ela seria terrorista e lésbica, e teria assassinado inocentes.

 

Tudo isso era esperado por quem acompanhava as ações de PSDB e do DEM no parlamento e na imprensa. No entanto, a coordenação da candidatura Dilma acreditou que a campanha seria de "alto nível", como Serra prometia. Assim, ao invés de utilizar, desde o primeiro minuto do primeiro turno, o antídoto do debate político sobre os temas mais candentes da realidade brasileira, a coordenação da campanha Dilma acreditou que bastava a popularidade de Lula para garantir a vitória já no primeiro turno. Ficou arrogante e fez ouvidos moucos a todos os alertas sobre os perigos de sua política de "salto alto".

 

Para piorar, achou que a campanha midiática era a principal e desdenhou a experiência anterior do PT e de Lula, de que candidatos do PT só têm chances de vitória se amassarem o barro das ruas sem asfalto, onde ainda mora uma grande parte do povo brasileiro, e se realizarem uma campanha massiva de corpo a corpo com a população, incluindo comícios, carreatas e outras formas de contato direto com o eleitorado.

 

Em virtude, principalmente, desses dois erros estratégicos, a campanha Dilma permitiu que uma parte da esquerda e da juventude migrasse para Marina, que levantou bandeiras que historicamente eram do PT e da esquerda. O que propiciou a Serra escapar da polarização no primeiro turno, embora em nenhum momento tenha abandonado os dois veios principais de sua estratégia: promessas aos milhares e mentiras e calúnias constantes, neste caso com o apoio explícito de Veja, O Globo e outros jornais da grande imprensa.

 

Apanhada de surpresa com a ida ao segundo turno, a coordenação da candidatura Dilma, pelo menos na campanha na TV, começou a fazer o que deveria ter feito no primeiro turno. Tem respondido aos ataques de Serra e passou a desmascarar as promessas do candidato tucano, mostrando a incoerência do que fez durante o governo FHC e introduzindo um certo debate político sobre o futuro.

 

O problema é saber se isso será acompanhado da massificação dos contatos com o povo. Embora o tempo seja curto demais para saldar toda a dívida acumulada nesse terreno da estratégia, tal massificação talvez seja essencial para tirar do marasmo aqueles apoiadores de Dilma que acreditavam na vitória fácil e agora estão deprimidos com a dureza do embate. Sem jogar todas as forças no combate, a candidatura Dilma corre sério risco de assistir às mentiras colloridas vencerem mais uma vez.

 

Wladimir Pomar é escritor e analista político.

 

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Última atualização em Terça, 19 de Outubro de 2010
 

A publicação deste texto é livre, desde que citada a fonte e o endereço eletrônico da página do Correio da Cidadania




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