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Estados Unidos: a eleição de 2012 para o Partido Democrata Imprimir E-mail
Escrito por Virgilio Arraes   
Sexta, 15 de Outubro de 2010
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Diante do aparente crescimento do chamado Partido do Chá – a ser testado na eleição de novembro -, os republicanos, em cujo seio abriga-se a crescente militância chazeira, deslocam-se mais à direita, em busca do cumprimento de seus princípios básicos, o liberal-desenvolvimentismo.

 

Em vista do posicionamento republicano, os democratas, notadamente os mais progressistas, poderiam firmar um contraponto, ao mover-se para o lado oposto, o do social-desenvolvimentismo. A nova legislação no setor de saúde teria sido um passo, mesmo acanhado.

 

No entanto, a articulação democrata, com vistas à eleição presidencial de 2012, implicaria atrair seus segmentos mais conservadores. O representante mais adequado do setor seria a titular do Departamento de Estado, Hillary Clinton. Em sendo concertada a aliança, ela mesma almejaria trilhar um caminho mais extenso, o da própria Casa Branca em 2016.

 

O objetivo de Obama seria preservar a unidade partidária, em função da experiência da agremiação nos anos 70, quando Jimmy Carter, ao disputar as prévias com Ted Kennedy, pertencente à ala mais liberal, chegou bastante desgastado aos olhos do eleitorado – menos de 30% da aprovação da população em 1979.

 

Segundo pesquisa feita pelo Gallup na última semana de setembro, Obama auferiria com vantagem considerável a indicação do Partido Democrata se concorresse com Clinton em 2012: 52% contra 37%. Todavia, não obteria a maior parte dos votos dos conservadores e praticamente empataria entre os eleitores sem grau universitário - http://www.gallup.com/poll/143318/obama-clinton-2012-democratic-nomination.aspx

 

As maiores dificuldades do atual governo originaram-se na gestão pretérita, de matiz republicano. Destrinçá-las todas em um único mandato de quatro anos seria uma tarefa sem sombra de dúvida hercúlea, logo notável, embora de realização improvável.

 

Eis, portanto, a encruzilhada com que se depara Obama: ainda que consiga levar a bom termo seu mandato, seus esforços poderão não ser reconhecidos imediatamente pela população, uma vez que pesam sobre seu cotidiano problemas muito graves, como desemprego, execuções de hipoteca, diminuição de salários, entre outros.

 

Além do mais, o governo carcome-se na área externa. O recente vazamento de milhares de documentos, afora a importância do conteúdo em si, demonstra a supervisão falha na área de vigilância, tendo em vista que teria sido a atuação de um servidor de baixa hierarquia do segmento de espionagem a possibilitar a transferência de volume de dados tão significativos.

 

Some-se à dificuldade mencionada a pressão das agências de investigação junto à Casa Branca com o objetivo de alterar a legislação, de forma que permitisse maior acompanhamento de setores, grupos ou pessoas considerados suspeitos de atividade terrorista ou subversiva dentro do próprio país.

 

Na visão da burocracia da segurança, haveria assim um excesso de proteção legal, o que involuntariamente prejudicaria o papel governamental na proteção de seus cidadãos. Desconsidera-se, no entanto, que o Federal Bureau of Investigation (FBI) atualmente aufere muito mais poder do que há uma década para monitorar ações suspeitas de terrorismo.

 

Compor com Hillary Clinton a chapa em 2012 anularia as pretensões iminentes da Secretária de Estado e reforçaria Barack Obama na obtenção de votos em um dos colégios mais importantes, Nova York, um dos três maiores em número de delegados. Além do mais, auxiliaria a conseguir os votos dos delegados no sul.

 

Por exemplo, no estado do Arkansas, antiga base dos Clintons, os republicanos têm vencido o pleito presidencial desde 1980 – exceção em 1992 e 1996 com o próprio Bill Clinton.

 

A idéia havia sido cogitada pelo Partido Democrata na composição de 2010, porém de pronto rejeitada por Obama, por julgar maior necessidade de um vice mais discreto, em final de carreira. Com o andar do governo, o nome dela tem sido avaliado para suceder Robert Gates no Departamento de Defesa, a datar de 2011. De todo modo, as especulações em torno de um e outro cargo beneficiam Clinton até o momento.

 

Quanto ao vice-presidente, Joe Biden, ele poderia ter destino similar ao de John Calhoun, um dos políticos mais importantes da história do país na primeira metade do século XIX: ser titular do Departamento de Estado, após ter sido o número dois da Casa Branca. No caso deste, por duas vezes – sob John Quincy Adams e Andrew Jackson.

 

Virgílio Arraes é doutor em História das Relações Internacionais pela Universidade de Brasília e professor colaborador do Instituto de História da mesma instituição.

 

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Última atualização em Segunda, 18 de Outubro de 2010
 

A publicação deste texto é livre, desde que citada a fonte e o endereço eletrônico da página do Correio da Cidadania




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