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O homem comum e o (neo)desenvolvimentismo do governo Lula Imprimir E-mail
Escrito por Venâncio de Oliveira   
Qui, 14 de Outubro de 2010
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O (neo)desenvolvimentismo dos emergentes parece ter espantado a crise mundial. Estes países sustentaram alta de 9% no lucro líquido da Nike (Valor, 23/09/10). A BOVESPA, nas duas primeiras semanas de outubro, segue seu otimismo desenfreado, na casa dos 70.000 pontos. As políticas nacionais desenvolvimentistas alimentam estas ilusões. Em setembro de 2010, o BNDES recebeu mais R$ 30 bilhões do Tesouro Nacional para operação de crédito (Valor Econômico, 27/09/10). O governo aumentou sua participação no capital da Petrobrás com diluição do investidor estrangeiro. O governo passou de 39,8% para 48,3%, a parcela detida pelos estrangeiros no total de ações recuou de 37,4% para 31,8%, o que representa uma queda de 15% (Valor Econômico, 05/10/2010).

 

Assim, entre o resgate de políticas intervencionistas e o otimismo dos lucros privados seguimos numa perfeita sintonia. Parece que o antes bolo grande, mas desigual, se fez pão de todos. Nos anos do governo Lula, houve um crescimento da classe C, passando a representar 49% da população brasileira (PNAD, 2009). O potencial de consumo das classes B2 e B1 (renda média familiar de R$ 2.950 a R$ 5.350, respectivamente) para 2010 são de R$ 970 bilhões (Folha, 14/09/2010). Será que a fartura atual é a visão de um próspero futuro? O valor e o dinheiro produzem o progresso eterno? Mais dinheiro hoje, mais salário, mais pão e talvez a comunidade humana solidária amanhã?

 

Precisaríamos apenas de uma 3° geração de políticas sociais e sustentáveis que aliará progresso material de mais coca-cola com cosméticos de açaí e o pão nosso de cada dia do Bolsa-família?

 

A economia privada estável e o crescimento econômico brasileiro trouxeram de regresso a visão do Milagre Econômico. O discurso de fartura para anos entrou em todos os poros da sociedade brasileira. Segundo pesquisa do IPEA (2010), 56,88% das pessoas acreditam que viveremos melhores momentos nos próximos cinco anos e 74% se encontram em situação financeira melhor do que viviam em um ano atrás. O que gerou uma popularidade do presidente imbatível, que, se não fosse pela artificialidade de sua candidata, já não teríamos de ouvir um debate pré-feudal e atrasado dos tucanos que não sabem para onde atirar sua sede pelo poder. Aonde falta discurso, sobra obscurantismo.

 

A mais pura verdade é que o Lula roubou o discurso de crescimento equilibrado com um capitalismo estável. Nos anos FHC, sobrou equilíbrio, mas faltou crescimento. Assim, Serra fica sem discurso e esconde o passado. Ele saiu de uma política proto-desenvolvimentista, dizendo-se contra a autonomia do Banco Central, para a volta do medo no discurso. Em e-mails que rodam o país em segundos, a Dilma aparece como a Comunista Burguesa. O obscurantismo é reflexo do desespero de profissionais políticos que se sentem inúteis perante sindicalistas mais hábeis para manipular o capitalismo brasileiro. Talvez, a burguesia deixe de pagar suas campanhas e salários e eles tenham de migrar para o ostracismo dos livros.

 

O governo Lula conseguiu feitos inéditos para o capitalismo neoliberal brasileiro em tempos de crise, criou mais ilusão e "driblou" a crise mundial. Sejamos justos, sem o governo FHC não haveria crescimento econômico, como apenas com a passividade dos tucanos que privatizava tudo não haveria "novo milagre econômico". A economia petista aproveitou-se de todas as privatizações e liberalizações do mercado de trabalho para ativar a circulação de capital brasileiro.

 

O Exército Industrial de Reserva do governo FHC forneceu os salários baixos e os trabalhadores desqualificados necessários para o capital manter sua lucratividade financeira. Esta massa de gente com fome reatualizou o sub-proletariado brasileiro, que deu base para os programas de renda mínima do governo Lula. As políticas de crédito do BNDES, de ampliação da intervenção da Petrobrás e de corte de impostos somaram-se ao quadro de criação de dinheiro e valor na economia, injetando gasolina no sistema de exploração brasileiro. Mantendo o alicerce do agronegócio e da exportação de commodities, estreitando relações com a máquina chinesa de fazer dinheiro, alimentamos nosso mercado de trocar soja por pentes chineses e coca-cola.

 

Mas os fatores de desestabilização aparecem no final do túnel. A mobilidade social decorrente do crescimento econômico diminuiu o Exército Industrial de Reserva que mantém o medo de desemprego como aliado do patrão. O emprego em excesso cria mais ilusão para além do pão nosso de cada dia e da maquiagem de açaí. Existem demandas sociais insatisfeitas, que podem ser cobradas. Foram 4,7 milhões de famílias sem moradia em 2009 (Gazeta do Povo, 21/09/10).

 

Os juros altos da taxa Selic alimentam investidores, que podem cobrar caro sua parte no bolo. As dívidas brasileiras privadas aumentam a cada dia e sustentar esta nova classe média baixa pode abrir um buraco na lucratividade financeira. Segundo o IPEA, existem 52,3 % de endividados, sendo 10,2% muito endividados. Quanto à capacidade de pagamento, 36,2 % disseram não ter condições de pagar suas dívidas e 37,1%, em parte.

 

O fantasma da crise continua rondando, agora nos protestos internacionais dos europeus. Choques externos de desespero financeiro podem balançar o "equilíbrio brasileiro". Será que (neo)desenvolvimentismo poderá satisfazer o homem comum brasileiro cada vez mais "ambicioso" por benesses deste novo bolo?

 

Fontes:

 

FOLHA.COM. Nova classe B deve consumir R$ 1 trilhão neste ano; 14/09/2010. http://www1.folha.uol.com.br/mercado/798411-nova-classe-b-deve-consumir-r-1-trilhao-neste-ano.shtml

 

Rodrigues A. BNDES recebe mais R$ 30 Bilhões do Tesouro Nacional. Valor Econômico, 27/09/2010

 

Fernando Torres e Graziella Valenti. Cai fatia de estrangeiro na Petrobras. Valor Econômico, 05/10/2010

 

http://www.ipea.gov.br/portal/images/stories/PDFs/IEF/slides%20-%20ief%20brasil%20setembro1.pdf

 

Viniciuis Boreki. Sem direito à moradia digna. Gazeta do Povo, 21/09/10

 

Venâncio de Oliveira é economista.

 

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Última atualização em Qui, 14 de Outubro de 2010
 

A publicação deste texto é livre, desde que citada a fonte e o endereço eletrônico da página do Correio da Cidadania




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