Eleições e cidadania

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Um dos aspectos mais relevantes da cidadania diz respeito ao exercício do direito à escolha dos representantes do povo para compor o quadro político nacional.

 

As eleições que acabaram de acontecer revelaram alguns novos aspectos dessa prática. Em primeiro lugar, trouxeram ao cenário do debate nacional temas que não encontravam espaço até então, como, por exemplo, meio-ambiente, crescimento e desenvolvimento com sustentabilidade, bem como necessidade de reformas sociais profundas, para além daquelas realizadas.

 

Ainda, as recentes eleições viabilizaram que, para além do modorrento embate entre os dois pólos já conhecidos da política nacional, pudessem se fazer ouvir novas vozes, deslocando o debate que se queria, meramente plebiscitário, para maiores e melhores temas.

 

O mais importante, no meu sentir: conseguiu sensibilizar a juventude do nosso país para as questões políticas, propiciando aos jovens observar que é possível um outro caminho no debate dos ideais e das idéias, através de um diálogo franco e direto com a população e com adversários, mediante propostas concretas e viáveis, afastados quaisquer ímpetos de rancor, ódio ou revanchismo, merecedores de repúdio, construindo através do discurso propositivo, e ancorado em um conteúdo programático de governo, a novidade de que é sim possível mudar, de que política é sim coisa séria.

 

Trazer o jovem para a cena do debate político, questionando, indagando e refletindo sobre as práticas existentes de "fazer política", é saldo dos mais positivos. E esse trabalho não pode ser delegado apenas aos postulantes aos cargos públicos, tampouco se esgotar no fim do período eleitoral.

 

Vale dizer, cumpre também a todos nós, como cidadãos, pais e profissionais, manter aceso esse despertar cívico, propondo, por exemplo, que nas escolas se realizem debates com candidatos de diversos partidos (e abro aqui um parêntese para assinalar que na escola de minhas filhas esse debate aconteceu e se revelou bastante esclarecedor para todos) e também, de tempos em tempos, com aqueles eleitos pela comunidade; ainda devemos cobrar dos partidos políticos que se utilizem mais da poderosa ferramenta da internet para colher opiniões de seus eleitores e cidadãos em geral em tempo real, através de questionários e abertura de canais para debates dos temas relevantes da vida nacional; cobrar da imprensa, cujo papel é de extrema importância nesse amadurecimento político de toda a sociedade, que contribua cada vez mais com a abertura de espaço para exposição de todas as opiniões vigentes e divergentes.

 

Por derradeiro, seria também interessante que os meios de comunicação, especialmente o televisivo, valendo-se de sua ampla capacidade de penetração em todos os lares, disponibilizassem em sua grade de programação, com regular freqüência, espaço para que os detentores de cargos majoritários viessem a público para serem questionados pela população e representantes da sociedade civil sobre suas promessas de campanha e condução de seu governo, numa espécie de "debate popular", fomentando o interesse pelas questões políticas regionais e nacionais, despertado apenas nos períodos eleitorais, tornando, desse modo, a democracia representativa mais direta, efetiva e participativa.

 

Afinal, alargar os caminhos para o pleno exercício da democracia é trabalho de todos nós.

 

Tereza Cristina M. K. Exner é Procuradora de Justiça e integrante do MPD - Movimento do Ministério Público Democrático.

 

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