A vitória de Marina

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Marina é a única vitoriosa nessa eleição. Lula e Dilma perderam – ainda que venham a ganhar – e o tucanato praticamente foi extinto.

 

Necessariamente terá que haver uma nova formatação partidária no Brasil. Aqui na Bahia, toda a descendência política de ACM foi eliminada. O que parecia insuperável há dez anos, hoje, politicamente não existe mais.

 

Nesses últimos anos, o PT e Lula deram-se ao luxo de jogar a ética no lixo, de desprezar amigos de caminhada, de eleger "os ambientalistas, índios, negros e ministério público" como "inimigos do desenvolvimento". Ironizaram "as pererecas e os bagres". Violaram os direitos coletivos de indígenas, quilombolas e comunidades tradicionais em nome do desenvolvimento. Promoveram a volta das grandes obras como barragens, transposição e introduziram o Brasil no rol das energias sujas, como atômica, termoelétricas, daí por diante. O diálogo foi impossível e os protestos foram inúteis. Estavam seguros de que não haveria reação, muito menos eleitoral.

 

Marina quebrou o plebiscito estabelecido por Lula e injetou a causa ambiental no cenário político. Estamos falando de questões essenciais, não de bobagens que podem ser ironizadas a qualquer preço.

 

Vai depender de Marina. Se ela quiser pensar mais fundo o modelo econômico e energético, se quiser ter mais proximidade com os movimentos sociais, com as bases, de onde ela veio. Se ela não se esquecer de sua causa, de seus aliados. Se for capaz de aglutinar, não permitindo que o rei cresça em sua barriga, imaginando que seja a melhor ou até mesmo a única. Até hoje tem sido simples, humilde e, fora as contradições que protagonizou no próprio governo Lula, coerente.

 

Marina e sua causa venceram e trazem 20 milhões de votos, sem máquina, como presença estranha no jogo. Tem méritos. Se mantiver sua coerência, diante dos desastres dantescos promovidos pelas questões ambientais, particularmente as mudanças climáticas, será presidente do Brasil.

 

Os caminhos da história passarão por aí. Nesse segundo turno, a gente evita o pior dos piores. 

 

Roberto Malvezzi (Gogó), ex-coordenador da CPT, é agente pastoral.

 

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Comentários   

0 #11 Mira 11-10-2010 12:53
Marina não ganhou, de fato. Quem ganhou com ela mais uma vez foi a burguesia.Ela construiu mais uma via para a burguesia. Não devria continuar o nome de Chico Mendes para isso. Ela saiu de suas bases, se perdeu. O discurso dela sem base é oco. Não é proposta firmem capaz de levar a outro rumo. Espero que ela consiga raciocinar e discernir.Não se constrói outra via dessa forma. O momento que estamos vivendo é crucial e periculoso. É necessário ter visão nesses momentos e renunciar a egos muito desenvolvidos. Ela tem que se curar do seu sentimento de vingança.
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0 #10 A Vitória de Marina.Roberto Malvezzi 09-10-2010 14:08
Caros,
Li os comentários e achei interessantes, por isso decidi opinar também.
Ontem estive com comunidades do rio Salitre, afluente do São Francisco, onde 5 mil pessoas estão sem energia. Irrigantes levam a água e deixam as comunidades secas. Então, para sobreviver, as comunidades derrubaram 16 postes de energia, para evitar as bombas elétricas.
Dias atrás Lula e Dilma inauguraram o projeto Salitre, de irrigação, onde as comunidades locais foram expulsas, para ceder espaço para empresários de outras regiões e até internacionais.
Reparem, essas questões são essenciais e esse drama é da década de 80. O Sérgio conhece bem o que falo.
Espero que esse governo seja capaz de rever seu modelo predador, que solapa as bases naturais do país, particularmente para os mais pobres.
Penso que o voto do segundo turno não é problema para quem debate aqui.
Sim, achei o Plínio brilhante, corajoso, o homem de sempre nessa campanha. Mas, a história continua e eu, particularmente, não assino cheque em branco para ninguém.
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0 #9 Vejam o que diz Gilson Amaro!!!!!Andre Sanches 09-10-2010 06:31
Prezados Marininstas, leiam o artigo de Gilson Amaro neste mesmo site e deixem de ser ingênuos!!!!!!!!!!!!
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0 #8 A confusão está estabelecida na esquerdaDomingos Carlos Silva Almeida 07-10-2010 21:03
Caros colegas internautas: precisamos abrir os olhos para a realidade brasileira. Parece que os esquerdistas, dos quais faço parte, estão diminuindo demais os seus próprios esforços de muitas décadas. Esse governo Lula não é nosso? Sempre apostei no projeto socialista (no primeiro turno votei em Plínio para apontar o horizonte de uma nova sociedade, mas agora estou em campanha pela Dilma). O PSOL ainda é um partido de esquerda eurocentrista. Falta-nos uma força política mais latina, que resgate as tradições de resistência dos latinos (Cuba se baseia em Martí, Venezuela em Bolívar; e nós?).Vejo com preocupação a posição demais idealista de companheiros das lutas sociais que não estão vendo as brechas da conjuntura. O Governo Lula foi e é um tempo de transição. Ele abriu um leque no Brasil. Agora temos que cair em campo para organizar as lutas populares junto às bases. Mas o que vemos é uma grande distância entre os trabalhadores e os companheiros que já estiveram lutando com eles nas bases. Está faltando envolvimento das assessorias no cotidiano dos trabalhadores. O combate não é contra o Lula e o PT. A nossa tarefa agora é arregaçarmos as mangas e ajudarmos o nosso povo a ir às ruas cobrar as mudanças profundas. Está na hora da mobilização de massas, de mostrarmos nossa força (resta saber se aqueles que combatem o Lula estão prontos para isso). Um abraço.
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0 #7 A vitória de MarinaMárcio 07-10-2010 14:29
O artigo está interessante, mas realmente muito otimista. O tucanato (ou seja, a UDN) está vivíssimo e mostrou sua força mesmo no momento mais desfavorável (para ele) das últimas décadas (mais precisamente, desde 1964). E mesmo a descendência de ACM não é carta fora do baralho. Olho vivo e faro fino, que o adversário não dorme.
Um abraço,
Márcio
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0 #6 FundamentalistaLúcio Braga 07-10-2010 14:29
Do discurso fundamentalista da Marina eu quero distância.
A mídia quando viu que a campanha demo-tucana ia de mal a pior, elegeu a seringueira como opção para levar seu projeto ao segundo turno.
Marina ficou no ministério durante 7 anos e não conseguia nem ser frequente ao trabalho.
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0 #5 A posição ambígua de Marina nas eleiçõesDomingos Carlos Silva Almeida 07-10-2010 14:27
Vejo essa manifestação de apoio à Marina como algo ambíguo. A população que forma a sua opinião pela mídia mercadológica aderiu facilmente à Marina. Muitos jovens desconhecedores da história brasileira, parcelas de evangélicos identificados com a opção religiosa de Marina, outro grupo que não acredita na Dilma, parte da classe média contrária às idéias socialistas, enfim, percebo uma certa confusão no elitorado recente da Marina. Os eleitores dela não fazem relação entre o PV (partido da boquinha)e o PSDB-PFL, que a questão do meio ambiente não é modismo (exigindo enfrentamento do modelo capitalista), uma certa manipulação da história de Marina pela mídia comercial pra levar a eleição ao 2ºturno e a própria candidata Marina apresentou um discurso ecocapitalista defendendo as coisas boas de FHC e Lula. Um fator claro do voto à Marina foi a identificação com sua vida simples, popular e agora religiosa. Na minha humilde maneira de ver as coisas,fiquei muito preocupado com a despolitização dos eleitores de última hora que votaram em Marina. Foi um voto fácil, midiático, moralista (na parcela contrária às liberdades civis, portanto conservadora), desengajado e até ressentido (parcela dos esquerdistas decepcionados com o Lula que prejudicou a causa ecológica).
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0 #4 Marina: venceu o quê?Domingos Carlos Silva Almeida 07-10-2010 12:31
Alguns ecologistas querem criticar o PT e o Lula enaltecendo a recente aparição da Marina. Acredito, Gogó, que está na hora de muita gente formadora do povo voltar ao trabalho de base e aproveitar as brechas oferecidas pela conjuntura atual. Se essa vitória da Marina, no seu entender, se reverter em lutas sociais contra o modelo capitalista vamos avançar historicamente. Porém, se for para reforçar projetos pessoais e de empresários do ramo da perfumaria, nada feito.
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0 #3 Marinaantonio carlos alves amaral 07-10-2010 08:17
Boa Gogó, é isso mesmo. Parece que para ganhar vale tudo, mas é que o poder corrompe, e um partido de esquerda, quer ganhar sem o povo, só com o voto.
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0 #2 a vitória, surpreendente, de Marinaguimarães s. v. 07-10-2010 07:31
concordo! companheiro Gogó, em gênero, número e grau. a vitoria de Marina, além de surpreendente, foi parcial. mas agora a questão é bem outra, crucial para o Brasil. impedir que Serra seja eleito. o eleitorado de Marina precisa pensar que a eleição de Serra propicia aos "donos do poder" voltar ao comando do governo federal, do qual foram afastados pela eleição de Lula em 2002. é fundamental que a gente tape o nariz, feche olhos e ouvidos, e vote em Dilma, "para evitar o pior para o Brasil"! urge entender que a gente, "nesse segundo turno evita o pior dos piores".
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