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A direita insatisfeita Imprimir E-mail
Escrito por Duarte Pereira   
Sábado, 04 de Setembro de 2010
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O geógrafo e sociólogo Demétrio Magnoli escreveu um artigo raivoso sobre, ou melhor, contra o candidato a presidente José Serra, publicado no "Estadão" do último dia 2 de setembro com o título "A escolha de Serra". Ao leitor, o artigo soa como uma tentativa ressentida e pretensiosa de empurrar para baixo a cabeça de alguém que já se debate em dificuldades para sobrenadar. "Muy aliado", esse articulista! Ou não é aliado? Mas Marina foi e continua mais próxima de Lula do que Serra. Magnoli estará pensando em anular o voto? Dadas as posições que abraçou nos últimos anos, nos candidatos da esquerda socialista é que não estará cogitando votar.

 

Magnoli se aproveita de um erro indiscutível da campanha de Serra, o de associá-lo a Lula através de uma foto em comum. Se a intenção era mostrar a experiência política e administrativa de Serra, como justificaram alguns analistas, por que não mostrá-lo também ao lado de Montoro, de Tancredo e de Fernando Henrique, com os quais colaborou? Valendo-se dessa falha dos responsáveis pela campanha nas emissoras de televisão e também de bobagens que o professor Guilhon de Albuquerque tem dito e tem feito, Magnoli investe, na realidade, contra a linha geral da campanha eleitoral e da trajetória recente de Serra. E faz a crítica dessa linha pela direita: este é o conteúdo essencial de seu artigo.

 

Magnoli adoraria que Serra fizesse a mesma inflexão que ele e passasse a atacar Lula e o PT de modo furibundo e sem discernir as realizações positivas das iniciativas erradas do governo federal nos últimos anos – realizações positivas, é bom ressaltar, que não decorreram apenas do que foi feito nos oito anos anteriores sob a presidência Fernando Henrique, como gostam de repetir preconceituosamente comentaristas conservadores.

 

Como em todos os governos liderados por forças de centro e baseados em alianças amplas e heterogêneas, espichadas desnecessariamente da direita conservadora até, às vezes, setores da esquerda socialista, nos governos de Fernando Henrique e de Lula há o que aprovar e o que condenar – sem falar na inflexão fundamental e desastrosa que eles fizeram à direita, a qual condicionou e travou a orientação e a atuação gerais de suas administrações, alterando a correlação progressista de forças que se vinha formando após o final da ditadura militar e que já se manifestara, por exemplo, no apoio mútuo, hoje esquecido, entre o PSDB e o PT em algumas eleições e administrações e na luta comum contra Collor e contra o coronelão baiano ACM.

 

Para "olhar no retrovisor" de forma política e cientificamente correta, como preconiza Magnoli, Serra teria, portanto, de ir além dos mandatos de Lula e remontar, pelo menos, aos de Fernando Henrique. Teria que reconhecer acertos e apontar erros em ambos e questionar as inflexões à direita que fizeram e que transtornaram completamente o quadro político nacional, dando alento às forças da direita conservadora e do grande capital em crise. Mas, para isso, Serra teria que ser o Serra de décadas anteriores, teria que lutar por mudanças fundamentais e progressistas na política econômica, social e externa, trabalhar por um realinhamento corajoso da orientação política e administrativa do PSDB, das alianças do partido com outras agremiações partidárias e de suas relações com sindicatos e entidades sociais, sobretudo populares.

 

A impressão é que Serra não se sentiu com forças, nem talvez com convicções suficientes, para tentar essa guinada, que poderia reaproximá-lo e ao PSDB de setores expressivos de centro-esquerda e de esquerda. Ficou no meio do caminho das mudanças pelas quais precisava batalhar. Percebeu talvez que, se agisse de outra maneira, não seria o candidato do PSDB, nem em 2002, nem agora, nem contaria com o apoio, mesmo que oscilante e contrariado, de forças reacionárias – como, na eleição atual, os apoios do PFL-DEM, do PTB e de uma parcela da mídia conservadora, sem esquecer o dos financiadores do grande capital. Contudo, apesar das concessões do candidato, esses setores vêm manifestando desagrado com a linha da campanha de Serra, que começa a ser abandonado e até mesmo hostilizado pelos aliados que tanto buscou à direita.

 

Pesaram na escolha de Serra por entrar numa nova disputa presidencial, provavelmente, um erro de avaliação sobre a força da aliança contrária, uma confiança excessiva nos aliados que atraiu e o anseio pessoal de chegar à presidência sem medir os custos políticos com lucidez. Arriscando-me a pensar numa alternativa de seu ponto de vista pessoal, teria sido melhor que ele se candidatasse à reeleição ao importante governo de São Paulo, numa competição mais favorável e que poderia fazer basicamente com propostas administrativas. Era e continua evidente que não seria viável reverter um fenômeno psicossocial como a "onda lulista", mais emocional do que racional, apostando somente na alegação de sua experiência e competência maiores do que as de Dilma, quase se apresentando como o melhor continuador dos governos Fernando Henrique e Lula, e acrescentando apenas os inevitáveis ajustes e avanços que nenhum candidato pode deixar de prometer. Se o rumo geral do país nos últimos 16 anos tem sido correto, inclusive nos dois governos Lula, requerendo apenas ajustes pontuais, o responsável mais recente por esse rumo é que pode, evidentemente, apontar qual de seus colaboradores reúne melhores condições para garantir o prosseguimento da obra. A separação entre Lula e Dilma se torna inviável, portanto, como era fácil de se prever.

 

Não se perca de vista, porém – e isto Magnoli não enxerga –, que seria ainda mais difícil reverter a "onda lulista", que sinaliza um novo e avassalador "populismo", mais forte do que o de Getúlio, com uma contraofensiva truculenta e maniqueísta de direita.

 

Qual seria a alternativa imaginada por Magnoli? Negar qualquer avanço do país nos governos de Lula? Resvalar para uma campanha de denúncias e contra-denúncias de escândalos, turvando emocionalmente o debate eleitoral e deslocando-o de seus eixos temáticos? Enrolar-se novamente na bandeira de uma democracia unilateral e transferir a campanha das ruas para os tribunais?

 

As regras democráticas têm que valer para todas as administrações, em todos os estados e em todas as eleições e reeleições. E se começarem a serem desengavetados dossiês para todos os lados? Os delitos eleitorais e penais têm que ser apurados e punidos, evidentemente, mas não ao preço de esvaziar o debate de idéias e propostas e transformar a campanha numa grande e certamente inconclusiva investigação policial.

 

O PSDB e seus aliados não deveriam esquecer que essa estratégia do estardalhaço moral foi tentada em 2006 e não deu certo. É possível afirmar, portanto, com relativa segurança, que, se Serra ceder às pressões da direita insatisfeita e enveredar pelo rumo tumultuador sugerido por ela, sofrerá uma derrota, além de política, biográfica.

 

O PSDB conta com vários sociólogos e cientistas políticos ilustres em suas fileiras. Eles poderiam dedicar algum esforço a uma reavaliação mais objetiva e serena da malograda experiência do "udenismo" e do "ovo de serpente" que essa experiência representou para dar vida a duas décadas de uma ditadura militar implacável – na ânsia de combater pela direita o "getulismo" e seus desdobramentos. Cansados de perder nas urnas, esses criadores "udenistas" de serpentes começaram a freqüentar os quartéis. No final, para castigo deles, a ditadura pregada e festejada acabou se voltando também contra suas pretensões.

 

O "populismo" se combate pela esquerda, avançando na direção de uma sociedade democrática e socialista.

 

Duarte Pereira é jornalista.

 

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