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Crise, luta e esperança Imprimir E-mail
Escrito por Miguel Urbano Rodrigues   
Sábado, 28 de Agosto de 2010
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O fim da atual crise de civilização é imprevisível. Inevitável, conduzirá ao desmoronar do capitalismo ou a uma era de barbárie. Prever datas para o desfecho seria, porém, um exercício de futurologia.

 

Mas uma certeza se esboça já no horizonte: a derrota espera o imperialismo nas guerras criminosas que os EUA desencadearam para manter e ampliar o sistema de dominação mundial do capital.

 

Os EUA estão atolados em guerras perdidas no Afeganistão e no Iraque e a sua aliança com o Estado neofascista de Israel é um fator de tensão permanente no Oriente Médio. As estratégias agressivas que desenvolvem na América Latina, na África e na Ásia Oriental são também incompatíveis com as aspirações dos povos ameaçados, contribuindo para o crescimento da maré anti-americana

 

Nesta fase, iniciada com as agressões no Médio Oriente e Ásia Central, o imperialismo estadunidense encontrou situações históricas muito diferentes da que precedeu o seu envolvimento no Vietnã e a humilhante derrota que ali sofreu. Nos EUA somente uma minoria percebeu que a guerra estava perdida quando Giap desfechou a ofensiva do Tet. A resposta de Johnson e Kissinger, cedendo aos generais do Pentágono, foi a ampliação da escalada.

 

A agressão alastrou-se para o Laos e Washington enviou mais tropas para a fornalha vietnamita, semeando morte e devastação no Sudeste Asiático. Transcorreram anos até a retirada dos EUA. Os povos foram lentos a compreender que o desfecho da trágica agressão ao Vietnã era o prólogo de uma crise que significou a perda da hegemonia que Washington exercia sobre a economia do Ocidente desde o final da II Guerra. Nada foi igual desde então.

 

Mas o establishment norte-americano não extraiu as lições implícitas no fracasso das guerras da Coréia e do Vietnã. A estratégia foi reformulada, mas a ambição imperial permaneceu, assumindo novas formas. O cenário das agressões adquiriu proporções planetárias a partir do desaparecimento da União Soviética.

 

A primeira guerra do Golfo foi decidida no final da presidência de George Bush pai perante a passividade da URSS, prestes a desintegrar-se. Washington proclamou então que a humanidade havia entrado numa era de paz permanente, sob a égide dos EUA, garantidores da Nova Ordem Mundial. Um obscuro epígono do capitalismo, Francis Fukuyama, saudou a morte do comunismo e anunciou o "fim da história", apontando o neoliberalismo como a ideologia para a eternidade.

 

O desmentido aos profetas imperiais não tardou. Quando as torres do Word Trade Center desabaram, o mundo entrou numa fase de turbulências anunciatórias de uma profunda crise de civilização. Após o 11 de setembro de 2001, Bush filho, alegando necessidade de uma "cruzada contra o terrorismo", e afirmando que Deus estava com os EUA, invadiu o Afeganistão, semeando a morte a destruição naquele remoto país da Ásia Central.

 

Depois chegou a segunda guerra iraquiana, iniciada à revelia do Conselho de Segurança das Nações Unidas. A terra milenar da Mesopotâmia foi ocupada, os seus museus saqueados, o seu petróleo e gás entregues às petrolíferas dos EUA, dezenas de milhares de iraquianos chacinados.

 

Auto-proclamando-se nação predestinada, com vocação para redimir a humanidade dos seus pecados, os EUA, sob a batuta da extrema-direita republicana, passaram a atuar como um Estado terrorista, disseminando o terrorismo pelo planeta.

 

Essa trágica situação somente foi possível pela cumplicidade da União Européia, do Japão e do Canadá, Estados ditos civilizados. Com o seu aval ao establishment bushiano, abriram as portas à barbárie.

 

A eleição de um negro para a presidência dos EUA gerou a ilusão de que o pesadelo iria findar. Mas Barack Obama, que chegou à Casa Branca com o apoio entusiástico do grande capital, mudou o discurso, mas manteve a política imperialista. Pior, agravou-a.

 

O pântano afegão

 

Admiradores do presidente norte-americano afirmam que ele é um humanista, vítima de uma engrenagem que o instrumentaliza. Mas a defesa que dele fazem não convence.

 

O Prêmio Nobel da Paz tomou decisões que contribuíram para aprofundar a crise mundial. No plano interno a sua política tem sido, no fundamental, de capitulação perante as exigências do grande capital. Significativamente, o seu secretário do Tesouro, Timothy Geithner, é um político que goza da confiança total de Wall Street.

 

No terreno internacional, o presidente aumentou muito o orçamento do Pentágono, pediu ao Congresso verbas colossais para as guerras asiáticas, enviou mais 30000 militares para o Afeganistão e faz da vitória nessa guerra uma prioridade da sua política exterior.

 

Entretanto, acumula derrotas no teatro afegão. A ofensiva no Helmand foi um fracasso; a de Kandahar foi sucessivamente adiada.

 

A divulgação dos documentos secretos oferecidos pela WikiLeaks ao NY Times, ao Guardian e ao Der Spiegel instalou o pânico na Casa Branca, e o inquérito sobre a fuga de informações classificadas abalou fortemente a confiança dos americanos no sistema de segurança do Pentágono.

 

Em declarações recentes, Julian Assange, o australiano que criou o WikiLeaks, afirmou que crimes cometidos pelo exército dos EUA excedem em horror os massacres do Vietnã. A chamada Força Tarefa Conjunta 373 tem por missão abater secretamente chefes talibãs e elementos suspeitos de pertencer à Al Qaeda.

 

Grupos de matadores especiais intitulados ‘Kia’ são responsáveis pelo assassínio de centenas de civis em ataques cujas vítimas são designadas nos relatórios como "mortos em ações".

 

O rol dos crimes das tropas de ocupação da OTAN também ocuparia muitas páginas. A chacina de Kunduz, de responsabilidade do contingente alemão, abalou o governo da chanceler Merkel, mas foi apenas uma das muitas matanças de civis cometidas pelas tropas de ocupação.

 

Julian Assange cita como exemplo das atrocidades dos aliados o bombardeio de uma aldeia por uma força polaca. Dezenas de pessoas ali reunidas para festejar um casamento morreram num ato de retaliação concebido com crueldade.

 

Rotineiramente, o alto comando norte-americano promove inquéritos nesses casos para "apurar responsabilidades". Mas ninguém é punido. Hamid Karzai, o presidente fantoche, protesta e pede providências, mas a indignação é simulada.

 

Milhares de civis nas aldeias da fronteira paquistanesa foram mortos pelos bombardeios realizados pelos drones - os aviões sem piloto. O atual comandante supremo, o general Petraeus, define essas ‘missões’ assassinas como indispensáveis ao êxito da nova estratégia de luta "contra o terrorismo".

Farsa dramática

Hillary Clinton, o vice-presidente Joe Biden e James Baker, o secretário da Defesa, têm visitado freqüentemente o Afeganistão.

 

A encenação pouco varia. Deslocam-se para levantar o moral das tropas, dizer-lhes que estão a lutar pela pátria, pela liberdade e democracia contra o terrorismo, que a luta exige grandes sacrifícios, mas que a vitória na guerra afegã é uma certeza.

 

Todos aproveitam para pedir ao presidente Karzai que "governe democraticamente", afaste colaboradores que não merecem a confiança dos EUA e ponha termo à corrupção implantada no país.

 

Karzai faz promessas, reúne assembléias tribais que lhe aprovam a política e repete que é fundamental negociar com os "talibãs recuperáveis". É ele, chefe da máfia, o primeiro responsável pelo sumiço de bilhões de dólares doados em conferências internacionais para o desenvolvimento e reconstrução do país, destruído pela invasão americana.

 

A realidade não alterou o método. Em Kabul, a última dessas conferências acaba de aprovar mais uns bilhões para ‘ajudar’ o Afeganistão.

 

Entretanto, a produção de ópio, insignificante à data da invasão, aumentou 90% na última década. É do domínio público que familiares do presidente mantêm íntimas ligações com o negócio da droga.

 

Nas suas periódicas visitas ao Paquistão, Hillary Clinton admoesta o presidente Asif Zardari pela insuficiência do esforço de guerra nas áreas tribais do Waziristão, na fronteira do Afeganistão. Joe Biden repete-lhe o discurso. Ambos insinuam cumplicidade do Exército com as chefias talibãs.

 

O primeiro-ministro britânico Cameron, ao visitar o país, foi tão longe nas suas críticas que o governo de Islamabad cancelou uma visita a Londres do chefe dos serviços de inteligência paquistaneses convidado pelo Intelligence Service.

 

Crônicas de correspondentes europeus em Kabul e declarações de soldados dos EUA regressados da guerra afegã esclarecem que a moral das tropas de combate caiu para um nível muito baixo.

 

A demissão do general Stanley McChrystal, que criticara numa entrevista o presidente Obama, contribuiu para acentuar o mal-estar no Alto Comando. O general tem um currículo de criminoso, mas as suas opiniões sobre a condução da guerra são partilhadas por muitos oficiais.

 

Assim vão as coisas na guerra podre do Afeganistão.

 

No Iraque, a "pacificação" é um mito, como demonstra o aumento de mortos em atentados a bomba em Bagdá e na região Norte, controlada pelos curdos. O discurso de Obama aos veteranos deficientes, no dia 1 de agosto, sobre a retirada das tropas foi um exercício de hipocrisia, semeado de mentiras e estatísticas falsas.

 

Na Palestina, Israel continua a bloquear Gaza, bombardeada com freqüência, e amplia a construção de casas na Jerusalém árabe e em colonatos na Cisjordânia.

 

O Irã é atingido por novas sanções, aprovadas pelo Conselho de Segurança, e a CIA promove atentados terroristas no Cuzistão, fronteira do Iraque, e na província de Baluche, no Paquistão.

 

Na América Latina, Uribe, nas vésperas de ceder a presidência a Juan Manuel Santos, seu filhote político, criou uma crise com a Venezuela bolivariana ao forjar acusações sobre a presença das FARC em território daquele país. Os EUA, que vão instalar 7 novas bases militares na Colômbia, aprovaram imediatamente a provocação.

 

Neste contexto de escalada militar em múltiplas frentes, a crise interna prossegue. O magro crescimento do PIB esconde a realidade.

 

O número de casas vendidas é o mais baixo dos últimos anos. Milhares de empresas fecham todos os meses. Em cidades outrora famosas pela riqueza, como Detroit e Pittsburgh, bairros inteiros estão hoje desabitados. O desemprego alastra. Nas universidades aumenta o ensino elitista. A tão elogiada reforma dos "cuidados de saúde" dificultou mais o acesso de milhões de imigrantes ilegais aos hospitais (Fred Goldstein, odiario.info, 22.04.2010).

 

A finança, essa prospera. Os gestores dos grandes bancos continuam a receber reformas e prêmios fabulosos. Um desses gigantes, o Wells Fargo, acumulou lucros de bilhões de dólares com a lavagem do dinheiro da droga (Cadima, "avante!", 29.07.2010).

 

O controle hegemônico do sistema midiático pelo grande capital impede, porém, a humanidade de tomar consciência da profundidade da crise. Nos EUA, pólo do sistema, o discurso do presidente transmite um panorama otimista da situação, anunciando melhores tempos e vitórias imaginárias.

 

Somente uma minoria de cidadãos, nos EUA, na Europa e nos demais continentes, está em condições de descodificar o discurso da mentira irradiado pelo grande capital.

 

Para as forças progressistas, ajudar os povos a compreender a complexidade e a extrema gravidade da crise do sistema é, por isso mesmo, uma tarefa revolucionária. Porque essa compreensão é fundamental para o incremento e dinamização da luta dos trabalhadores em cada país contra o projeto de dominação imposto pelo sistema que ameaça mergulhar a humanidade na barbárie.

 

Miguel Urbano Rodrigues é jornalista e escritor português.

 

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Última atualização em Terça, 31 de Agosto de 2010
 

A publicação deste texto é livre, desde que citada a fonte e o endereço eletrônico da página do Correio da Cidadania




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