Modelo? Que modelo?

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Há cerca de oitenta anos, a esquerda convencional, de matriz stalinista, abdicou da bandeira anticapitalista para aderir ao velho social-patriotismo da Segunda Internacional degenerada.

 

Com a burocratização da Revolução Russa, os interesses do Estado Soviético passaram a sobrepujar os interesses da Revolução Socialista. Nos países mais desenvolvidos, a esquerda convencional passou a defender a política de co-gestão do sistema capitalista através das famosas Frentes Populares, coligações eleitorais que reuniam partidos pretensamente de esquerda com setores de uma dita burguesia progressista.

 

Nos países retardatários, a esquerda convencional assumiu uma política nacional-reformista cujo esteio era a luta patriótica pela soberania e a consecução de algumas reformas que possibilitariam, num momento posterior e indefinido, que se chegasse a uma segunda etapa, a etapa da Revolução Socialista.

 

Assim, por longos anos, deixou-se de lado o anticapitalismo para centrar as energias contra o "inimigo comum" ao proletariado e à burguesia, que seria o imperialismo. Num primeiro momento, o imperialismo era representado pelos países centrais do capitalismo. Depois, deu-se um passo atrás no processo de degeneração política e reduziu-se a expressão antiimperialista aos yanques, supondo-se que eram eles a causa dos males sociais, e não o capitalismo.

 

Posteriormente, a esquerda convencional passou a denunciar um capitalismo selvagem, pretendendo que houvesse um modelo civilizado de capitalismo. Por fim, chegou a era do neoliberalismo. Tratava-se do modelo mais cruel de espoliação e isso motivou uma campanha exacerbada contra esse modelo.

 

Essa campanha deixava distante a necessária denúncia do capitalismo e passava-se a reivindicar outro modelo, que fosse menos cruel, e promovesse um pretenso desenvolvimento sustentável nos marcos do próprio sistema. Mas a questão não é trocar um modelo por outro. A questão é centrar a luta contra o capitalismo, independente do modelo que ele apresente.

 

Gilvan Rocha é presidente do Centro de Atividades e Estudos Políticos – CAEP.

 

Blog: http://www.gilvanrocha.blogspot.com/

 

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Comentários   

0 #3 Socialismo e universidadesAroldo Magno de Oliveira 28-08-2010 20:38
Em todo processo de mudança de sistema, a universidade tem uma força política significativa. Entretanto, é possível observar nessas eleições o quanto a universidade brasileira está distante da compreensão da necessidade de mudança do sistema cujo objetivo é rumar ao socialismo. Observaremos uma concentração não significativa de votos nos candidatos comprometidos com as mudanças estruturais. Muitos até acreditam que o governo Lula foi bom e votarão na Dilma. Outros são de extrema diretia e votarão no Serra, e outro bom número votará em Marina. Oxalá eu esteja equivocado, e que um dos candidatos do PSOL, PSTU, PCB ou PCO tenham maior número de votantes nas universidades: professores, funcionários administrativos e alunos.
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0 #2 SocialismoAroldo Magno de Oliveira 28-08-2010 20:30
Bastante pertinente o texto do Gilvan. Hoje, no Brasil, precisamos criar uma frente anticapitalista, isto é, socialista com muita atenção em não cometer os erros do passado. Para tanto, partidos como o PSOL, PSTU, PCB e PCO necessitam formar essa frente com os movimentos sociais populares que já compreenderam que nenhuma de suas reivindicações poderão ser plenamente atendidas sem a substituição radical do odioso capitalismo.
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0 #1 Dupla tarefaAlceu A. Sperança 28-08-2010 13:31
Na verdade, esse perfil de forças políticas que abriram mão de ser anticapitalistas cabe aos chamados "cidadanistas", pequenos-burgueses que ignoram a classe operária.

Não cabe de fato à esquerda, que é definida fundamentalmente por uma concepção maxista.

Esquerda, a rigor, é anticapitalista e anti-imperialista.

Se não é anticapitalista, não é esquerda!
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