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Os incontáveis perigos dos agrotóxicos no campo Imprimir E-mail
Escrito por Igor Felippe Santos   
Terça, 24 de Agosto de 2010
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O Brasil bateu recorde na utilização de agrotóxicos no ano passado. Mais de um bilhão de litros de venenos foram jogados nas lavouras, de acordo com dados do Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para a Defesa Agrícola. Com a aplicação exagerada de produtos químicos nas lavouras no país, o uso de agrotóxicos está deixando de ser uma questão relacionada especificamente à produção agrícola e se transforma em um problema de saúde pública e de preservação da natureza.

 

De acordo com dados divulgados em novembro de 2009 pelo Censo Agropecuário 2006 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), houve naquele ano pelo menos 25.008 casos de intoxicação de agricultores. Os dados também indicam que herbicidas, fungicidas e inseticidas foram usados em mais de um milhão de fazendas.

 

O pesquisador da Fiocruz, médico e professor da Universidade Federal do Mato Grosso (UFMT), Wanderlei Antonio Pignati, responsabiliza o agronegócio por essa expansão desenfreada. Para ele "é preciso discutir o modelo de produção agrícola que está aí. É um modelo insustentável". As transnacionais da agricultura vêm concentrando a terra e utilizando uma grande quantidade de agrotóxicos para garantir a produção em escala industrial. Também prometiam diminuir a utilização com os transgênicos, mas a aprovação de diversas variedades só aumenta o uso dessas substâncias químicas.

 

Pignati explica que "as sementes das grandes indústrias são dependentes de agrotóxicos e fertilizantes químicos. As indústrias não fazem sementes livres desses produtos, porque são produtores tanto das sementes como dos agrotóxicos. Criam sementes dependentes de agrotóxicos". Ele realizou estudos sobre os impactos dos agrotóxicos no Mato Grosso, demonstrando que nas regiões com maior utilização de agrotóxicos é maior a incidência de problemas de saúde agudos e crônicos.

 

Os trabalhadores das fazendas que aplicam os agrotóxicos, seus familiares que vivem nas áreas pulverizadas, a população das cidades vizinhas e os consumidores de alimentos são os principais prejudicados pela utilização excessiva de venenos.

 

Determinados agrotóxicos causam distúrbios neurológicos, respiratórios, cardíacos, pulmonares e no sistema endócrino, ou seja, na produção de hormônios, principalmente nas pessoas que trabalham diretamente na aplicação dessas substâncias.

 

Além disso, causam um desequilíbrio no ecossistema, com a contaminação dos poços artesianos de água potável, dos córregos, rios e lagoas, da água de chuva e do ar, além da própria produção que será comercializada.

 

O Brasil também é o principal destino de agrotóxicos banidos no exterior. Pelo menos dez produtos proibidos na União Européia (UE) e Estados Unidos são liberados nas lavouras brasileiras, de acordo com a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Os agrotóxicos ocupam o quarto lugar no ranking de intoxicações. Ficam atrás apenas dos medicamentos, acidentes com animais peçonhentos e produtos de limpeza. Houve registro de 6.260 casos provocados por agrotóxicos em 2007.

 

Laboratórios demonstram o risco de algumas substâncias provocarem problemas agudos e crônicos (veja abaixo).

 

Alimentos com resíduos tóxicos

 

Uma análise da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), realizada desde 2001, chamada Programa de Análise de Resíduos de Agrotóxicos em Alimentos (Para), acompanha os níveis de resíduos de agrotóxicos nos alimentos consumidos pela população acima do permitido por lei. Os dados impressionam: no pimentão, foram encontrados até 64,36% de resíduos de substâncias tóxicas acima do permitido; 36,05% no morango; 32,67% na uva; 30,39% na cenoura; 19,8% no alface; e 17,31% no mamão.

 

Para o professor Wanderlei Antonio Pignati "a tendência é aumentar a utilização de agrotóxicos. Por isso, é preciso uma política mais contundente do governo, dos movimentos de agroecologia e da sociedade, que cada vez mais consome agrotóxicos". 

 

Nesse quadro, o MST pretende fazer uma campanha nacional para denunciar os efeitos nocivos dos agrotóxicos, ao lado de cientistas, pesquisadores, organizações ambientalistas, movimentos populares, centrais sindicais e entidades ligadas à educação.

 

Nesse período, é importante também questionar os candidatos em relação às propostas para o controle dos agrotóxicos. Até agora, apenas José Serra (PSDB) se pronunciou sobre o assunto: propôs a criação do "defensivo agrícola genérico". Com o apoio à utilização dessas substâncias químicas, que contaminam os alimentos e o ambiente, Serra quer criar doenças crônicas e agudas genéricas…

 

O modo de produção do agronegócio, além de aumentar a concentração de terra e expulsar famílias do campo, sustenta a sua produção na utilização de agrotóxicos em escala industrial. Precisamos de um novo modelo de produção agrícola, baseado em pequenas propriedades, organizadas em agroindústrias gerenciadas por cooperativas de trabalhadores rurais, para garantir a produção de alimentos saudáveis e de qualidade para a população brasileira.

 

Doenças causadas por agrotóxicos

 

Saiba algumas das doenças agudas e crônicas causadas pelos venenos nos trabalhadores, suas famílias, populações que moram perto das fazendas e consumidores em geral:

 

Má formação fetal

Dor de cabeça

Diarréia

Vômitos

Desmaios

Náuseas

Problemas de rim

Doenças de pele

Irritação ocular e auditiva

Depressão

Lesão neurológica

Neurite da coluna neurológica cervical

Câncer

Problemas hormonais, neurológicos e reprodutivos

 

Igor Felippe Santos é jornalista, editor da Página do MST, integrante da Rede de Comunicadores pela Reforma Agrária e do Centro de Estudos Barão de Itararé.

 

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