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Holocausto “nunca mais” Imprimir E-mail
Escrito por Grupo São Paulo   
Quarta, 04 de Agosto de 2010
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Com o tema "A Prevenção Global do Genocídio: Aprendendo com o Holocausto", um dos acontecimentos mais trágicos que chocou o mundo no século XX foi alvo de debates, nesse último mês de junho, no Seminário Global de Salzburgo, Áustria. Segundo o ex-secretário da Organização das Nações Unidas (ONU), Kofi A. Annan, o que se espera desse encontro é produzir um programa anual sobre o nazismo para servir de apoio aos professores do 2º grau de todo o planeta.

 

No artigo "O mito do ‘nunca mais’ em relação a genocídios", Annan reiterou a importância histórica de um tema como esse fazer parte do currículo programático das escolas. Para o atual presidente honorário do comitê do Programa de Prevenção do Genocídio e Educação sobre o seminário de Salzburgo, é fundamental que, a partir desse aprendizado escolar, os estudantes incorporem para si valores universais como os direitos humanos, a tolerância, além de rejeitarem o racismo e qualquer tipo de preconceito estigmatizante.

 

No entanto, enfatiza Annan, "é surpreendentemente difícil encontrar programas educacionais que tenham apresentado sucesso indubitável em vincular a história do Holocausto à prevenção de conflitos étnicos e genocídios no mundo de hoje". Nesse contexto, reitera o ex-secretário, "não há dúvida de que é chegado o momento de levantar algumas questões difíceis a respeito da educação ‘tradicional’ sobre o Holocausto. Será que programas focados no sistema e na ideologia nazistas, e particularmente na experiência horrenda dos seus milhões de vítimas, se constituem em uma resposta efetiva, ou profilática contra, aos desafios que enfrentamos atualmente?".

 

Ampliando a pergunta realizada por Annan: qual será o significado do aprendizado sobre o Holocausto na vida particular dos alunos? Se formos pensar o que foi na prática o nazismo, tratou-se de levar às últimas conseqüências a institucionalização da já histórica, inclusive nas escolas norte-americanas no início do século XX, separação dos seres humanos em "iguais" e "diferentes", entre muitas outras dicotomias excludentes. Uma suposta anormalidade começou a ser vista como perigosa, capaz de contaminar os "puros" e "perfeitos", sendo necessário, portanto, implantar um processo radical de extermínio.

 

Não por acaso, além das câmaras de gás para os judeus, Hitler defendeu abertamente a eugenia para as chamadas hoje pessoas com deficiência, além de perseguir violentamente os ciganos e homossexuais. Talvez também não tenha sido coincidência que, logo após o término oficial do Nazismo, movimentos sociais de famílias passaram a lutar pela inclusão de seus filhos no sistema regular de ensino e pelo fim da estigmatização. Mas será que, mesmo com a inclusão, essa dicotomização já foi superada subjetivamente?

 

Independente da resposta, vale ressaltar que a experiência concreta da inclusão trouxe a possibilidade de aprendermos a lidar com o considerado, histórica e culturalmente, "diferente" do modo de vida dominante. Voltando então à problematização trazida por Annan em relação ao ensino tradicional sobre o Holocausto, podemos então generalizar o debate para uma crítica real em torno do que o pedagogo e pensador brasileiro, Paulo Freire, chamou de "educação bancária".

 

Pensando nas características do ensino tradicional, trata-se, segundo ele, de "encher" os educandos de conteúdos narrativos, de "retalhos da realidade desconectados da totalidade", o que significa na prática esvaziar a palavra de sua concretude, alienando o receptor da mensagem da realidade que o cerca, além de configurar um indivíduo extremamente egocêntrico, no qual a existência do Outro não faz mais diferença.

 

A simples narração de conteúdos históricos, já nos mostrou Freire, tende a petrificar o conhecimento e, nessa forma de educar, o educando tende a se tornar um ser paciente. Não há mais a práxis e muito menos a criatividade transformadora. Quanto ao ensino do Holocausto, é possível dizer que ele esteja recheado de "fatalismo", porém desligado da realidade cultural e singular do aluno, o mesmo ocorrendo com os conteúdos em geral apresentados no dia a dia alienante das escolas tradicionais.

 

Buscando inspiração na inclusão da pessoa com deficiência, estamos diante de uma oportunidade, quem sabe inédita, para pensarmos em uma educação mais democrática, em que a singularidade do aluno passe a ser levada em consideração, em que a percepção de seus dilemas concretos possa fazer pontes com realidades históricas aparentemente distantes de suas vidas. Caso as escolas não partam para experiências concretas de que somos iguais como seres humanos e diferentes em nossas singularidades, dificilmente conseguiremos impedir que novos "holocaustos", desde os mais imperceptíveis até os grandes genocídios, voltem a nos assustar.

 

Guga Dorea, Andrea Paes Alberico, Elisa Helena Rocha de Carvalho, João Xerri, o.p., José Juliano de Carvalho Filho e Thomaz Ferreira Jensen, do Grupo de São Paulo - um grupo de pessoas que se revezam na redação e revisão coletiva dos artigos de análise de Contexto Internacional do Boletim Rede, editado pelo Centro Alceu Amoroso Lima para a Liberdade, de Petrópolis, RJ.

contato: gruposp(0)correiocidadania.com.br

 

Artigo publicado na edição de julho de 2010 do Boletim Rede.

 

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