Confusão de sinais

 

A campanha eleitoral está fazendo com que a direita retome suas versões sobre o governo Lula, talvez um dos principais cabos eleitorais da candidatura Dilma. Da mesma forma que alguns setores da esquerda, a direita considera que o governo Lula simplesmente deu continuidade às políticas neoliberais do governo FHC, e que seus sucessos se deveram a tal continuidade.

 

É evidente que há confusão de conceitos e sinais. A direita quer creditar os avanços do governo Lula às políticas neoliberais. Os setores da esquerda, em oposição ao governo Lula, não acreditam que tenha havido qualquer mudança e debitam essa falta de avanços justamente ao suposto continuísmo neoliberal do governo.

 

A direita também fala de poucas mudanças. Mas elas estariam relacionadas à falta de continuidade das privatizações, à descontinuidade na transformação do Estado num Estado-Mínimo, e na não implementação de outros planos em curso no governo FHC. Os setores oposicionistas de esquerda, ao contrário, atacam Lula por ter persistido nas privatizações, por haver entregue o Estado à pilhagem de setores políticos corruptos, e por não haver realizado as mudanças estruturais que a sociedade demanda.

 

Embora seja possível detectar essas diferenças de conteúdo entre o discurso da direita e dos setores de esquerda, que estão em oposição ao governo Lula, a grande massa da população brasileira não consegue distinguir as nuances. A imagem que percebe é de uma unidade entre ambos os discursos. Ainda mais que, tanto a direita quanto a oposição de esquerda também expressam a opinião de que a popularidade do presidente estaria mais relacionada à sua capacidade demagógica e de cooptação dos movimentos sociais do que a qualquer percepção popular sobre as mudanças reais de sua situação.

 

Esse quadro fica ainda mais confuso quando, por exemplo, tanto o candidato Serra, quanto a candidata Marina, continuam elogiando os supostos aspectos positivos do governo FHC, de triste memória, e prometem dar continuidade a todos os programas do governo Lula. A diferença consistiria em fazer "muito mais", com um governo de coalizão que incluirá o DEM. O que leva boa parte do eleitorado a supor que os setores da esquerda oposicionista estão apenas trabalhando pelo retorno do desastre neoliberal ao governo.

 

Essa suposição poderá se tornar ainda mais forte se a candidatura Dilma decidir fazer um acerto de contas com o passado nefasto das políticas do governo FHC, nas quais Serra teve papel saliente e com as quais Marina teve um namoro de muito tempo. Dilma pode mostrar os efeitos das privatizações, que reduziram drasticamente os investimentos em infra-estrutura e em novas indústrias, deixando que a malha rodoviária e de portos se deteriorasse, que a produção de energia ficasse estagnada e levasse ao apagão, e que grande parte do parque industrial brasileiro entrasse em falência.

 

Dilma também pode mostrar o grau de destruição que as políticas tucanopefelistas causaram aos sistemas de planejamento e de elaboração de projetos do país, ao comércio exterior e às reservas internacionais do país. Pode ainda mostrar, na ponta do lápis, como a justificativa da venda das estatais para abater a dívida pública não passou de mentira deslavada, e como a economia brasileira estava em estado de falência quando Lula assumiu o governo em 2002.

 

Pode argumentar que foi essa situação caótica, herdada do governo FHC, e as ameaças provenientes do sistema financeiro internacional, que obrigaram o novo governo a adotar uma tática cuidadosa de enfrentamento. Isto é, não aplicar o cavalo-de-pau que as burguesias estrangeiras e parte da burguesia brasileira supunham que o novo governo iria aplicar. Embora fosse possível ser mais ousado, naquele momento o governo Lula preferiu não mexer em alguns pontos considerados pétreos pelo sistema financeiro internacional, como a taxa de juros e o superávit primário.

 

Além disso, pode afirmar que a manutenção da disciplina fiscal e monetária, observada pelo governo Lula desde então, pouco tem a ver com o neoliberalismo. Enquanto existir Estado, capitalista ou socialista, a disciplina fiscal e financeira terá que ser mantida para evitar fortes desequilíbrios na situação econômica e social. O neoliberalismo se apropriou hipócrita e teoricamente desse procedimento, para garantir que os países devedores honrassem suas dívidas. Enquanto isso, seu principal mentor, os Estados Unidos, continuaram transgredindo-a sem pudor. Mas isso não significa que a disciplina fiscal e monetária deva ser jogada no lixo como algo imprestável.

 

Por outro lado, pode mostrar que, num movimento de pinças que tinha como forças principais o programa fome zero e a reorganização da capacidade de planejamento e elaboração de projetos do Estado, o governo Lula foi criando paulatinamente as condições para dar partida a um processo firme e consistente de redistribuição de renda e crescimento econômico. Teve muita gente, tanto à direita, quanto à esquerda, que não se deu conta desse movimento relativamente silencioso, e acreditou que a manutenção da macroeconomia neoliberal seria para sempre.

 

Apesar disso, a esquerda oposicionista continua acusando o governo Lula de apenas ter promovido um modelo neo-desenvolvimentista que combina a junção do capital financeiro com o capital produtivo, e pratica políticas sociais de mitigação da pobreza. Portanto, não vê diferenças programáticas substancias entre as candidaturas Serra e Dilma.

 

Não leva em conta as diferenças entre o segundo mandato e o primeiro. Nem que, sem as manobras táticas do primeiro, talvez fosse difícil realizar as mudanças ocorridas no segundo, mudanças que tiveram enorme repercussão na vida e nas mentes das grandes massas populares do povo brasileiro.

 

Mas a esquerda oposicionista sabe que a volta da direita ao governo será um novo desastre para o povo brasileiro. Mesmo assim, e certamente sem querer, seu oposicionismo acaba ajudando a direita, que esconde seu histórico de políticas de espoliação do povo brasileiro e, hipocritamente, promete dar continuidade aos programas e projetos do governo Lula. Porém, talvez por isso, a candidatura Dilma se veja acicatada a ser mais ofensiva na explicitação de suas diferenças com Serra e Marina.

 

Wladimir Pomar é analista político e escritor.

 

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Comentários   

0 #10 Confluencia de interessesFrancisco de Assis N. de Castr 10-08-2010 14:04
O debate recente sobre a continuidade ou não do governo Lula em relação às políticas macroeconômicas neoliberais mostra a confluencia de interesses da direita e de certos setores da esquerda: derrotar o arco de alianças encabeçado pelo PT. A motivação da direita é óbvia, tendo em vista que a entrada em cenário de expressivos segmentos sociais antes excluídos dos bens produzidos pela sociedade põe em xeque os privilégios seculares das elites conservadoras. Mas os setores oposicionistas da esquerda desejam a volta da direita ao governo para que fique patente o caráter explorador do capitalismo, despertando a revolta e levando, consequentemente, à mobilização das massas para o assalto final ao Estado. Ora, esse esquema simplista de análise nada tem de marxista, pelo seu simplismo, mas é o fundamento do viés da oposição de setores de esquerda, por mais que eles tentem rebuscar seus argumentos com contorcionismos dialéticos.
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0 #9 Origem dos DadosRaymundo Araujo Filho 09-08-2010 11:29
Todos os dados por mim divulgados estão disponíveis no portal do IPEA, ligado ao gabinete da presidência da república. Só se o IUPEA virou sucursal de O Globo e caterva....

Ao darmos uma forte dose de glicose para um doente de pneumonia, ele irá se movimentar e roduzir imensamnente, por curto período, quando morrerá por exautão e infecção generalizada, pois o balanço energético é sempre negativo e demora algum tempo para se manifestar de forma fatal.
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0 #8 Convocação para o DebateRaymundo Araujo Filho 05-08-2010 10:15
Fico muito feliz em ver várias manifestações políticas muito bem articuladas, em relação ao artigo do WP. Penso mesmo que ele anda "exagerando na dose".

O Correio..e o esforço de sua equipe editora, a meu ver, ficam mais vivos e são "reverenciados", através da partiucipação de seus leitores, mesmo que isso não seja feito de forma exagerada (como eu me permito..).

O Debate é funda,mental aqui nesta página democrática e plural ( e com mão e contra mão, com equidade).

Assim, chamo aqui para o prestimoso Debate, sem ignorar (como autistas) os extensos argumentos que muitos de nós expusemos aqui nestes comentários.

Que vnham aqui DEBATER, e não reduzir nossas convicções a "invejas" oucoisa do gênero. Ao contrário, a verdadeira esquerda que vem aqui no Correio se manifestar, é composta de gente séria e capaz, imune a reducionismos cabotinos.

A fuga ao Debate concreto não passará desapercebida aqui no Correio, e estarei aqui para lembrar sempre isso.
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0 #7 rogelio nogueira salgado 05-08-2010 06:24
Parece que tem gente que quer ser mais real que a realeza, vem com dados mal contextualizados, usa a informação como lhe convem e ainda que nos fazer de idiotas. Para isso, basta o noticiário da grande mídia, que tem conotação preconceituosa e ridiculamente conservadora. É inquestionável o avanço do país. Não podemos acreditar em história do faz de contas, achando que um país que foi comandado de forma patrimonialista, por mais de 500 anos, conseguiria em oito, fazer todas as mudanças necessárias para se chegar a um patamar de equidade. Os barões estão fora das grandes decisões, mas ainda interferem diretamente nas suas consequencias, o atraso desse país representado por esta elite selvagem, ainda tem capilaridade para deturpar as informações. Veja, O Globo, Folha, Estadão, Rede globo e etc., nunca estiveram a serviço do Brasil, nunca estiveram compromentidos com um grande plano nacional de desenvolvimento economico e social, e sempre tentaram impor a fleuma do intelectualismo (sic), como determinante num processo administrativo. Quebraram a cara, bastou um operário, com um mínimo de sensibilidade assumir o governo e com uma tremenda intelectualidade empírica, pra se mudar a cara de um país miserável. Vá pro inferno, que tem saudade de FHC, ACM, Serra, e companhia. Quem critica as politicas atuais em andamento, nunca antes vista, só está ajudando ARENA, PDS, PFL e Demonios a voltarem para o governo. Chega desses entreguistas e lacaios do capital. O Brasil precisa ser Brasil.
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0 #6 O Bobo da corteJoão Batista 05-08-2010 04:26
O bolsa esmola (família) não está beneficiando 11 milhões de pessoas não, ele está favrecendo a um único espertalhão, que se não tivesse a certeza desses votos nem se candidataria, quanto mais colocar uma senhora que ninguém nas costas e sair correndo o pais na tentativa de elegê-la e continuar no poder. Olhem a situação da nossa educação, até com o enem eles acabaram, a saúde que o bobo ousou dizer estar perto da perfeição, a segurança, o transporte, as estradas federais que vergonha, ainda falam em superávite, eles perderam até a vergonha, é muito fácil deixar de pagar as contas, deixar de investir nas necessidades sociais para guardar dinheiro, igual a Martaxa fez em SP, saiu da Prefeitura falando que deixou o caixa cheio, só esqueceu de mancionar que deixou o município atolada em dividas. O que me deixa preocupado é saber que ainda tem quem DEFENDA isso como se estivessem vivendo no paraiso.
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0 #5 Perai...Sturt 05-08-2010 01:56
Esse discurso tem que ser feito é no segundo turno ,não agora...
Claro que devemos distinguir nossos pontos em relação a direita,porém temos que denunciar o que está acontecendo no Brasil,que é uma continuação da politica FHC.E mais, temos que apresentar como alternativa e não como oposição.
Agora, o numero de votas nas candidaturas de esquerda,mais os que votaria no pt ,porém vão votar nulo,devido a essa continuedade capitalista,serão menores do que a diferença entre o primeiro e o segundo candidato.
Então não temos com que preocupar,vale denunciar e propor alternativas,e é claro atacar a direita,como o governo,talvez até mais,porém não ficar refém dele(governo)...
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0 #4 Cinismo ou Esclerose?João Carlos Bezerra de Melo 04-08-2010 21:03
Com todo o respeito ao ilustre articulista e ao seu passado de lutas, tentar estabelecer um falso marco de "divisão de águas" na política econômica do governo Lula é quase um insulto à nossa inteligência. Quando a taxa de juros reais deixou de ser a mais elevada do mundo? O câmbio sobrevalorizado é apenas o corolário dessa política perversa de enriquecimento de banqueiros e comprometimento da capacidade de ampliação dos investimentos públlicos (os juros custam $ 380 bilhóes por ano). A essa taxa de juros, a especulação financeira internacional - é claro - acorre, célere, ao Brasil. E a absoluta liberdade conferida ao fluxo internacional de capitais, que se associa à taxa de juros reais mais elevada do mundo, promove o câmbio sobrevalorizado, que desmantelou as fatias do mercado externo antes cpturadas pela indústria nacional, fazendo o País retornar à condição de mero agroexportador, um novo paraíso das "plantations", do agronegócio que expulsa a mão-deobra do campo, faz incharem as cidades e resulta em impressinante reprimarização da economia.
Neste ano, o rombo do nosso balanço em transações correntes alcançará a apreciável marca de US$ 47 bilhões. Nessa marcha, em pouco mais de 4 anos as decantadas reservas internacionais se esgotam. E, das duas, uma: voltaremos a passar o pires, de joelhos, implorando ao FMI ou transferiremos mais ativos (os que ainda restarem) à propriedade transnacional.
Não poderia haver ninguém melhor do que Palocci e os neo-cnvertidos ao liberalismo com cara de esquerdistas para escrever essa nova crônica do avanço do imperialismo. Só que, evidentemente, do ponto de vista oposto ao de Lenin, Bukharin, David Harvey e tantos outros. O senhor Meirelles, essa estranhíssima e bizarra personagem, este não é convertido. O Lula foi buscá-lo no submundo obscuro da máfia financeira internacional.

João Carlos Bezerra de Melo
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0 #3 Não tem como voltarAlceu A. Sperança 04-08-2010 14:38
A direita não tem como voltar de onde jamais saiu. No Brasil de hoje, a direita é toda fantasiada de social-democrata.
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0 #2 Vocês querem Bacalhau?Raymundo Araujo Filho 03-08-2010 05:42
Já que o Lullo Petismo é cego, surdo e mudo para a realidade, vivendo em uma espécie de "autismo político", aliás muito comum naqueles que têm a sensação de estar no Poder, sem realmente conduzirem nada, ao contrário, apenas servindo de burros de carga para deleite e avanço do capital.

Nada lêem senão seus lambe botas (e bota lambe e botas nisso!), não interpretam os números expostos, todos eles oficiais, e que sob detalhada e qualitativa (não apenas quantitativa_ leitura) nos mostram o descalabro do (des)governo Lulla.

Os Programas de Transferências de Renda são alvos de vários estudos. Ontem o IPEA (gabinete da Presidência da República) lançou um estudo sobre o PNUD (Programa de Desenvolvimento das Nações - da ONU), com o título tendencioso "Estudo aponta a necessidade dos Programas de Transferência de Renda", para maquiagem do entreguismo do (des)governo Lulla.

Este estudo nos mostra que, após 8 anos de governo Lulla, 20% dos mais ricos continuam detendo e consumindo 59% da renda do país, e os 20% dos mais pobres, apenas 3,8%. Esta situação não melhorou nem em 3% a situação herdada de FHC.

Mas, o que o estudo não explicita, ou não é divulgado, é como se opera, e quais os números desta "Transferência de Renda", só que ao contrário, isto é dos Mais Pobres, para os Mais Ricos".

Vamos ao Telão (como diz o bordão de engraçada personagem humorística da TV):

O Bolsa Família beneficia cerca de 11 Milhões de pessoas, que recebem em média R$100,00, para que o governo possa dizer, mentirosamente, que 10 Milhões de pessoas saíram da miséria, sob o governo Lulla. Isto é, que 10 Milhões de pessoas ganham mais de R$4,10 até R$8,00 por dia. Isto dá, em conta bem aproximada, um gasto de R$13 Bi anuais para o governo. E, sem que nenhum Serviço Básico para a população funcione, como todos sabemos (ou não?).

Agora vem o outro lado da moeda.

Este mesmo estudo do PNUD nos mostra a triste realidade dos fatos (os números bem interpretados não mentem, jamais).

O governo Lulla gasta (em parte deixando de receber) anualmente quase R$400 Bilhões anuais com o que chamo de Projeto de Transferência de Renda para os Ricos, sob vários mecanismos que irei descrever a seguir.

Atentem que é de cerca de 30 vezes a diferença dos gastos do governo com os ricos, em relação ao que gasta com os Pobres, POR ANO. São cerca de 10 Trens Bala (ainda não superfaturado, como será) por ano, doados para os ricos.

E como se dá esta transferência de renda perversa? Muito simples e está em todos os jornais.

Isenções de impostos, tabela do IR que beneficia os mais ricos, facilidade do trânsito de capitais voláteis não taxados, desoneração do sistema financeiro, aumento das taxas de juros (R$50 Bi exonerados em 30 dias, recentemente e à vista), compra de serviços privados que seriam obrigação do Estado, facilidades extremas na concessão de créditos não ou pouco tributados, alta taxação dos alimentos da cesta básica e dos combustíveis, além das tarifas públicas e de serviços públicos (hoje, privados), onerando muito mais o pequeno consumidor (telefonia, água, luz, etc..), entre outros.

E mais, estes R$300 bi anuais têm um seguro que se chama Superávite Primário, que nada mais é do que uma reserva em grana viva e sequestrada pelo Governo, que hoje é na ordem de R$200 bi, somando então R$500 Bi anuais para os Ricos, e apenas R$13 Bi para os Pobres.

Assim, o IPEA apenas repete como um Papagaio de Pirata o ditame da Ordem Mundial que, ao expor estes números iníquos, traz o título que reafirma "a necessidade dos Programas de Transferência de Transferência de Renda", como uma senha para o que chamo de "esmolarização da sociedade", como se um país pudesse encontrar o seu eixo a partir de esmolas aos miseráveis.

Parece aqueles dadivosos que dizem que "se todos derem esmolas aos pobres, a pobreza acaba".

De minha parte, não cobro dos miseráveis que rejeitem as esmolas oferecidas. Mas, a minha contrapartida é alertá-los que por aí nada conseguirão em termos de dignidade e progresso.

E também, não posso me furtar de expor a realidade como ela é, negada por uma elite que se diz intelectual , mas que não passam de Bobos da Corte, Operadores do Crime Lesa Povo, ou meros Inocentes Inúteis.
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0 #1 Wendell Setubal 02-08-2010 19:12
As confusões lulistas continuam. Primeiro, o Pomar afirma que a população não distingue o discurso da direita do da esquerda oposicionista. Ora, se como esquerda oposicionista, ele se refere aos socialistas, é brincadeira comparar o acesso que a direita tem na mídia e na massa de candidatos seus em campanha com o acesso da esquerda. A grande massa NÃO sabe a posição da esquerda socialista, porque essa não chega na Globo, principal veículo de informação para as grandes massas. Mas Pomar prossegue, afirmando que qualquer Estado tem de ter equilíbrio fiscal. Esquece que superavit primário é invencionice neoliberal brasileira, que o lulismo manteve. Esquece que a Lei de Responsabilidade Fiscal separa como intocáveis as dívidas do setor público com os juros bancários. Só depois é que entra o discurso ideológico de receita igual à despesa. Com um nome pomposo desses, de Responsabilidade Fiscal, quem for contra é um Irresponsável, é o que diria o senso comum. Veja que um militante experimentado como o Pomar já está adequando seu discurso para aceitar o "equilíbrio fiscal" como se fosse lei acima das classes, acima do bem e do mal. Mais adiante, Pomar cita o Fome Zero como embrião do assistencialismo lulista, esquecendo que foi o abandono deste programa que levou Frei Betto a se afastar do governo. Além do Fome Zero, Pomar nos informa que a política de Palocci gerou as precondições para o desenvolvimentismo lulista. Outros epígonos do lulismo mencionam a saída de Palocci como divisor de águas. Mas para quem acredita no equilíbrio fiscal, Palocci tem de ser, de fato, elogiado. Nenhuma palavra sobre as alianças espúrias no Congresso, o "novo" Código Florestal que os ex-maoistas agora defendem. Enfim, crescer em moldes capitalistas, com a superexploração da força de trabalho que quem trabalha pra patrão conhece na prática, bons negócios, ou negociatas, com os Fundos de Pensão, e equilíbrio fiscal. Eis o novo receituário da esquerda pra barrar o avanço da direita. Com uma esquerda assim, tão apequenada em suas aspirações, tão "realista", precisa de direita?
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