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AVE: minha experiência Imprimir E-mail
Escrito por Paulo Metri   
Terça, 27 de Julho de 2010
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De tanto me esforçar, finalmente consegui ter um Acidente Vascular Encefálico, nome mais abrangente do que o antigo e mais conhecido AVC. Não fiz os exercícios que qualquer um deve fazer, exceto o de correr atrás dos ônibus; comi todos os churrascos e feijoadas que me tentaram; fui a todos os eventos fora da hora do trabalho que me pareciam interessantes; envolvi-me em calorosos debates em defesa do conjunto da sociedade, que nunca me nomeou para tal; esqueci de tomar muitos dos remédios receitados para combater o colesterol e outros vilões do sistema; enfim, me esforcei para valer.

 

Graças à medicina atual e aos médicos que me atenderam, passei dez dias com muito sofrimento, mas, aparentemente, fiquei sem seqüelas. Os desdobramentos após o AVE que foram valiosos. Por exemplo, o pensamento expresso pelo meu médico, algo como: "Agora, que vida você quer para você? Esta que lhe gerou um AVE ou outra com prioridades melhor escolhidas e um diferente conceito de realizações?" A minha primeira reação foi perguntar: "Mas, não seria egoísmo não participar de lutas em um país tão cheio de injustiças? O alienado é o medicamente correto?" A sua resposta de pronto foi: "Não, participe da luta que julgar relevante, mas esteja consciente da sua capacidade de mudar o mundo e não fique frustrado com o que conseguir. Se você quiser falar mais sobre este ponto, eu lhe recomendo ter um acompanhamento psicanalítico."

 

Constatações não podem deixar de ser registradas, nem que sejam somente para elucidar fatos. Cada amigo que entrava na UTI dava-me uma alegria grande: não estou só neste mundo! Cheguei até a pensar que, agora, tenho um déficit no balanço de visitações a doentes, pois visitei menos do que fui visitado durante a minha vida. Não sei nem se tenho possibilidade de saldar esta dívida no espaço da minha sobrevida. Teve uma pessoa muito amiga que quase lançou a campanha Paulo Metri 2014 para eu suceder a Dilma. Agradeci muito toda a solidariedade recebida, mas, neste caso específico, apesar de também agradecer, pedi a ela para não se desligar do real.

 

Mas houve uma visita que me deixou surpreso. Foi de um cidadão cujas posições são sempre para empurrar seu partido político para aparecer. Não recrimino quem faz política partidária, até porque já fiz. Porém, a racionalidade social deve estar acima da racionalidade partidária. Pois bem, uma pessoa deste tipo que quis e quer controlar uma entidade da sociedade civil da qual participo, com óbvia reação minha, entrou na UTI dizendo ser solidário comigo neste momento de dificuldade. Não sei de onde, mas arrumei alguma reserva de sociabilidade e agradeci a sua visita, pensando comigo mesmo: "para ele, se eu tivesse morrido, teria sido bem melhor". Ele parece não ter ideal, a não ser o de querer chegar ao poder.

 

Desculpem meu ato pretensioso, mas, se alguém sente culpa com relação ao meu acidente, declaro, para não deixar ninguém com este sentimento, que eu fui o único culpado pelo meu AVE, com minha pouca visão de futuro e a crença na minha imortalidade.

 

Lembrei-me daquele chavão dito por todo consultor econômico que cobra muito caro, sobre as crises trazerem consigo as oportunidades. Pois é, o que aconteceu comigo pode ter sido a oportunidade de trocar uma vida não tão realizadora, pois estava perdido no mar de objetivos meritórios e não meritórios, por outra mais realizadora e mais longa. Posso dar um aviso aos controladores de entidades para eles ficarem com todas que quiserem, pois, além da minha resistência já ser minúscula, ela não existirá mais, até porque não tenho delegação do povo que deveria ser o maior interessado em tolhê-los.

 

Paulo Metri é conselheiro da Federação Brasileira de Associações de Engenheiros.

 

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Última atualização em Terça, 27 de Julho de 2010
 

A publicação deste texto é livre, desde que citada a fonte e o endereço eletrônico da página do Correio da Cidadania




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