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Por trás da demissão do general McChrystal, o fiasco no Afeganistão Imprimir E-mail
Escrito por Luiz Eça   
Qui, 01 de Julho de 2010
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Há um ano, Barack Obama substituiu o comandante das forças americanas que havia nomeado no Afeganistão pelo general Stanley McChrystal, atendendo recomendação (ou pressão) do Pentágono.

 

E logo McChrystal causou problemas. Exigiu um reforço de mais 40 mil soldados, do contrário haveria perigo de que "a missão falhasse". Custaria muito caro, não era uma boa idéia num país tomado pela crise econômica.

 

Não querendo arriscar-se a ser o responsável por um possível desastre, Obama topou, mas reduziu para 30 mil, elevando o contingente americano em quase um terço. Na ocasião, impôs um prazo para começar a saída do Afeganistão: julho de 2011.

 

O novo comandante implantou a nova estratégia do Pentágono: a Contra-Insurgência (COIN). Mas as coisas não saíram como ele queria. De acordo com a COIN, o exército deveria aproximar-se da população afegã, tornar-se amigo e protetor e assim ganhar seu apoio contra os talibãs. Continuar matando civis nas operações militares seria, portanto, contraproducente. Para evitar isso, McCrhystal emitiu sua série de restrições à ação dos soldados americanos.

 

Ora, eles tinham sido treinados para atirar primeiro e investigar depois; não gostaram nada das novidades. Ainda de acordo com a COIN, devia concentrar-se o máximo de poder de fogo contra o inimigo para não lhe dar qualquer chance. Daí os 40 mil homens de reforço inicialmente solicitados e o aumento das Forças Especais - que caçavam e assassinavam chefes inimigos atrás de suas linhas - de 4 para 19 equipes.

 

Mas tudo já começou não dando certo. Seja pela relutância do exército em aceitar as regras humanitárias impostas, seja pelo aumento dos ataques e a expansão das operações das Forças Especiais, ou por tudo isso reunido, o fato é que nos quatro primeiros meses de 2010 as tropas da OTAN tinham matado 90 civis, 76% a mais do que no mesmo período em 2009.

 

Outro item da estratégia da COIN - aproximar-se o governo e das autoridades locais para orientá-las na reconstrução do país - também não foi muito bem. McChrystal ligou-se ao governo Karzai e aliou-se aos chamados "warlords" (senhores da guerra) na luta contra os talibãs. Esses "warlords" são chefes políticos regionais que dispõem de verdadeiros exércitos particulares, tendo ajudado as forças da OTAN a expulsar os talibãs do governo do Afeganistão.

 

Tanto Karzai quanto os "warlords" revelaram-se aliados incômodos. Aquele pela grande corrupção muitas vezes denunciada até por enviados de Obama. Os segundos porque continuaram (juntamente com os talibãs) a explorar o ópio, mantendo o Afeganistão responsável por 90% da produção mundial. Além de muitos deles dedicarem-se a seqüestros, extorsões, assassinatos, ocupação de terras alheias, ameaças a jornalistas – fatos fartamente documentados pela Anistia Internacional e pelas organizações de direitos humanos afegãs. A dirigente de uma delas, Maghferat Samimi, certa vez, recebeu um telefonema do general Abdul Rashed Dostum, amigo dos EUA e nomeado Chefe do Estado Maior pelo presidente Karzai, ameaçando-a de estupro "por 100 homens" caso continuasse a investigar um caso de estupro no qual ele estaria implicado.

 

Desse jeito, ficou difícil conquistar os ‘hearts and minds’ do povo afegão. Também no campo de batalha a nova estratégia militar americana está fazendo água. Diz Willian Dalrymple no New Statesman, de 22 de junho: "Certamente está ficando mais claro do que nunca que os antes odiados talibãs, longe de serem varridos pelo fortalecido exército do general Stanley McChrystal, estão, pelo contrário, se reagrupando, prontos para o capítulo final da história do governo fantoche de Hamid Karzai instalado pelo Ocidente".

 

Provavelmente há um pouco de exagero nisso. Mas Dalrymple, um expert em Afeganistão, cita fatos em favor de suas conclusões. O Talibã dá as cartas em 70% do país, onde cobra impostos, aplica a sharia (lei muçulmana) e dispensa justiça. Ele avançou suas fronteiras até as portas da própria Cabul ao ponto de ninguém poder sair de lá sem escolta militar. De acordo com recentes informações do Pentágono, o governo Karzai controla apenas 29 dos 121 distritos estratégicos. Os exércitos da OTAN e seus aliados, os "warlords", dominam somente a região norte do país.

 

Para mudar esta escrita, McChrystal lançou seu primeiro ataque de vulto contra a cidade de Marjac, considerado um centro de talibãs, com grande produção de ópio. Tudo foi bem: expurgada a região dos inimigos e reorganizada a administração e a polícia, os americanos se retiraram.

 

Programou-se então uma operação mais ambiciosa, tendo por alvo a grande cidade de Kandahar, tida como berço e santuário dos talibãs. Mas teve de ser adiada quando McChrystal recebeu a notícia de que os talibãs tinham retomado o controle de Marjac, apenas três meses depois de terem sido expulsos de lá.

 

Longe de se perturbar com esses insucessos, McChrystal atribuiu-os a problemas causados por políticos e burocratas americanos. E tratou de pedir novos reforços ao seu governo.

 

Esse pedido veio em mau momento. A operação no Afeganistão deixara de ser a "guerra favorita de Obama". Diante dos fracassos, as esperanças estavam sumindo. Críticas de diplomatas, assessores e políticos minavam o prestígio de McChrystal. A crise econômica minava o prestígio do presidente. Terrível, pois no fim do ano há eleições para o Congresso e em 2012 serão as presidenciais.

 

As pesquisas mostravam o presidente em queda. Na última delas, no começo de junho, feita pelo Washington Post-ABC News, 57% viam Obama como um líder forte, contra 43%, enquanto que há 14 meses estes índices eram, respectivamente, 77% e 22%.

 

De outro lado, a guerra do Afeganistão era cada vez mais impopular nos EUA. Segundo a pesquisa da Opinion Research/CNN, 56% dos americanos diziam-se contra e apenas 42% a favor. Reforçada por considerações eleitorais, uma nova idéia ganhou força no governo: sair logo. Se com 9 anos de guerra, pouquíssimo foi avançado, as perspectivas de vitória a curto ou mesmo médio prazo eram remotas. Sair o mais breve possível passou a ser o caminho lógico. Afinal, a invasão fora para liquidar a Al Qaeda no Afeganistão. E isso tinha acontecido. A maioria dos seus membros está escondida nas montanhas do Paquistão. Sobraram uns poucos, de 50 a 100, segundo Leon Panetta, o chefe da CIA. Com isso, Obama e seus principais auxiliares passaram a falar em "sair do Afeganistão", enquanto McChrystal e seus principais oficiais apregoavam a certeza da vitória, ignorando ou pondo em dúvida o prazo de julho de 2011 para o início da retirada.

 

Os debochados comentários de McChrystal e sua "entourage" vieram, portanto, em boa hora. Demitindo o general, Obama livra-se de um chefe que não estava tendo êxito, que não aceitava sua idéia de "sair quando der", exigindo uma esquizofrênica vitória e criando atritos com os auxiliares do presidente. Tal atitude daria a Obama a imagem de um "strong man", firme na defesa da "supremacia civil sobre os militares", algo sagrado nos EUA. Pesquisa da Angus Reid provou que Obama foi na direção certa, mostrando uma aprovação ao seu gesto de 53% contra 23%.

 

Ao nomear o novo comandante, o presidente escolheu o general Petraeus, talvez o principal defensor da COIN. Não podia ou não quis desagradar o Pentágono, padrinho do general demitido. Tanto Obama quanto Petraeus juraram que a estratégia não seria mudada. A não ser num ponto fundamental: nas regras para evitar mortes de civis durante os combates, pois ao proteger os civis, elas estariam desprotegendo os soldados.

 

Preocupado em não alimentar esperanças que poderiam ser falsas, Obama recuou no prazo que havia dado para iniciar a retirada. Garantiu que tinha havido um mal entendido quanto a isso. O que ele dissera é que em julho de 2011 apenas começaria a passar as funções do exército americano aos afegãos. Nesse instante, certamente seu nariz ficou mais comprido, pois sua promessa de começar a retirada naquela data é pública e notória.

 

De qualquer modo o general Petraeus é um homem flexível, o pessoal da Casa Branca espera poder trabalhar bem com ele. Quem sabe conseguirá alguns êxitos substantivos, como a tomada de Kandahar, sem exigir novas e numerosas tropas, que custam caro, num momento de caixa vazio. Aí Obama teria condições de impor um acordo aos talibãs que os fizesse cortar os laços que ainda restam com a Al Qaeda e baixar as armas, em troca de participação no governo Karzai. O que permitiria aos EUA saírem com honra e ao presidente ganhar preciosos pontos junto a seu eleitorado.

 

Claro, esta perspectiva não é muito realista. O mais provável é que a guerra se arraste através de avanços e recuos até sabe Deus quando. Consumindo vidas e bilhões de dólares e produzindo lucros imensos, em termos de dinheiro e poder, àqueles que vendem as armas e aos que comandam seu uso.

 

Luiz Eça é jornalista.

 

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Última atualização em Quarta, 07 de Julho de 2010
 

A publicação deste texto é livre, desde que citada a fonte e o endereço eletrônico da página do Correio da Cidadania




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