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O MST, a esquerda e o “descenso” das massas Imprimir E-mail
Escrito por Antonio Julio de Menezes Neto   
Qui, 01 de Julho de 2010
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O MST é, sem dúvidas, um dos mais importantes movimentos sociais e políticos do Brasil e do mundo contemporâneo. Apresenta uma importante radicalidade ao questionar a propriedade privada capitalista e ao não renegar o socialismo e as possibilidades de superação do capitalismo. Colocou as ações diretas e o enfrentamento ao poder dominante econômico e político no centro de suas ações.

 

Estas ações ficaram demarcadas, principalmente, nos anos 1990 e início dos anos 2000. Ou seja, no período de maior expansão do capital na sua fase neoliberal, de crise das idéias socialistas, do fim da URSS, da incorporação destas políticas no Brasil pelo período FHC, o MST nadou contra a corrente e conseguiu se impor. Num período de crise dos movimentos sociais e em que o movimento sindical, representado pela CUT e Força Sindical, se retraiu para o pragmatismo de oferecerem cursos de capacitação, o MST incomodou as elites, o poder político e econômico e o preconceito, se organizando para ganhar as ruas das cidades e as terras passíveis de reforma agrária, e até mesmo com um novo projeto educativo.

 

Eu analisei estas ações, hoje circunscritas ao período FHC, em meu livro "Além da terra: cooperativismo e trabalho no projeto educativo do MST", Ed. Quartet, em que mostro como, em um período de retração dos movimentos sociais e sindicais no Brasil e no mundo, o MST havia conseguido, pelas ações diretas e por não se curvar ao pragmatismo, ser uma referência para as esquerdas brasileiras e mundiais.

 

Porém, os anos 2000 trouxeram ao Brasil uma nova realidade: a vitória eleitoral de Lula da Silva, um presidente que continuava as políticas de seus antecessores, com algumas diferenças lógicas, mas que tinha uma origem no movimento popular e um ótimo relacionamento pessoal com as massas populares.

 

Este novo governo contribuiu para desarticular ainda mais os movimentos sociais, sindicais e políticos de esquerda. Importantes movimentos, como a CUT, a UNE/UBES e tantos outros iriam aderir, com entusiasmo, ao projeto capitalista, em sua fase liberal-social, do novo governo. Outros manteriam sua postura crítica, como o MST, porém sem a força do período anterior. Estranhamente, passaram a adotar o discurso do "descenso das massas" como algo dado e a ver o governo Lula como um governo de contradição e "em disputa", quando todas as ações do governo demonstravam que o seu direcionamento era para manter a reprodução do capital. Assim, o MST permaneceu como o mais importante movimento social e político brasileiro, mas diluído nas contradições do governo Lula.

 

O problema é que o MST, que foi a grande referência nos mais duros anos de implementação da ideologia neoliberal, que havia mostrado que era possível se organizar, ir para as ruas, ocupar, debater uma nova educação, dentre outras ações; mesmo num período em que tudo dizia não ser possível, que era a referência para a organização contra-hegemônica em um período de hegemonia quase absoluta do capital, passou a assumir o discurso de alguns outros movimentos de "descenso das massas".

 

Ou seja, quem havia mostrado que podemos organizar a contra-hegemonia mesmo nos períodos adversos, muda o discurso e a prática. Passa a se adequar, ainda que parcialmente, ao discurso da "impossibilidade" deixando de lado sua rica experiência dos anos 1990.

 

Precisamos, todos os que lutam pela superação do capitalismo, beber nas fontes das ações do MST nos anos 1990 e início dos anos 2000 e deixar de lado o conformista discurso de "descenso das massas", adotado, inclusive, pelo MST no período Lula. O Movimento dos Sem Terra possui a chave, que deve estar escondida, ou perdida, em algum canto de algum assentamento. Cabe ao MST e à esquerda recuperarem a chave das mobilizações. Afinal, "não sabendo que era impossível, foi lá e fez".

 

Antonio Julio de Menezes Neto é cientista social, doutor em Educação e professor na UFMG. Contato: antoniojulio(0)uai.com.br

 

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Última atualização em Sexta, 02 de Julho de 2010
 

A publicação deste texto é livre, desde que citada a fonte e o endereço eletrônico da página do Correio da Cidadania




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