topleft
topright
ISSN 1983-697X

Boletim Diário

Email:
Para assinar o boletim de
notícias preencha o
formulário abaixo:
Nome:

Brasil nas Ruas

Confira os artigos sobre manifestações e movimentos sociais no Brasil.

Arquivo - Artigos

Áudios

Correio da Cidadania, rádio Central 3 e Revista Vaidapé fazem “debate autônomo” sobre as eleições  

Leia mais...
Image

Plinio de Arruda

MEMÓRIA

Confira os textos em homenagem a Plinio


Leia Mais

Plinio em Imagens



Confira a vida de Plínio


Charge


Imagem




Artigos por data

 Nov   December 2016   Jan
SMTWTFS
   1  2  3
  4  5  6  7  8  910
11121314151617
18192021222324
25262728293031
Julianna Walker Willis Technology

Links RSS

Correio da Cidadania Correio da Cidadania Correio da Cidadania Correio da Cidadania Correio da Cidadania

Áudios - Arquivo

AumentarDiminuirVoltar ao original
A era Porfírio Diaz no México Imprimir E-mail
Escrito por Guga Dorea   
Terça, 22 de Junho de 2010
Recomendar

 

Progredir de forma científica e ordenada. Influenciada pelo positivismo de Augusto Comte e seus seguidores, sobretudo Emile Durkheim, Porfírio Diaz governou o México entre os anos de 1876 e 1911. O objetivo desse artigo, dando seqüência à trilha que desembocará na Revolução Mexicana de 1910, será o de apontar as distinções e também semelhanças desses dois períodos que marcaram o México até os dias de hoje. As eras Benito Juárez e Porfírio Diaz.

 

Não é intenção promover aqui um aprofundamento teórico e histórico sobre o que foi o positivismo. No entanto, talvez seja necessária, para se compreender a influência positivista no governo Diaz, uma breve lembrança do que foi filosoficamente essa forma de se conceber o mundo e o nosso cotidiano. O positivismo surgiu na França na segunda metade do século XIX, sendo que há muita controvérsia sobre seu criador. Por outro lado, quem ficou marcado como o principal idealizador da concepção positivista foi Comte, seguido de Durkheim.

 

Em linhas gerais, os positivistas defenderam a hipótese de que, para se contrapor ao avanço do marxismo, era necessário impor ordem ao que o liberalismo entendia como liberdade individual e Estado mínimo. Para a concepção positivista, os problemas sociais e a própria sociedade só poderiam ser compreendidos empiricamente a partir de pesquisas científicas.

 

Comte acreditava que a sociedade, para funcionar, deveria estar dividida de uma forma rigidamente hierárquica. A fronteira entre os que mandam e os que obedecem, segundo ele, teria que ser regiamente marcada e não poderia ser desconstruída. Só assim, o capitalismo progrediria com ordem, sendo coibido os excessos do individualismo gerados pela escola mais radical do liberalismo.

 

Hierarquicamente, cada setor da sociedade deveria desempenhar adequadamente o seu papel para o bem do desenvolvimento linear de toda a sociedade. Não poderia, dessa forma, haver fraturas nesse todo e muito menos desvios de qualquer espécie.

 

O próprio Durkheim fez alusão a uma orquestra tradicional, onde o maestro deve guiar todos os músicos ao que se costuma chamar de harmonia musical, onde as partes devem ser diluídas em nome do todo, apesar da necessidade de se manterem as individualidades de cada músico. Agora, se algum instrumentista desafinar, o remédio é tirá-lo da orquestra para que a organicidade do todo não se perca. Caberia a esse desgarrado duas únicas saídas: adequação ou exclusão.

 

Não por acaso também, o positivismo ortodoxo comparou a sociedade ao corpo humano. Cada parte do corpo tem que funcionar corretamente para que o indivíduo possa continuar a viver com saúde e vivacidade. De acordo com os positivistas, o mesmo deveria ocorrer com a sociedade. Para isso, torna-se fundamental ela seja conhecida por cientistas que viessem a observar os fenômenos sociais e detectar possíveis "doenças ou patologias sociais" para, na seqüência, aplicar os respectivos remédios curativos.

 

Segundo a clássica divisão de Comte, todo esse processo cientificista viria a substituir os estados teológicos e metafísicos da humanidade. O próprio termo "positivo" era concebido como o real em contraposição ao irreal, imaginário, sobrenatural, ou seja, a tudo aquilo que não era comprovado empiricamente.

 

No positivismo não se busca o porquê dos fenômenos sociais e sim como coibir os que surgem e atrapalham o desenvolvimento harmônico e ordenado do sistema, sempre pensando em sua própria sobrevivência. Daí a palavra "conservador", aquele que deseja manter e aprimorar o que está aí, não pensando em possíveis transformações que venham a criar um novo modo de conceber a nossa existência.

 

O positivismo no México

 

Um dos principais influenciadores do positivismo no México foi Gabino Barreda (1818-1881). Tratou-se de um pensador extremamente popular entre os personagens que lutaram pela instauração da República daquele país. Em um primeiro instante, o ideal positivista se adequava ao que pensavam os liberais em relação à divisão política da igreja e do Estado.

 

Só assim, diziam os positivistas, o México poderia ultrapassar a fronteira dos estados teológico e metafísico para chegar ao positivista. Explicando de outra maneira, a época da colônia estaria totalmente inserida no estado teológico, sendo a luta anti-colonial considerada o estado metafísico e, com o advento da República, finalmente o México teria chegado à sua emancipação, ou seja, ao estado positivo e "civilizatório".

 

Contra os 13 anos de Benito Juárez no poder e o radicalismo liberal no governo Sebastián Lerdo de Tejada, Porfírio Diaz, assume o poder no México e leva às últimas conseqüências o crescimento a qualquer custo, sempre se pautando pela cartilha positivista. A busca pelo lema positivista "ordem e progresso", em contraposição à liberdade individual proclamada pelos liberais, passou a dominar no México.

 

Nesse período, Gabino Barreda ajuda a fundar a "Escola Preparatória Nacional", acreditando que o sistema educacional deve ser o lócus privilegiado para o estudo de todos os fenômenos da natureza, desde os mais simples até os mais complexos, começando pelo raciocínio matemático como uma espécie de elo indispensável para se alcançar uma educação verdadeiramente científica.

 

Com a finalidade de se alcançar a "paz social", dizia Barreda, é necessário um conhecimento preciso de como funciona a sociedade. Só dessa forma, no seu entender, haveria progresso, sem contradições ou distorções. O sistema de ensino, enquanto isso, era concebido por ele como uma ferramenta indispensável para a coesão social.

 

A partir dessa perspectiva, entra em cena o chamado darwinismo social de Herbert Spencer, ou seja, vence na vida, sob o ponto de vista da lógica do mercado capitalista, quem tiver mérito e capacidade para tal, o que significa alimentar o estigma dos derrotados, fracos e inferiores, como aqueles que não conseguiram alçar vôos mais altos nesse escopo competitivo e hierárquico, visto como natural e provadamente científico.

 

Em nome da ordem e do progresso, portanto, a base de apoio do governo de Porfírio Diaz foi a camada latifundiária que defendia, como sua principal bandeira política, a eliminação dos Ejidos (terras comunais de origem indígenas), visualizados como a camada inferior do sistema que deveria, caso não se adequassem aos novos tempos, ser eliminada para não se tornar obstáculo do crescimento econômico.

 

O chamado porfiriato, diante disso, estabeleceu um "pacto político" entre, de um lado, os latifundiários e, de outro, o capital estrangeiro, sobretudo americano, francês e britânico. Porfírio Diaz foi um general que lutou contra a ditadura de Sant’Anna e participou do movimento pelas reformas liberais contra a França, mas após sua subida ao poder utilizou-se também de instrumentos extremamente ditatoriais para combater os próprios liberais, além dos anarquistas e marxistas.

 

Quanto aos movimentos sociais, as palavras de ordem foram repressão ou cooptação em nome do que era intitulado como "pax porfirialista". Logo que chegou ao poder, Porfírio Diaz tratou logo de "pacificar" os ânimos de quem, segundo ele, estaria atrasando o progresso, ao se manter em estados anteriores considerados "primitivos".

 

Ele passou a ter uma política de "conciliação" partindo para a repressão contra os que não se alinhavam à sua linha de ação. Praticou, em função disso, uma política de dizimação e extermínios contra os índios Yaquis e Maias, sob o pretexto de insubordinação. Através do terror, foi limpando a área para o avanço do capitalismo monopolista. Resultado: o México cresceu, entre 1876 e 1900, algo em torno de 8% ao ano, mas à custa do aumento da pobreza e da miserabilidade da grande maioria da população mexicana.

 

A idéia de que o progresso é um processo racional e deliberado, partindo do pressuposto de que esse crescimento inexorável, promovido a partir do que podemos chamar de engenharia social e científica, levaria ao bem estar para o todo, caiu por terra, abrindo as portas para a revolução de 1910. O progresso como fenômeno científico gerou, na prática, a já conhecida separação entre a minoria rica e a maioria hiper-explorada e excluída. O Estado, como locomotiva econômica, ampliou a concentração de renda e do poder político nas mãos dos defensores dos interesses dessa minoria.

 

Sob a égide do progresso do capitalismo, instalou-se a destruição, o medo e a produção de estigmas contra todos os que tentaram manter e positivar a sua diferença em detrimento de uma fictícia igualdade, que não era de direitos, e sim de serem igualmente integrados a um sistema que exigia – e exige até hoje – resignação e passividade.

 

Guga Dorea é jornalista e cientista político. Atualmente é colaborador do Projeto Xojobil e integrante do Instituto Futuro Educação (IFE).

 

Recomendar
Última atualização em Quarta, 23 de Junho de 2010
 

A publicação deste texto é livre, desde que citada a fonte e o endereço eletrônico da página do Correio da Cidadania




Para ajudar o Correio da Cidadania e a construção da mídia independente, você pode contribuir clicando abaixo.


Vídeos

Índios Munduruku: Tecendo a Resistência

Imagem

Documentário sobre as resistências indígenas às hidrelétricas do Tapajós
Leia mais...

A Ordem na Mídia

Eugênio Bucci: “precisamos de um marco regulatório democrático na comunicação”


Há uma falência nos modelos de negócios refletida nas relações trabalhistas, na concentração de propriedade, formação de monopólios e oligopólios e no aparelhamento por parte de igrejas e partidos. Entrevistamos Eugênio Bucci, jornalista e professor da ECA-USP, que afirmou a necessidade de um marco regulatório democrático para fortalecer a democracia no Brasil.
Leia mais...


Brasil_de_fato
Adital
Image
Image
Banner_observatorio
Image
Image
Image
Image
Image
Image
Image
Image

Diario Liberdade

Espaço Cult

Image
Image
Revista Forum
Joomla Templates by JoomlaShack Joomla Templates