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Ho Chi Min (3) Imprimir E-mail
Escrito por Wladimir Pomar   
Quarta, 16 de Junho de 2010
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Em 1939, Ho Chi Min estava na China, buscando chegar ao Vietnã. Eram muito fortes os indícios de que os japoneses pretendiam ir muito além da ocupação da China e invadiriam seu país. Em oposição aos que achavam verazes as promessas do Japão de libertação contra os colonialistas franceses, Ho Chi Min alertava que seria um erro trocar um dominador por outro. Para ele, o Japão tinha pretensões de domínio mundial e tendia a se tornar inimigo principal do povo vietnamita.

 

Nessas condições, tornou-se uma necessidade criar uma Frente Única Nacional Anti-Imperialista. Ela deveria mobilizar a esmagadora maioria do povo vietnamita, inclusive os latifundiários, numa situação em que as tropas francesas se tornariam forças auxiliares da ocupação nipônica. Isto, em virtude da capitulação e o colaboracionismo do governo títere francês de Petain com as tropas nazistas.

 

A contribuição de Ho Chi Min na elaboração e execução dessa política de frente única foi fundamental para a guerra de resistência contra o Japão, entre 1940 e 1945, assim como para a proclamação da República Democrática do Vietnã, logo depois. Mas Ho Chi Min não tinha dúvidas de que a França tentaria recolonizar o país, destruindo a nova república e a independência conquistada.

 

Apesar disso, o governo democrático do Vietnã fez todo o esforço possível para evitar uma nova guerra. Sugeriu, inclusive, que a República Democrática do Vietnã se tornasse parte da Commonwealth francesa, uma concessão que, a muitos, pareceu sinal de fraqueza. No entanto, para ter novamente o máximo de forças nacionais contra a recolonização, era preciso deixar claro a todo o povo vietnamita que a responsabilidade pelo fracasso das negociações de paz cabia, única e exclusivamente, ao governo francês.

 

Em 1946, a França desembarcou suas tropas em pontos estratégicos do Vietnã, com o auxílio das tropas inglesas. O governo democrático e suas forças armadas foram obrigados a retirar-se para as áreas rurais montanhosas. A luta de libertação contra os imperialistas franceses caracterizou-se, mais uma vez, por se tornar uma luta popular de frente única, com a mobilização de lutas sociais e políticas de diferentes tipos.

 

Ela unificou sob a bandeira de libertação e independência nacional os operários, os camponeses, as classes médias urbanas e setores da burguesia nacional e dos latifundiários. Obrigado a travar a luta armada, o Partido Comunista do Vietnã, sob a direção de Ho Chi Min, perseverou no caminho de transformá-la numa luta de todo o povo, e não apenas dos guerrilheiros e do exército popular contra os exércitos colonialistas franceses.

 

Ho Chi Min possuía clareza de que, sem conquistar a participação efetiva, embora diferenciada, de todo o povo na guerra contra os agressores estrangeiros não poderia consolidar uma forte base social e política de apoio. E que, sem este apoio social e político, qualquer ação armada contra uma força militarmente mais poderosa correria o perigo de ser derrotada.

 

A visão de que qualquer guerra se vence fundamentalmente na disputa política foi uma importante contribuição teórica e prática de Ho Chi Min. Isto é especialmente necessário no enfrentamento de inimigos mais fortes, econômica e militarmente. Sem laços profundos com as principais camadas sociais da população, sem estar intimamente ligado a elas, vivenciando o dia-a-dia de suas dificuldades e de suas lutas, desde as menores até as maiores, não é possível sugerir que elas se proponham a realizar o "assalto aos céus", como Marx chamou as revoluções operárias e populares.

 

Ho Chi Min também se esforçou mais uma vez para mostrar que não existe um fosso profundo entre a luta de libertação nacional, que exige uma ampla aliança de classes, com a luta pelo socialismo, que deve preparar a sociedade para a construção de um sistema sem classes, eliminando qualquer tipo de opressão e exploração do homem pelo homem. Na época do imperialismo, o socialismo deveria ser o sistema político capaz de garantir não só que os operários e camponeses tivessem condições dignas de vida, mas também que as classes sociais proprietárias, ameaçadas pelos monopólios imperialistas, sobrevivessem por um tempo relativamente longo e ajudassem no processo de desenvolvimento de seu país.

 

Esse parece ser o sentido profundo da proposta que emergiu do processo revolucionário vietnamita, de uma aliança de longa duração entre os operários e os camponeses, e entre essas duas classes fundamentais e as classes médias urbanas e setores da burguesia nacional. Traduzida em termos sociais e econômicos, essa proposição política significava que o processo de construção socialista comportaria, por um tempo relativamente longo, dependendo do grau de desenvolvimento social, a convivência entre formas de propriedade social e formas de propriedade privada, tendo como meta o desenvolvimento das forças produtivas.

 

Da mesma forma que Ho Chi Min considerava que, na aliança política, ocorria tanto cooperação quanto luta, dentro de certos limites, pode-se deduzir que ele supunha que o mesmo ocorreria com a convivência entre as formas de propriedade social e as formas de propriedade privada. O processo real de construção socialista no Vietnã, como em outros países, está indicando que o pensamento de Ho correspondia à evolução da realidade.

 

O Vietnã hoje pratica uma ampla aliança política, social e econômica para desenvolver suas forças produtivas e se transformar num país avançado, moderno e próspero, com o conjunto de sua população vivendo um padrão de vida elevado. Numa situação internacional totalmente diferente dos anos 1970, quando teve que derrotar o poderio militar dos Estados Unidos, o Vietnã ampliou o arco de suas alianças, incluindo a participação de empresas estrangeiras na construção socialista, para avançar mais rapidamente na superação de seus problemas históricos.

 

As contribuições de Ho Chi Min sobre a luta de libertação nacional e a luta pelo socialismo têm constituído âncoras que os vietnamitas utilizam para enfrentar os desafios que as alianças atuais colocam diante de si e de outros povos do mundo.  Aprofundar seu conhecimento pode ajudar outros povos, como o brasileiro, a dar solução a desafios idênticos, que o final do século 20 e o início do século 21 colocaram diante deles.

 

Wladimir Pomar é escritor e analista político.

 

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