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Estados Unidos de Israel Imprimir E-mail
Escrito por Luiz Eça   
Terça, 15 de Junho de 2010
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"Na minha carreira, Israel não só ficou no meu coração, como tem sido o centro do meu trabalho como senador e agora vice-presidente dos EUA", Joe Biden.

 

Em 1967, durante a Guerra dos Seis Dias, Israel conquistou a Cisjordânia, onde iniciou um programa de assentamentos que até hoje continua. Na mesma ocasião, as colinas de Golã, parte do território sírio, também foram anexadas. Em 1982, o exército israelense invadiu o Líbano e ocupou-o militarmente durante vários anos. Nessa ocasião, foi cúmplice no massacre de refugiados palestinos em Sabra e Chatila.

 

Todas estas ações foram condenadas pela ONU que, no entanto, não pôde tomar nenhuma atitude repressiva devido aos vetos dos Estados Unidos no Conselho de Segurança.

 

De lá para cá, os israelenses continuaram a usar da força militar contra os árabes de forma violenta e ilegal. O primeiro-ministro Ariel Sharon começou a construção de um muro nas fronteiras com a Cisjordânia, invadindo cidades e propriedades agrícolas palestinas. Através dos chamados "assassinatos coletivos", aviões e comandos de Israel executaram na Cisjordânia dezenas de cidadãos suspeitos de terrorismo. Enquanto isso, agentes do Mossad, incógnitos, espionavam e matavam inimigos no exterior. Neste ano de 2010 agentes israelenses usaram passaportes falsificados de países amigos para entrar em Dubai e ali assassinar um líder do Hamas. Novas condenações da ONU e indignação até de governos europeus, mais uma vez tornadas sem efeito pela oposição dos EUA.

 

Em 2006, em represália à morte de um soldado pelo Hizbollah, Israel atacou o Líbano, matando cerca de 1000 civis e danificando seriamente a infra-estrutura do país. O cessar-fogo buscado pela comunidade internacional foi retardado pelos EUA, visando dar mais tempo para os israelenses poderem matar um número maior de membros do Hizbollah, que defendia o Líbano.

 

Em 2007, quando o Hamas, vencedor das eleições democráticas da Palestina, assumiu o controle de Gaza, Israel reagiu seqüestrando deputados e membros do governo local e instituindo o bloqueio da região. Com isso, a população tornou-se vítima da fome e a economia foi pesadamente golpeada. Como retaliação, o Hamas lançou foguetes sobre o território israelense. Foi o pretexto para que Israel bombardeasse e invadisse a Faixa de Gaza, em 2009. Cerca de 1400 palestinos morreram, mais de mil deles eram civis, inclusive crianças; 5.000 casas foram destruídas, bem como hospitais, escolas, usinas e edifícios da ONU. Mais uma vez, os EUA apoiaram Israel. E fizeram o mesmo quando um inquérito da ONU acusou o exército israelense de crimes de guerra e contra os direitos humanos.

 

Finda a guerra de Gaza, o bloqueio israelense continuou, permitindo a entrada apenas de alimentos e remédios estritamente essenciais. Só para dar uma idéia: até 2007, cerca de 4.000 tipos de bens entravam em Gaza – sob o bloqueio israelense, somente 40. Os materiais de construção necessários para reconstruir a cidade em ruínas foram proibidos. O resultado é que Gaza vive uma catástrofe econômica, praticamente sem indústrias e com um desemprego de 40%.

 

O bloqueio de Gaza configura punição coletiva, o que é considerado crime pelo direito internacional. No entanto, sem os EUA não há como forçar Israel a levantá-lo.

 

Mas eis que Israel foi longe demais. Pirataria, assassinato de 10 ativistas e seqüestro do navio que levava socorro humanitário a Gaza, bem como de seus passageiros, chocaram o mundo. A comunidade internacional em peso protestou e exigiu condenações. Foi demais mesmo para aliados próximos dos EUA como Inglaterra, França, Alemanha e Itália.

 

Desta vez, parecia difícil salvar Israel. Mas, mesmo assim, a Casa Branca não abandonou seus "aliados especiais".

 

Inicialmente, o porta-voz da presidência limitou-se a declarar: "os EUA deploram profundamente as perdas e os ferimentos que se verificaram e estão trabalhando para entender as circunstâncias associadas à tragédia". Foi na mesma linha de argumentação o primeiro-ministro Netanyahu: é preciso examinar os fatos antes de condenar. Como se o ataque ao navio em águas internacionais, os assassinatos à bala e o seqüestro dos passageiros não fossem fatos que falam por si.

 

Na reunião do Conselho de Segurança da ONU, as coisas ficaram mais difíceis. Obama conseguiu impedir a condenação de Israel, mas, diante da indignação dos outros membros do Conselho, teve de aceitar a proposta de se criar uma comissão de investigação independente. Agora está fazendo o possível para melá-la. A idéia é deixar o exército israelense fora do inquérito, como, aliás, Netanyahu exige, buscando encontrar alguns eventuais "podres" na ONG turca que organizou a viagem. Ou seja: investigar a vítima em vez do criminoso.

 

É verdade que os EUA fazem coro com as nações que pedem o fim do bloqueio de Gaza. Até Hillary Clinton afirmou que o bloqueio é insustentável. Teria de mudar. Mas não falou em acabar. Para os EUA o plano israelense de manter Gaza fechada para impedir a normalização de sua vida e assim gerar o descontentamento da população contra o Hamas parece continuar aprovado...

 

Aqui cabe uma pergunta. Interessa aos EUA continuar apoiando Israel incondicionalmente, não importando suas ações ilegais e criminosas contra os árabes?  

Em termos racionais, não. Ou melhor, não mais.

 

Durante a Guerra Fria, quase todos os principais Estados islâmicos do Oriente Médio – Egito, Síria, Irã e Iraque – tinham governos nacionalistas, apoiados pela União Soviética. Os EUA contavam somente com Israel e a Arábia Saudita. Precisavam deles - especialmente de Israel - para disputar a hegemonia na região, importante pelas riquíssimas jazidas de petróleo.

 

Depois da queda do muro de Berlim, a União Soviética evaporou-se e as coisas mudaram. O Egito, antes o mais poderoso opositor islâmico da Casa Branca, tornou-se um aliado fiel, assim como outros Estados menores, entre eles a Jordânia, o Kuwait e os emirados do Golfo. O Iraque também entrou na órbita do império, ao ser conquistado pelo exército do Tio Sam. E o Estado de Israel deixou de ser uma peça básica na política externa americana na região. Pelo contrário: suas sucessivas ações violentas sujam a imagem dos EUA, devido ao constante apoio americano aos governos de Telaviv, inclusive fornecendo anualmente 3 bilhões de dólares em armamentos, muitas vezes usados contra os próprios árabes. O que vem resultando no crescimento do anti-americanismo e da adesão dos jovens árabes aos movimentos terroristas numa região onde os EUA têm imensos interesses petrolíferos e estratégicos. Meir Dagan, chefe do Mossad, sumarizou com argúcia essa situação ao depor perante a Comissão de Assuntos Estrangeiros do Congresso Israelense: "Israel está progressivamente tornando-se um fardo para os Estados Unidos".

 

Forças poderosas têm se articulado para manter o governo dos EUA num caminho masoquista, carregando esse fardo que é cada vez mais pesado.

 

Os lobbies pró-Israel estão entre os principais responsáveis. Eles vêm aplicando vastos recursos financeiros para manter na linha os principais partidos. Conforme J.J.Goldberg informou no seu livro "The Jewish Power", em 1994, 45% dos fundos do Partido Democrata e 25% do Partido Republicano foram fornecidos pelos comitês de ação política dos lobbies judaico-americanos. Em 2006, Richard Cohen, no Washington Post, atualizou esses dados para respectivamente 60% e 35%. Os recursos dos lobbies representavam 60% do total dos fundos de campanha dos candidatos presidenciais democratas.

 

O vulto desses financiamentos torna os partidos americanos dependentes dos lobbies pró-Israel. Daí o poder de influências na política externa americana de que eles dispõem.

 

O maior e mais influente dos lobbies é a AIPAC. Ela originou-se de uma pequena entidade, a AZC, fundada em 1950. Nos anos 60, uma investigação do Senado descobriu que a AZC vinha lavando milhões de dólares enviados pela "Jewish Agency", de Jerusalém, para conquistar as mentes dos políticos americanos. Pelas leis dos EUA, a AZC teria de se registrar como agente estrangeira israelense. Não ficaria bem. Por isso, seus diretores resolveram incorporar a "American Israel Public Affairs Comittee" e fundar uma nova entidade, a AIPAC.

 

Com o apoio dos capitais judaico-americanos, a AIPAC expandiu-se rapidamente. Conta hoje com 100 mil membros e um orçamento anual de 65 milhões de dólares. Para dar uma idéia do seu poderio, em 2008 sua reunião anual contou com 5.000 participantes, inclusive 2/3 da Câmara dos Representantes e metade do Senado. Em 2009, foram 7.000 participantes, metade do Senado e mais de 1/3 da Câmara. Como uma mão lava a outra, os congressistas chegam até a colocar-se contra a política externa do seu país, no interesse do governo de Israel.

 

Isso aconteceu quando 330 deputados e 56 senadores de ambos os partidos aprovaram uma mensagem a Obama exigindo que ele parasse de pressionar Israel contra os assentamentos e que, pelo contrário, passasse a exigir dos países árabes concessões ao governo de Telaviv.

 

Quando o exército israelense submetia Gaza a um bombardeio impiedoso, por 390 contra 5 votos, a Casa dos Representantes prestou-lhe integral apoio, o que prejudicou bastante os esforços do presidente Obama para conquistar a boa vontade do mundo árabe.

 

As opiniões dos congressistas são também influenciadas pelos eleitores judeu-americanos. As pesquisas mostram que eles votam em massa nos candidatos que defendem Israel. São mais fortes em 13 estados chaves, que concentram 94% desse eleitorado. Seu poder é mais significativo em Nova York e Florida, onde podem até decidir eleições.

 

Além de financiarem partidos e candidatos, as associações pró-Israel exercem um intenso trabalho de relações públicas junto à mídia. Anunciantes são mobilizados para fazer pressão. Por sua vez, os ativistas cumprem uma função importante. Colunistas e editores vacilam em criticar Israel, pois sabem que se o fizerem serão sufocados por milhares de cartas e e-mails protestando, enviados por membros dos lobbies. Outro grupo que pesa nas decisões da Casa Branca em defesa das ações ilegais do governo israelense é o lobby dos armamentos. Em 2008, esse setor produziu vendas no valor de 155 bilhões de dólares, empregando 5 milhões de trabalhadores.

 

Para 2010, o orçamento das forças armadas americanas chega a 858 bilhões de dólares. Certamente uma boa fatia será aplicada na compra de armamentos. Às indústrias do setor não interessa a paz entre judeus e palestinos, que reduziria seus lucros, pois implicaria fatalmente na redução do terrorismo árabe e na abreviação da guerra do Afeganistão. Cada vez que as forças armadas de Israel lançam uma operação contra os árabes, a paz fica mais longe e o setor armamentista trata de somar sua pressão à dos lobbies judaicos em favor do apoio da Casa Branca a seus "aliados especiais".

 

Finalmente, a última das principais fontes do apoio incondicional a Israel são o Partido Republicano, o Partido do Chá e os pastores-atores de rádio e TV, de inclinação direitista. Para eles, os nacionalistas árabes serão sempre o inimigo, pois no passado foram aliados dos russos e no presente contestam o império americano, do qual esses grupos são ardentes defensores. Já Israel, além de estar sempre ao lado dos EUA, seria uma democracia, com valores semelhantes aos da nação americana. Uma barreira contra a expansão do terrorismo, que esses setores da direita americana costumam associar aos árabes de um modo geral.

 

Levando em conta o poder que direta ou indiretamente tais grupos exercem sobre a opinião pública, Henry Siegman, ex-líder da AIPAC, afirmou: "Ser crítico de Israel significa negar-se a possibilidade de vencer na política americana".

 

Pode até ser. No entanto, pesquisa do Instituto Zogby, realizada em 29 de março último, mostra que pelo menos os eleitores democratas começam a mudar de opinião a respeito das coisas no Oriente Médio.

 

Pela primeira vez, a maioria deles vê Israel de modo desfavorável – apenas 42% são a favor. Já os republicanos não mudam – 92% estão com Israel e não abrem. Somente 20% dos democratas favorecem o primeiro-ministro Netanyahu, contra 84% dos republicanos.

 

O apoio dos democratas aos palestinos aumentou para 35%. Só 6% dos republicanos os vêem com bons olhos.

 

Assentamentos judaicos na Palestina são aprovados por reles 14% dos democratas e 34% dos independentes. Os republicanos a favor são 62%

 

Finalmente, 63% dos democratas, 40% dos independentes e 13% dos republicanos acham que o governo dos EUA deve pegar duro com Israel.

 

No caso do massacre do Mediterrâneo, Obama teria, portanto, uma boa base de apoio para dar uma virada na tradicional política americana rasgadamente pró-Israel.

 

Encontraria dificuldades no Congresso se exigisse uma investigação realmente independente e o fim do bloqueio da região. Mas as pesquisas mostram que pelo menos o eleitorado democrata, que o fez presidente, estaria com ele. Sem falar na opinião pública dos países árabes e até dos demais países do Ocidente.

 

Sim, Obama pode. Pode iniciar sua prometida mudança pela firme defesa da causa do povo de Gaza.

 

Ou isso, ou se realizará o vaticínio atribuído ao ministro da Defesa, Ehud Barak, com referência aos crimes no navio de socorro a Gaza: "Esperem mais duas ou três semanas e tudo será esquecido e a pressão sobre nós se dissipará".

 

Luiz Eça é jornalista.

 

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Última atualização em Qui, 17 de Junho de 2010
 

A publicação deste texto é livre, desde que citada a fonte e o endereço eletrônico da página do Correio da Cidadania




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