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Escrito por Emiliano Morais   
Terça, 08 de Junho de 2010
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A sociedade brasileira cada dia mais se encontra entorpecida com os desserviços que as empresas da comunicação lhe implicam. Seus conteúdos parecem não estar relacionados entre si, tudo é organizado com a intencionalidade de não haver conexão, de estarem prontos para ser consumidos pelos indivíduos que os têm em mãos.

 

Os indivíduos que consomem esse produto entram em estado de anestesiamento perante a realidade que os confronta, tendo apenas sentimentos melancólicos com o mundo em sua volta.

 

Essa capacidade de transpor os homens e mulheres ao concreto aparente vem na roupagem de imparcialidade dos fatos e acontecimentos que compõem as páginas dos periódicos e dos jornais televisivos. Numa imparcialidade parcial e com uma definição clara de classe, destina todos os seus esforços ao trabalho de educar as massas aos ditames burgueses.

 

Atrelada a essa parcialidade que define a função social de tais meios, surgiu também uma espécie de amnésia aguda "tendenciosa", que seria uma amnésia provocada pela dita imparcialidade.

Amnésia esta que os faz não compreender os fatos e acontecimentos tal como são?

 

Nos gerais de Guimarães Rosa, o opiniático jornal Estado de Minas demonstrou de forma imprudente a sua jaez corrupta "amnésica". Desprendido de um surto "amnésico" impactou-se com a descoberta de que na capital mineira em pleno século XXI opera a existência de Sem Tetos, e que curiosamente estes transtornam a vida política da ilustre cidade.

 

O que não foi dito a este contemptor Estado de Minas é que o fantasma que ronda a capital e que responde por um singelo nome de Dandara é apenas a manifestação da repulsiva política habitacional, ou melhor, da falta de uma política habitacional, exercida pela prefeitura do condado de Belo Horizonte, que no seu horizonte mescla apenas cinza das fábricas e dos barracões de zinco dos seus operários.

 

O adorado periódico mineiro esbalda titubeações em torno do recém ocorrido, mas o que ele não sabe, e que se explica pela recém lesão cerebral, é que tal fantasma não é novo.

 

Passado quase um ano desde a ocupação, em abril de 2009, com a participação de vários movimentos urbanos e rurais e com o apoio da sociedade, o Estado de Minas entra numa tarefa inglória de questionar a legalidade da ocupação, que conta com mais de 887 famílias.

 

O periódico alega que a ocupação realizada pelo MST (outro erro grave, pois, apesar de ter todo o apoio, essa ocupação não é do MST) emperra o processo de construção de moradias populares pela prefeitura através do programa federal "Minha casa, minha vida". Como explicar que áreas públicas destinadas à construção de moradias populares de um programa público não podem ser ocupadas por Sem Teto? Se de fato essa é a intenção da prefeitura, maiores motivos têm agora para realizar.

 

Ali naquela ocupação, senhores editores, existem homens e mulheres, famílias que viviam em encostas e em áreas de risco e que, se as Brigadas Populares e o MST, com o apoio dos movimentos pela moradia, comunidades religiosas e outros movimentos, não os tivessem resgatado para essa ocupação, com certeza os periódicos estariam trazendo fotos de seus corpos soterrados pelos deslizamentos de terras, provocados pela penúria de suas moradias nas favelas.

 

O que sabemos, e a sociedade também, é que vocês senhores são todos lacaios da burguesia e que ensarilham aos interesses da burguesia mineira e atacam os movimentos sociais no intuito de construir no imaginário da sociedade um tipo de transtorno que não existe, ocultando com isso o verdadeiro interesse, que é destinar aqueles quase 400 mil metros quadrados de terras às empresas de construção.

 

O MST é parte e apóia incontestavelmente essa ocupação, e a considera legítima e legal. O Estado de Minas se equivoca quando relaciona o MST como único agente desta ocupação, pois sua realização só foi possível com a parceria do movimento com as Brigadas Populares e com o apoio de tantos outros movimentos.

 

Emiliano Morais é membro da direção estadual do MST de Minas Gerais.

 

Contato: emilianomorais(0)gmail.com

 

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