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Escrito por Wladimir Pomar   
Terça, 25 de Maio de 2010
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Com a aplicação das políticas de desenvolvimento nacional em países da periferia, a globalização deixou de ter o neoliberalismo como única vertente. Embora os resultados da vertente desenvolvimentista tenham sido diferentes de país para país da periferia, os resultados gerais foram superiores aos dos países e regiões que aplicaram a vertente neoliberal. Basta comparar boa parte dos países da Ásia e alguns países da África, com a América Latina, onde o neoliberalismo fez estragos consideráveis. E comparar o Brasil da atualidade com o Brasil do tempo em que o neoliberalismo, com Collor e FHC, foi soberano.

 

Em muitos países em desenvolvimento, a questão social deixou de ficar circunscrita às políticas assistenciais para se transformar em políticas efetivas de redistribuição de renda e ampliação dos direitos de participação na riqueza da nação. Várias nações da periferia deixaram de confiar na livre movimentação financeira e na total passividade em relação aos procedimentos das frações financeiras do capital no exterior, e aumentaram os controles sobre essa movimentação.

 

Deixou de ser uma norma o congelamento dos padrões de vida. Embora a população mundial vivendo abaixo da linha da pobreza ainda seja imensa, a transformação dos países agrários em países em desenvolvimento industrial permitiu retirar da linha da pobreza mais de um bilhão de pessoas nos últimos 20 anos. E embora a distribuição da riqueza ainda seja desigual, o número dos que ascenderam da pobreza para as classes médias se elevou consideravelmente.

 

Vários desses países em desenvolvimento reduziram sua distância em relação aos países centrais. China, Índia e também o Brasil disputam melhores posições no ranking de desenvolvimento. Ao mesmo tempo, em conjunto com os demais países em desenvolvimento, passaram a ter voz ativa nos assuntos internacionais. Assim, por mais que se esforce, a superpotência não mais consegue tomar decisões sozinha, vendo-se obrigada a realizar sondagens e consultas em relação a uma série enorme de questões.

 

É verdade que a dependência da disponibilidade de recursos energéticos não renováveis, para manter o elevado padrão de vida do Primeiro Mundo, que consome quatro vezes mais petróleo por habitante do que a periferia mundial, é algo como um calcanhar de Aquiles para a redução da distância centro-periferia. Mesmo assim, faz algum tempo que as quatro ou seis irmãs petroleiras deixaram de dominar todas as fontes de combustíveis fósseis, ao mesmo tempo em que o uso de energias renováveis avança mais rapidamente do que se supunha há alguns anos. A situação hoje é mais favorável aos países periféricos do que há 20 anos atrás.

 

Nada disso significa que esteja resolvida a contradição entre o discurso neoliberal sobre a globalização e a tendência de desenvolvimento adotada por vários países emergentes. Embora o fracasso econômico e político do neoliberalismo seja reconhecido, até em alguns círculos de Washington, suas idéias continuam fortes em relação a uma série de questões. Ainda hoje, por exemplo, há muita gente que acredita que crescimento econômico causa inevitavelmente inflação, devendo ser freado. Ou que políticas públicas de distribuição de renda para a redução da pobreza são despesas inúteis que deveriam ser evitadas.

 

Paralelamente a isso, a diversidade e a multipolaridade do novo mundo que está surgindo talvez imponham um processo político e militar ainda mais complexo do que aquele que levou à transição da hegemonia imperial inglesa para a norte-americana, durante o século 20. Não se pode esquecer que a superpotência continua com um poder destrutivo inigualável e mantém inabalável sua pretensão hegemônica e dominadora. Porém, ela está cada vez mais se parecendo com o Império Romano, que dependia dos tributos das regiões dominadas para se manter em pé, o que pode levá-la a medidas desesperadas.

 

Além disso, os gastos em armamentos traziam embutidas as contradições de causar destruições e perdas imensas de riquezas e, ao mesmo tempo, gerar empregos e desenvolver as tecnologias e as ciências, assim como promover a riqueza tanto dos fabricantes de armas quanto das nações bélicas. Até a Guerra do Golfo, pelo menos, os investimentos em armas mantiveram, para a superpotência, as vantagens de gerar empregos, desenvolver tecnologias e ciências e canalizar riquezas para seus fabricantes de armas e para o Tesouro dos Estados Unidos.

 

No entanto, depois disso, parece estar cada vez mais evidente que o desenvolvimento das ciências e das tecnologias na produção de armas elevou-se a tal sofisticação e custo que talvez tenha invertido aquelas vantagens. As guerras do Iraque e do Afeganistão estão mostrando que os Estados Unidos tornaram suas armas cada vez mais destrutivas, trazendo lucros enormes para seus fabricantes e desenvolvendo ainda mais a capacidade científica e tecnológica. Porém, como nação, os EUA já não conseguem recuperar seus gastos. Além de gerar poucos empregos, as guerras estão perdendo sua capacidade de produzir crescimento econômico e riquezas para a sociedade que tem o poder de provocá-las.

 

Este parece ser um problema que pesará cada vez mais sobre a superpotência. O fato de o governo Obama ter proposto uma verba de quase um trilhão de dólares para despesas com armamentos é uma indicação da força ainda preponderante do complexo industrial-militar na política da superpotência. Mas só vai agravar aquela contradição, ao invés de resolvê-la.

 

Se olharmos o sumário acima com certa atenção, poderemos chegar à conclusão de que a contraposição dominante no mundo de hoje não reside na dicotomia entre o discurso da globalização e o da sustentabilidade da economia mundial. A globalização pode ser favorável ao desenvolvimento das nações periféricas se elas tiverem soberania e aplicarem políticas consistentes de desenvolvimento. E pode ser favorável à sustentabilidade da economia mundial se a multipolaridade se impuser à unipolaridade, sem conflitos armados.

 

Além disso, se quisermos olhar mais longe no futuro, será necessário também aprofundar nossa compreensão e nossas idéias sobre a contraposição entre o modo de produção capitalista e a sustentabilidade econômica, tanto em nível nacional quanto mundial. O modo capitalista vive a contradição de ser o mais efetivo no desenvolvimento das forças produtivas sociais e, ao mesmo tempo, o mais destrutivo no uso dos recursos naturais e humanos, por subordinar tudo às margens de rentabilidade ou lucratividade.

 

Nesse sentido, a globalização talvez seja uma oportunidade imperdível se a contradição entre o capitalismo e a sustentabilidade e a racionalidade econômica se tornar consciente para os povos de todo o mundo e for encaminhada para uma transição criativa. Temos aí um campo vasto de estudos, debates e realizações práticas para dar fim à crise de idéias.

 

Wladimir Pomar é escritor e analista político.

 

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Última atualização em Sexta, 28 de Maio de 2010
 

A publicação deste texto é livre, desde que citada a fonte e o endereço eletrônico da página do Correio da Cidadania




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