Paulo Nogueira e o macartismo da Folha

 

Preparando-se para a guerra eleitoral, a mídia demotucano já iniciou a "limpeza ideológica" nas suas redações. Na semana passada, o Grupo Abriu demitiu o editor da National Geographic do Brasil, Felipe Milanez, que criticou no seu twitter as distorções grosseiras da revista Veja. Agora, é a Folha de S .Paulo que dispensa o economista Paulo Nogueira Batista Junior, atual diretor do Brasil no FMI e um dos poucos colunistas que ainda justifica a leitura deste pasquim.

 

O argumento usado é risível. A famíglia Frias alegou que "sua coluna é das mais longevas", só não explicou porque outros antigos colunistas nunca foram molestados. Paulo Nogueira sempre foi um ácido crítico das políticas neoliberais de desmonte do Estado e da nação. Ele nunca deu tréguas aos tucanos colonizados, com seu "complexo de vira-lata". Na luta de idéias em curso na batalha eleitoral, o economista seria um estorvo para José Serra, o candidato do Grupo Folha.

 

Relembrando as perseguições de 2006

 

Para disfarçar a sua política macartista de "caça às bruxas", a Folha anunciou um novo plantel de colunistas, que inclui o Antonio Palocci. Com isso, ela tenta preservar a falsa imagem de "jornal pluralista". Mas, como ironiza o jornalista Paulo Henrique Amorim, a jogada é rasteira. "Antônio Malloci, ex-ministro da Fazenda, como se sabe, é um notável tucano que eventualmente milita no PT. Paulo Nogueira Batista Junior era um dos últimos vestígios de talento que a Folha exibia... A Folha, com um novo conjunto de ‘colonistas’, aproxima-se cada vez mais da treva sem fim".

 

O clima de perseguição ideológica nas redações da mídia "privada" não é novidade. Na sucessão presidencial de 2006, ele também produziu suas vítimas, entre elas o jornalista Rodrigo Vianna, que não aceitou as baixarias da TV Globo na cobertura da campanha. Franklin Martins e Tereza Cruvinel também sentiram o ódio do "senhor das trevas" das Organizações Globo, Ali Kamel. Nos jornais e revistas, a perseguição fascistóide silenciou vários outros jornalistas.

 

A quem serve a liberdade de expressão?

 

Como afirma o professor Venício A. de Lima, estes episódios revelam "a hipocrisia geral que envolve as posições públicas dos donos da mídia sobre liberdade de expressão e liberdade de imprensa... As relações de trabalho nas redações brasileiras, é sabido, são hierárquicas e autoritárias. Jornalistas e editores são considerados, pelos patrões, como ocupando ‘cargos de confiança’ e devedores de lealdade incondicional". Caso tentem manter a ética no seu trabalho jornalístico, eles são demitidos sumariamente.

 

Com a aproximação da eleição presidencial de outubro, o clima tende a se deteriorar ainda mais nas redações, comprovando a falsidade do discurso dos donos da mídia e das suas entidades – como Abert, Aner e ANJ – sobre a "ameaça autoritária" do governo Lula contra a liberdade de imprensa. "Episódios como este nos obrigam a perguntar, uma vez mais, para quem é a liberdade de expressão que a grande mídia defende?", conclui o professor Venício A. de Lima.

 

Altamiro Borges é jornalista, membro do Comitê Central do PCdoB.

 

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Comentários   

0 #3 Imprensa Chapa BrancaJose Laercio Scatimburgo 22-05-2010 09:08
Sr Fidelis P Pretto, sou morador de uma pequena cidade do interior de SP e opositor a administração municipal chefiada pelos Demotucanos. A radio local e o unico "jornal" da cidade pertence a um ex usineiro falido, onde o mesmo arrumou como maneira de sobreviver, fazer contratos com a prefeitura. Sou constantemente agredido de forma verbal pelos "veiculos de comunicação" deles (usineiro falido e o prefeito da cidade DC). Arrumei uma jeito de esclarecer ao povo local os verdadeiros fatos que se passa na cidade, entregando uma vez ao mes Panfletos de casa em casa. A radio AM daqui da cidade tambem teve inumeras recisões trabalhistas paga pelo prefeito, a energia elétrica da Radio era cortada por falta de pgto o prefeito tambem quitava os debitos e por ai vai. Radio "Cultura" de Dois Corregos e Jornal "O Democratico" olha os nomes ;seria ironico se não fosse verdade.
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0 #2 MordaçaJose Laercio Scatimburgo 22-05-2010 08:39
Extrema direita fascista são os Demotucanos ligados a politica imperialistas dos EUA,acrescenta-se ainda o Plano dos Sabios do Sião em ter o dominio total da imprensa... Demotucanos-EUA-PlanoJudeu,é um unico monstro contra a verdadeira liberdade de expressão e contra a Democracia.
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0 #1 O tempo das diligênciasFidelis Pedro Pretto 21-05-2010 12:18
Até hoje, passados 15 anos,sinto a dor de não poder fazer o que mais gosto.
Apresentava na Rádio Prata,de
Nova Prata-RS, o Programa da
Manhã, sem falsa modéstia, com uma grande audiência. Basicamente focado nos assuntos de interesse da comnidade regional, não dávamos trégua aos \"donos\" do poder.Evidentemente, a pressão era algo contumas e traiçoeira.De tal forma, que os diariamente fiscalizados não tiveram dúvidas em buscar de todas as formas calar tamanho atrevimento.
E como sempre acontece neste país, eles conseguiram o seu intento. A turma da ARENA-PDS-PP, em troca da demissão
dos profissionais que produziam e apresentavam o programa, se compromteu em ajudar o dono da emissora para pagar a indenização pela
rescisão de contrato de trabalho.Lamentavelmente, isso nunca vai ter fim no Brasil. Esta história de liberdade de expressão não que dizer absolutamente nada.
Os proprietários dos veículos de comunicação têm
verdadeiro pavor de um país
totalmente democrático.
Lugar estranho o Brasil. Tem sempre um pé na Era das Cavernas, e o outro não pisa
nunca na civilização.
E pra completar, o coronel Lulla vai completar oito anos
de presidente sem um sinal concreto que aponte para a direção de um país moderno e
livre.
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