Não é difícil...

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Realmente não podemos considerar tão difícil empunhar a bandeira do socialismo. Na verdade, essa opção traz por si alguns atropelos e algumas dificuldades. Porém, são elas relativamente sanáveis dependendo do nosso nível de adesão.

 

Se não é tão difícil assumir a bandeira do socialismo, por experiência própria considero dificílimo permanecer socialista. Não bastasse a repressão direta e indireta movida pela burguesia para os que contestam o capitalismo, somos alvos, muitas vezes, da insidia daqueles que se pretendem de esquerda. Isso se deve ao fato de que somos todos filhos da escola stalinista, cujo eixo consiste em que cada grupo ou partido considerar-se "o povo eleito de deus", e todo aquele que venha divergir, em maior ou menor grau, é considerado infiel e, como tal, deve ser abatido impiedosamente, usando-se, para tanto, desde a eliminação física propriamente dita ao linchamento moral.

 

Os beatos, acríticos, terminam por ter uma situação mais confortável. Porém, os que, por alguma razão, contestam aquilo que é tido como um dogma inviolável, correm sérios riscos, que vão desde o isolamento, decorrente do boicote e de outros vis expedientes, ao massacre.

 

Para ilustrar o que foi dito, atenho-me à obra da autora Isa Salles, Um Cadáver ao Sol, que expõe de maneira bastante clara a prática caluniosa já levada a cabo, nos idos de 1924, contra a figura guerreira de Antonio Bernardo Canellas, que fora anarquista e se convertera ao marxismo, e teve a infeliz idéia de apartear Leon Trotsky por ocasião do IV Congresso da Terceira Internacional Comunista. Por esse "insuportável" deslize, Bernardo foi submetido a mais vil execração, embora permanecesse fiel ao socialismo.

 

Bernardo não foi o primeiro, nem foi o último militante socialista a ser estupidamente massacrado pela intolerância fundamentalista, cuja matriz é a concepção distorcida daquilo que poderia ser chamado de centralismo democrático. Ou pior, vítima do culto à personalidade e da prostração aos dogmas. Triste herança que deve ser banida a bem da verdade histórica.

 

Gilvan Rocha é diretor da CAEP- Centro de Atividades e Estudos Políticos.

 

Blog do autor: http://www.gilvanrocha.blogspot.com/

 

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Comentários   

0 #2 Octávio e Laura BrandãoRaymundo Araujo Filho 24-05-2010 07:47
O grande Octávio Brandão (assim como sua esposa Laura Brandão, falecida precocemente na URSS, em 1942, deportada/exilada do Brasil), também sofreram este tipo de perseguição, de companheiros de esquerda e Partido (aguardo uma homenagem afirmativa do PCB ao seu grande e emblemático militante4, até agora não feita). Suas memórias e feitos permenecem vivos!

A questão é que a esquerda terá de compreender que o nosso campo é Plural, ao contrário da falsa liberdade e pluralidade do mundo capitalista onde "uns são mais iguais que outros".

A Grécia, infelizmente pelas suas desventuras causadas pelas classes dominantes, vê hoje nas ruas, irmanados no mesmo combate e do mesmo e certo lado, os Anarquistas e Comunistas, de todas as vertentes, transformando em AÇÕS DIRETAS a revolta popular.

Convém que aprendamos com a história, neste enfrentamento desigual que está agudizado e que teremos de enfrentar com coragem, tolerância e determinação.

Quem está do lado de cá do Rubicão que permaneça UNIDO, mesmo dentro das diferenças existentes!

Como compôs o meu amigo artista popular, o Escaramuça, em uma música que, na verdade fala de Amor, "sozinhos não há lugar / Neste mundo, não não há".
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0 #1 PertinenteAlceu A. Sperança 21-05-2010 12:22
O centralismo democrático é necessário.

Não é, porém, a imposição de um burocrata, mas a decisão de um coletivo, majoritária e resolvida.

Para chegar ao Socialismo ainda teremos que quebrar muitas pedras, inclusive entre nós, que lutamos por ele!

Que, como queria Péricles, da discussão surja a luz!
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