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A crise nas idéias Imprimir E-mail
Escrito por Wladimir Pomar   
Segunda, 10 de Maio de 2010
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A síndrome do manual e a crise nas idéias parecem andar juntas, não só em terras brasileiras, mas também em outras partes do mundo. Basta ver como alguns analisam a evolução histórica após a grande hecatombe da segunda guerra mundial.

 

Segundo eles, a descolonização e a Declaração dos Direitos do Homem teriam dado alento à periferia do mundo, com a possibilidade das Nações Unidas afastarem os fantasmas da guerra, da fome, das doenças e estabelecerem o processo civilizatório em todo o mundo. Porém, aí teria surgido a Guerra Fria, elevando os gastos militares, dos quais se derivaram os avanços tecnológicos e científicos, que sustentaram da corrida armamentista.

 

Assim, a descolonização, a declaração dos direitos humanos e a ONU aparecem como as fadas boas. Infelizmente, como elas teriam sido atacadas pelas bruxas da guerra fria, isso deu na corrida armamentista que, paradoxalmente, contribuiu para os avanços tecnológicos e científicos. Assim, parecem irrelevantes os fatos de que os Estados Unidos foram os principais promotores da guerra fria e que as lutas pela descolonização já se desenvolviam antes da segunda guerra mundial, tomando vulto durante sua ocorrência e se apresentando como um problema não resolvido pela ONU e sua Declaração de Direitos Humanos.

 

A guerra fria surgiu, em primeiro lugar, do fato de os Estados Unidos terem saído da segunda guerra mundial como uma superpotência. Foi o único país a não sofrer qualquer dano militar em seu solo, podendo se tornar a principal fábrica mundial de fornecimento de armamentos durante o conflito. Surgiu ainda do fato de que, embora as outras duas grandes potências coloniais, Inglaterra e França, resistissem ao máximo a aceitar o fim de seus impérios coloniais, os Estados Unidos, com sua política de livre comércio, aceitavam uma política de descolonização, desde que em termos anti-comunistas.

 

Surgiu, também, do fato de que o final da guerra gerou uma crise de superprodução nos Estados Unidos, e uma das opções para sua superação consistia justamente na corrida armamentista com a União Soviética, assim como na expansão de conflitos militares onde fossem possíveis. Mas os Estados Unidos tiveram que levar em conta que a União Soviética também se transformara numa potência de primeira grandeza, assim como potência nuclear, o que tornava extremamente perigoso uma guerra quente entre as duas e exigia a elaboração de uma nova doutrina de guerra.

 

Finalmente, como um dos principais fatores da guerra fria, as lutas de descolonização se multiplicaram, independentemente da vontade das duas superpotências. Hoje se sabe o quanto a União Soviética se esforçou para evitar uma nova guerra civil na China, em 1946, assim como em diversas outras nações colonizadas, tendo em conta que suas feridas de guerra eram muito maiores do que as conhecidas então.

 

Ela temia ser envolvida em novo conflito mundial, sem estar preparada. Só aceitou os termos da guerra fria após os EUA haverem dado apoio à intervenção inglesa na Grécia e à recolonização da Indochina pelos franceses, além de provocarem a guerra da Coréia, com isso demonstrando efetivamente sua doutrina de guerras de baixa intensidade como a principal forma de disputa para impedir qualquer tentativa de independência nacional, que chamavam de expansão comunista.

 

Nesse contexto, ao contrário do que pensam alguns, era extremamente difícil, no mundo bipolarizado, que países periféricos escapassem de girar em torno de uma das duas potências. Isso mesmo não sendo satélites formais, e desfrutando de alguma condição própria para ensaiar projetos nacionais de desenvolvimento. Embora se saiba hoje que a Iugoslávia não se tornara satélite dos Estados Unidos, e que a Índia, China e Vietnã sempre mantiveram políticas próprias em relação à União Soviética, todos esses países pagaram sua cota de sacrifício nas relações com as duas grandes potências polares.

 

Nesse contexto, tornava-se limitado qualquer sonho dos países do Terceiro Mundo de cobrir a distância entre o grau de desenvolvimento dos países centrais e seu grau historicamente periférico. O Clube de Roma, ao afirmar que a pretensão dos países do Terceiro Mundo de alcançarem os padrões do Primeiro Mundo era inatingível, porque o consumo crescente de recursos não renováveis conduziria a humanidade ao colapso, apenas mascarava o interesse das potências industriais em manter os países pobres como mercado para seus produtos industriais e, também em grande medida, como produtores de matérias primas.

 

Porém, nenhum país do Terceiro Mundo subordinou-se ao que o Clube de Roma disse. Sua submissão era a contingência de serem dependentes dos países industrializados para a transferência de tecnologias e bens de capital. Era este anel de aço, e não o Clube de Roma, seu impeditivo. Do mesmo modo, ninguém deu atenção ao que McNamara afirmou em relação aos perigos de uma III Guerra Mundial, tendo como causa o crescimento demográfico explosivo. A única política de contenção da natalidade que deu certo foi a chinesa, mesmo assim muito depois das previsões de McNamara, e num contexto internacional e nacional bem diferente.

 

Tem gente que ainda não entendeu direito as mudanças desse período histórico. Ainda não se deu conta das implicações da descolonização e da criação de inúmeras novas nações. Acha que as mudanças dentro do capitalismo desenvolvido da superpotência norte-americana, das potências industriais européias e do Japão não mudaram em nada suas formas de agir. Pensa que basta negar o socialismo real para ficar de bem com a vida. Enxerga a globalização e o neoliberalismo como se fossem uma coisa só.

 

Apesar da persistência da atual crise econômica nos países centrais, essas pessoas acham que a superpotência se consolidou em definitivo. Apesar de os gastos militares dessa superpotência gerarem rombos deficitários monstruosos, acham que o fato de ela gastar em armamentos mais do que a soma dos outros nove países que a seguem nas despesas bélicas é uma vantagem imbatível. Apesar das super-empresas das potências industriais, as chamadas transnacionais, estarem transbordando não apenas suas filiais, mas plantas inteiras de fabricação por todo o planeta, não vêem nisso contradição alguma.

 

Apesar de tudo isso e mais uma série de outros aspectos contraditórios, permanecem convictos de que a superpotência domina todo o globo, tanto com o auxílio do dólar, atual indexador de toda a riqueza mundial, quanto de seu sistema financeiro, que se tornou o eixo da vida de todas as nações. Com isso, realmente demonstram que suas idéias estão mesmo em crise.

 

Wladimir Pomar é escritor e analista político.

 

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