De Cabeças Trocadas

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Há muito tempo venho denunciando que um dos maiores males do (des)governo Lulla é o de colocar nas escritas e discursos da direita, teses e argumentos que deveriam estar sendo emitidos pela esquerda brasileira, totalmente avacalhada neste momento e transformada em "esquerda" pelo apoio que dá ao (des)governo Lulla. A direita faz isso com facilidade, principalmente porque não tem compromisso com o que escreve ou deixa de escrever, pois, como diz o ditado, "o mingau quente se come pelas beiradas". E com o poder midiático que têm, tornam letra morta o que escreveram ontem, desconectando o escrito com a realidade.

 

Há tempos venho denunciando uma insidiosa artimanha das Organizações Globo, visando o seu desvencilhamento do apoio à ditadura militar. Primeiro foi o acordo fechado com – pasmem - a UNE para entregar à Fundação Roberto Marinho a organização do acervo sobre a ex-gloriosa entidade estudantil. Estarei contribuindo com o acervo, sugerindo uma coletânea das "notícias" veiculadas pelos instrumentos midiáticos desta organização, em minha opinião a maior representante do que conhecemos como "jornalismo marrom".

 

Recentemente, tivemos a repercussão das entrevistas com dois generais da ditadura, Leônidas Pires Gonçalves e Newton Cruz, colocando o jornalista Geneton de Morais, empregado das Organizações Globo, como operador de material com direcionamento crítico às declarações dinossáuricas e fascistas destes dois representantes do que há de pior no Brasil. Sugiro que o jornalista Geneton de Moraes Neto faça uma terceira entrevista. Esta seria com os seus patrões, com a simples pergunta: Por que as Organizações Globo apoiaram a ditadura militar que tinha como "operadores" tão maléficas pessoas, em cargos de alto, alto mesmo, coturno? Aí sim creio que o jornalista teria a sua credibilidade estampada, sem possibilidades de reparos. Por enquanto, o acho apenas um "agente" da "Operação Limpa Barra", provavelmente ordenada ou estimulada por seus patrões.

 

Temos assistido diariamente nos jornais e telejornais desta organização críticas a atos periféricos e sobre as estapafúrdias atuações de ex-esquerdistas em busca de serem confiáveis ao capital internacional, como é o (des)governo Lulla, mas sem que as Organizações Globo emitam uma só crítica às macro-políticas, principalmente a econômica, sob o comando de Henrique Meirelles (ex-Bank of Boston). Muito ao contrário, o principal "analista" econômico da TV Globo é só elogios aos "acertos" da condução macro-econômica nacional que, como todos nós sabemos, em troca de dar migalhas ao povo endivida o país e exonera nossas riquezas como "nunca dantes vimos".

 

No dia 27 de abril, foi estampada na página de Opiniões do jornal O Globo, artigo do geógrafo Demetrio Magnoli, relacionando a construção de Belo Monte com a aproximação ideológica de Lulla do ditador Ernesto Geisel, de tão tristes atos e memória, lembrando que a idéia desta hidrelétrica surgiu no governo do ditador militar, e fazendo um paralelo de Lulla com o ditador, como se nada tivessem com isso.

 

Ora! A vertente ideológica com a qual Demétrio Magnoli se coaduna hoje é toda estruturada justamente no assalto ao país, em seus cofres e riquezas, nas privatizações e na disputa com Lulla e o PT - ou seja, entre entreguistas eméritos - para as alianças políticas. Agora, pelo visto jogando para a platéia e colaborando com a "Operação Limpeza de Barra" das Organizações Globo, emite artigo que vai na mesma linha, e até mais radical do que o exposto na entrevista com o professor Célio Bermann, que relaciona Belo Monte com Sarney (que, aliás, é o mesmo que relacionar com Geisel, como faz Magnoli).

 

A diferença em relação ao entrevistado por Valéria Nader e Gabriel Britto é que o interlocutor tem compromisso com as suas próprias opiniões, coisa que não me parece acontecer com Demétrio Magnoli, que trabalha sob a perspectiva do "barata voa" no jornalismo sem compromisso que articula neste seu artigo, acessível pelo link http://despoluicaoideologica.blogspot.com/2010/04/lula-celebra-geisel-em-belo-monte.html/.

 

Não entendo muito das teorias e crenças que preconizam o Fim do Mundo para breve, mas creio que deve mesmo estar próximo, ainda mais ao ver os pré-candidatos e adversários políticos Serra e Dilma desancarem o MST e brandindo a Lei e a Ordem nos seus discursos unificados contra as "invasões de terras e próprios governamentais". Disseram isso no mesmo dia, no mesmo evento de ruralistas, usando o mesmo chapéu e em cima do mesmo trator. Mais igual não poderiam ser.

 

É por isso que as Organizações Globo têm espaço para se desvencilhar de seu passado de apoio ao fascismo da ditadura militar brasileira. De Cabeças Trocadas para a Dança das Cadeiras, é questão de tempo.

 

Para tudo ficar como está.

 

Raymundo Araujo Filho é médico veterinário homeopata e não gosta de brincar em serviço.

 

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Comentários   

0 #1 ERRATARaymundo Araujo Filho 06-05-2010 08:28
Para quem não conseguir abrir o link indicado, o artigo do Demétrio Magnolli pode ser lido escrevendo entre aspas (" ")Lula celebra Geisel em Belo Monte, em qualquer portal de busca.

Na última linha do ante penúltimo parágrafo de meu artigo, onde está "Mais igual não poderiam ser", leia-se "Mais IGUAIS não poderiam ser".
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