Xingu e a vingança Mapuche

 

Quando os Mapuches conseguiram pôr as mãos em Pedro Valdívia, o levaram para uma de suas aldeias. Primeiro cortaram suas orelhas e seu nariz, para que se recordasse de todos os narizes e orelhas que cortara dos Mapuches e despachara em cestos rio abaixo para exibir sua crueldade.

 

Em seguida, num ritual solene, acenderam uma fogueira e o assaram brandamente, retirando e comendo pequenas lascas de carne assada do conquistador Espanhol.

 

Finalmente, derreteram um pote de ouro e despejaram garganta abaixo de Valdívia, para saciá-lo da sede de ouro que possuía, motivo fundamental de suas chacinas sobre os Mapuches.

 

Esse é, em outras palavras, o relato que nos faz a escritora chilena Isabel Allende, em seu livro "Inés de Minha Alma", onde relata a conquista do território chileno por Pedro Valdívia. Os Mapuches mataram Valdívia, com vingança cruel e requintada, mas perderam a guerra. Hoje há um punhado de Mapuches que resiste em território chileno.

 

Uma Bíblia foi o pretexto para Cortés massacrar os Astecas. O ouro foi motivo para Pizarro dizimar os Incas, para Valdívia arrasar os Mapuches. Em nome das terras, da fé e do ouro os portugueses dizimaram os índios brasileiros. Sobraram alguns, poucos, como na região do Xingu. Quando eles pensavam que iriam ter paz, uma hidroelétrica, um presidente, uma candidata a presidente, as corporações nacionais e transnacionais, em nome do progresso, do desenvolvimento, da segurança energética – mas, poderia ser da Bíblia, do ouro, ou qualquer outro pretexto –, vão dizimar o que lhes restou de espaço na sua turbulenta história.

 

São as leis da história e do progresso, não é mesmo? Afinal, como disse um jornalista da TV, "ou se devolve o Brasil aos índios, ou se pensa nos outros 195 milhões de brasileiros".

 

O capital tem seus deuses e sua voracidade. E eles pedem sacrifícios contínuos dos povos, nesse caso os indígenas, em qualquer época da história. Quando se perde o sentido do humano, sempre há um argumento para justificar a crueldade, seja contra a natureza, seja contra a pessoa humana.

 

Roberto Malvezzi (Gogó), ex-coordenador da CPT, é agente pastoral.

 

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Comentários   

0 #2 E FÁCIL FALAR ...baresi 27-05-2010 11:55
E muito fácil falar, agora, venha para a floresta ver o que acontece, indios vendendo diamantes para Indianos e israelenses, um enorme punhado de protestantes Estadudinenses levando a fé e principalmente a língua inglesa para eles... e assim, daria para escrever um livro.
O desenvolvimento deste país envolve a eles também, mas já perguntaram se eles não vão ganhar alguma coisa do governo também.
Ninguém é santo, e Gaia não é um ser vivo chamado de terra,e chifre mesmo.
Vem pra floresta ver, vem...
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0 #1 Xingu... Mapuche... sentido do humanoguimarães s. v. 30-04-2010 06:57
você acertou na mosca! amigo Gogó, o que falta no mundo, o que faltou e prosseguirá faltando, pra infelicidade da humanidade, é o sentido do humano, que pode ser traduzido por uma pequenina palavra de quatro letras: Amor. também pra infelicidade de todas/os, permanecerá faltando o sentido do humano enquanto sobre a face de Gaia imperar o capitalismo. abração do veterano companheiro Sergio Guimarães. a luta continua!...
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