A impopularidade do demônio

 

O professor Miguel Malheiros, em resposta ao um artigo meu cujo título era "Fora a ALCA e o FMI", lembra, no texto veiculado neste Correio Fora a ALCA e o FMI – Uma crítica para o endereço errado , de peito lavado, certa faixa exibida numa manifestação na Palestina: "EUA, por que será que vocês são tão odiados"? 

 

Suponho que o demônio seja bem mais impopular e aterrorizante do que o próprio "IMPERIO DO NORTE". Acontece que o primeiro sequer existe, tudo é obra de uma milenar propaganda. Quanto ao imperialismo, ele tem materialidade, mas não é como pretendem "os marxistas, leninistas e trotskistas"; ele é produto do desenvolvimento histórico e veste várias roupagens, seja yangue, inglês,francês ou os "pacatos" suecos, suíços ou canadenses.

 

Nesses noventa anos de stalismo não se promoveu uma campanha de impopularizarão do capitalismo. Fez - se uma campanha contra o "Império do Norte" deixando à solta transitar livremente o capitalismo que existe com sua presença nefasta desde o Burundi à civilizada Noruega.

 

Não é verdade, ilustre professor, que, quando se combate o bebedouro da escola, o banheiro mal asseado, o transporte precário, se está combatendo o capitalismo. Combate-se o capitalismo, como se diz, explicitamente, que as mazelas físicas e sociais que vivemos são produtos do sistema capitalista. Isto sim, professor, é que é a verdade.

 

A esquerda, de matriz stalinista, onde se excluem vários segmentos trotskistas, limita-se a impopularizar o "Império do Norte", a "ALCA e o FMI", o "neoliberalismo".... Mas nenhuma palavra explícita ou implícita contra o capitalismo.

 

De qualquer forma é saudável que o CORREIO DA CIDADANIA promova polêmicas que bem podem evitar tantas e quantas confusões e impropriedades que  são praticadas,  de forma infame contra as pobres figuras de Karl Marx, Engels, e até mesmo o tão brilhante Trotsky. Continuamos afirmando que o Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado - PSTU deve agradecer, com veemência, ao senhor Inácio Lula da Silva, uma vez que ele baniu os principais inimigos da sociedade, a "ALCA E O FMI", e o fez sem trauma, apenas amedrontado com a presença maciça das bandeiras tremulantes do PSTU.

 

Gilvan Rocha é presidente do CAEP- Centro de Atividades e Estudos Políticos.

Blog do autor: http://www.gilvanrocha.blogspot.com/

 

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Comentários   

0 #3 Comentário para Hélio Querino JostIldo Gaúcho 30-03-2010 13:23
Caro Hélio Querino Jost,gostaria de observar que não houve "derrocada do comunismo", aquilo de queda do muro de Berlin foi só teatro midiático, o comunismo está bem vivo, agora sob o título menos respulsivo, chamado "socialismo" e muito bem casado com o tal capitalismo, agora, como já forjou outro blogueiro, ele poderia se chamar de "capimunismo", sua agenda está avançadíssima, principalmente em nosso país, pois o principal trunfo do diabo é fazer com que todo mundo pense que ele não existe. POis o tal comunismo já está quase pronto para dar o golpe final, agora sob o charmoso nome de "democracia". Mas, afinal, quem vai acreditar nisso? Desculpa as ironias, aceite apenas como um outro ponto de vista; estou aberto a críticas. Abração, Ildo Gaúcho.
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0 #2 A impopularidade do demônioHélio Querino Jost 27-03-2010 06:47
Desde a derrocada do comunismo, a esquerda mundial parece perdida. E assim propalam os capitalistas: o comunismos não tem mais lugar; o socialismo fracassou. Entre as dificuldades da esquerda (brasileira, latino americana ou mesmo européia)de articularem um projeto comum, uma estratégia articulada e contra-hegemônica, um enfrentamento direto ao capitalismo está, também (continua, aliás), a ausência de definição de como seria e de que projeto alternativo estamo falando. Como seria um \"novo\" projeto socialista. - Seria possível, por exemplo, manter a moradia como propriedade privada? ou, uma pequena propriedade para auto sustento ao lado de fazendas coletivas? Ou seria algo semelhante a um cooperativismo participativo (já que o atual se tornou empresarial)? Enfim, parece que as perguntas são maiores do que as respostas. Meu receio é que fiquemos com a crítica ao capitalismo e só!!!
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0 #1 a impopularidade do demônio... de que deguimarães s. v. 27-03-2010 03:10
meu caro Gilvan, não posso entrar no mérito da questão entre você e o professor Malheiros, por me faltarem elementos suficientes para uma avaliação honesta. mas posso, sim, apoiar sua correta chamada sobre o pseudo combate que é feito ao capitalismo. um combate "light", centrado apenas em campanhas de impopularizar o sistema cruel, desumano e perverso sob cujo guante a humanidade sobrevive. e cujo efeito concreto é ineficaz, quase nulo. há que se combater com concretude, mostrando de forma clara, concisa e direta, a responsabilidade do capitalismo na geração das mazelas que afligem 80 % ou mais da população do planeta. o capitalismo é intrinsecamente mau, mau em si mesmo, porque nele não há lugar para o amor e, ipso facto, para a justiça e a paz.
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