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O sentido da “economia e vida humana” Imprimir E-mail
Escrito por Guilherme C. Delgado   
Qui, 18 de Março de 2010
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O tema da Campanha da Fraternidade de 2010, "Economia e vida humana", e seu lema, "Vocês não podem servir a Deus e ao dinheiro", é suficientemente instigante para nos induzir a análises e interpretações que se agregam àquelas já distribuídas nos textos-base da própria Campanha, promovida este ano pelas cinco Igrejas que integram o CONIC (Conselho de Igrejas Cristãs).

 

Há certamente várias leituras sobre o sentido desta Campanha ou ainda dos seus objetivos, alcance e significado social. A primeira reação dos veículos de comunicação, da televisão principalmente, foi de rotineiramente apresentá-la como iniciativa de promoção humana, na linha dos projetos locais de solidariedade e ajuda mútua. Isto não contradiz o texto-base, mas é muito restrito para responder às provocações propostas pelo tema e lema desta Campanha.

 

A palavra evangélica "Vocês não podem servir a dois senhores – a Deus e ao Dinheiro" é o cerne da questão. Precisa ser trazida ao presente para uma reflexão atual sobre o agir humano nos assuntos econômicos. Mas isto precisa ser feito no contexto da economia, Estado e sociedade em que ora vivemos – o capitalismo do século XXI.

 

O que significa hoje servir a Deus ou servir ao dinheiro nesta sociedade humana em que vivemos e quais as conseqüências sociais e pessoais desse agir. Isto significa propor a todos e a cada um de nós que há dois projetos éticos distintos quando se trata de economia. Em um deles, a finalidade de qualquer ação econômica, em última instância, é ganhar dinheiro, atender a desejos (de consumo) e usufruir utilidades, para o que o dinheiro se transforma em finalidade em si próprio. Mas há um outro projeto do agir econômico, no qual o dinheiro é um meio para atender a necessidades humanas imprescindíveis, mediante as quais nos capacitamos para participar de uma vida socialmente digna.

 

A economia como sistema de mercados capitalistas auto-suficientes impõe e impele toda a sociedade para uma ética utilitária e hedonista do primeiro tipo e expulsa o atendimento das necessidades básicas dos que não têm dinheiro para fora da economia.

 

Voltando ao lema da Campanha, essa economia que expulsa o atendimento de algumas necessidades básicas do ser humano (alimento, teto, agasalho, saúde, educação etc.) para fora do seu sistema de valores escolheu um senhor da vida que não é Deus. Quem adotá-la como finalidade de vida terminará rejeitando as coisas do Senhor da vida, porque não é possível amar a esses dois senhores.

 

Mas como um cristão ou mesmo ateu que se defronte com o dilema ético de servir ao deus dinheiro ou servir ao Senhor da vida poderia optar no seu agir econômico? Afinal, não é ele um consumidor compulsório de mercadorias, ou um trabalhador da produção mercantil em um sistema econômico gestado pela doutrina utilitária e hedonista? Mesmo desempregado ou servidor público, esse seres humanos integram uma sociedade dominada pelo espírito do capital e do dinheiro como valores motores, não apenas da economia, como também da própria constituição e identidade da sociedade.

 

A resposta a tal questão não é simples nem única. Qualquer solução rápida e direta é frágil. Mas o importante dessa Campanha é nos instigar a pensar em projetos alternativos de vida pessoal, social e econômica que nos libertem da compulsão imposta pela sociedade do capital e do dinheiro.

 

Ora, como a economia é um sistema de valor fundamentado no dinheiro (emitido desde os tempos evangélicos pelo Estado) e na finalidade contínua da sua acumulação, salta aos olhos que o projeto alternativo de vida pessoal e social que nos liberte de sua tirania seja uma página em branco da história, de uma nova economia política a ser construída.

 

Tivemos no século XX vários experimentos do socialismo real, que infelizmente não lograram atingir os atendimentos a uma das necessidades humanas básicas - a liberdade política. Nas próprias sociedades do centro do capitalismo instauraram-se os chamados Estados do Bem Estar, que, pela órbita da esfera pública, introduziram na economia o vetor das necessidades humanas básicas. Mas tudo isto é também reversível porque não é valor central da economia.

 

Finalmente, a proposta em aberto da "Economia e Vida Humana" é uma utopia necessária, embora ainda insuficiente para nos responder a muitos dos questionamentos que temos à mente.

 

Guilherme Costa Delgado é doutor em Economia pela UNICAMP e consultor da Comissão Brasileira de Justiça e Paz.

 

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Última atualização em Sábado, 20 de Março de 2010
 

A publicação deste texto é livre, desde que citada a fonte e o endereço eletrônico da página do Correio da Cidadania




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