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Cuba, Lula, as eleições e a Folha
A edição de 11 de março da Folha de S. Paulo é talvez o
exemplo mais contundente de uma orquestração em absoluto e inequívoco uníssono
em torno a um tema. Este tema é Cuba, o que não surpreende, já que a ilha é
tradicionalmente tomada pelos grandes veículos de mídia como uma ditadura cruel,
sem direito ao menor contraditório. E esse tema é agora coadjuvado pelo
presidente Lula, com o pano de fundo do processo eleitoral de 2010, cuja estrela
maior até o momento é o operário-presidente - para o infortúnio do diário tão
nitidamente inclinado pelas opções políticas e econômicas dos tucanos.
Face à “destruição que se avizinha”, Igreja promete fazer
tudo contra Belo Monte
Após a vergonhosa concessão de Licença Ambiental sob severas
contra-indicações dos funcionários do IBAMA designados para estudar o projeto, a
Usina de Belo Monte segue caminhando a passos largos para talvez se tornar a
maior monstruosidade já erigida pelo capitalismo brasileiro.
EDITORIAL
Menos hipocrisia e mais solidariedade
Estando a cento e poucos quilômetros do seu inimigo jurado –
a maior potência militar do planeta –, sofrendo há mais de quarenta anos um
bloqueio econômico absolutamente cruel, e vendo, em Miami, um exército de
cubanos exilados ensandecidos e permanentemente mobilizados para invadir o
território do país, obviamente o regime cubano não pode se permitir o luxo de
abrir o regime de uma vez. Se o fizer, provocará um verdadeiro banho de sangue.
POLÍTICA
Desvendar o mito por trás da polêmica das cotas raciais
(Luciana Araújo)
As ações afirmativas por si só não asseguram o fim da
discriminação racial, mas são um elemento concreto de
reconhecimento da responsabilidade do Estado pela realidade em que vivemos.
A crise do metrô do Rio de Janeiro: privatizou, piorou!
(Léo
Lince)
Que a crise sirva para abrir o olho do cidadão. Os serviços
públicos essenciais não podem ser entregues à sanha do lucro privado. A prova
está no colapso do sistema de transportes urbanos.
44, 42 ou 40 horas semanais de
trabalho? (Waldemar Rossi)
Para agravar ainda mais a lamentável situação vimos a frouxa postura das centrais sindicais e de Michel Temer,
que se submeteram à chantagem patronal, jogando para 2013 o possível debate.
“Fora a ALCA e FMI”
(Gilvan
Rocha)
A esquerda, regra geral,
incluindo-se aí os trotskistas, se nega peremptoriamente a fazer o necessário
trabalho de impopularizarão do capitalismo.
A difícil volta do cristão para casa (Mário
Maestri)
Federico Franco afirmou que o
Paraguai "nunca vai cicatrizar a ferida da epopéia de 1865 a 1870 se o
Brasil não devolver o arquivo militar que injustificadamente retém hoje, como
também o canhão Cristão".
Harmonização de contrários (Wladimir
Pomar)
Como os críticos acham que a mobilização social também é um
ato de vontade do presidente, a correlação de forças estaria subordinada à
política de conciliação ou harmonização dos contrários.
Enchentes: algumas propostas políticas (Raul Marcelo)
Ao invés de destinarmos os R$ 8 bilhões previstos na lei
orçamentária deste ano ao governo federal para os juros da dívida do estado,
quase toda federalizada, poderíamos enviar 40% menos,
alterando este dispositivo no orçamento.
INTERNACIONAL
Um obscuro quadro dos EUA sem a reforma da saúde (Karen Davenport)
Restaurar a maneira como se oferece tal serviço irá
possibilitar autênticas economias orçamentárias e melhor saúde.
Irã: EUA miram no programa nuclear para alvejar o regime
(Luiz Eça)
Como nada demoverá o governo de Teerã de continuar seu
programa nuclear, seus adversários contam com as sanções para destruir a
economia do país e criar condições para uma revolta popular.
Chile e o Estado invisível (Ramón Rocha
Monroy)
Piñera dará subsídios? Construirá
moradias? Reparará os pobres? Ajudará os pescadores, pequenos produtores,
comerciantes? Isso não coincide com seus princípios.
ECONOMIA
Os impasses do modelo econômico sob Lula (Paulo Passarinho)
A política externa brasileira – ancorada em uma diplomacia
dita progressista – defende uma espécie de livre comércio, onde a atual divisão
internacional de trabalho, de preferência dos países do norte, é reforçada. A
idéia defendida por Lula (que nesse sentido repete FHC) é a de abertura dos
mercados agrícolas dos países da Europa e dos Estados Unidos aos nossos
produtos, em troca de uma maior tolerância brasileira para a abertura dos nossos
mercados industrial, de serviços e de compras governamentais.
CULTURA E ESPORTE
Jogos mais cedo: obrigação na cidade do trabalho e da ordem
(Gabriel Brito)
Será uma indecência se a prefeitura da lei do PSIU, que fecha
bares e outros locais sábado à noite em nome da ordem e do silêncio, bloquear
projeto que visa terminar os jogos mais cedo, para simplesmente permitir o
regresso ao doce lar do torcedor.
A ORDEM NA MÍDIA
O acirramento do confronto ideológico em torno de Cuba (Gabriel Brito)
Cuba, com todos os seus defeitos e lentidões para promover
mudanças e evoluir o regime, oferece uma outra visão de mundo e sugere outra
partilha de riquezas. É isso que causa ojeriza nas potências que afundaram Copenhagen, lideradas pelo seu mais inacessível interlocutor
(EUA). Só assim para começar a compreender porque num mundo de 6 bilhões de habitantes e 4 bilhões de miseráveis as
polêmicas e o cotidiano de apenas 13 milhões de pessoas centralizam tantas
atenções e ‘indignações’.
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