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O exemplo grego Imprimir E-mail
Escrito por Guillermo Almeyra   
Terça, 16 de Março de 2010
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A Grécia resiste com greves gerais nacionais e com combativas manifestações populares contra os terríveis ajustes econômicos que o capital financeiro internacional tenta aplicá-la. Com efeito, são brutais – um verdadeiro remédio cavalar – as medidas drásticas destinadas a reduzir a dívida (que supera em 113% o PIB) e o déficit público (12,7% do PIB), fazendo a economia helênica casar com os parâmetros de Maastricht, ou seja, que o déficit público não passe de 3% ao ano (coisa que nem França e nem Alemanha cumprem).

 

O congelamento dos salários, a redução de 10% nas pensões, aposentadorias e salários dos funcionários públicos (o Estado é de longe o maior empregador do país), a prolongação de 65 para 67 anos na idade de aposentadoria (num país em que a expectativa de vida dos homens supera por pouco os 75 anos), o aumento de três pontos no IVA, a paralisação das obras públicas e a redução dos aportes estatais para saúde, educação e serviços em geral, são todas medidas que equivalem a uma expropriação pura e simples dos assalariados (que constituem um terço da população) e dos pequenos camponeses minifundistas, com terras áridas e pouco produtivas, além dos trabalhadores autônomos dos serviços que, ao lado dos rurais, representam três quartos da população economicamente ativa da Grécia.

 

Essa, de fato, excluindo a indústria de construção naval, vive do turismo e da pequena produção semi-artesanaal, e sua agricultura e pesca estão orientadas a satisfazer o mercado interno de um país que só tem a metade da população do Distrito Federal mexicano.

 

A Grécia se endividou terrivelmente com os governos conservadores aos quais a grande financeira Goldman Sachs, uma das principais responsáveis da crise financeira mundial atual, emprestou dinheiro com usura (garantindo seus empréstimos ilegais, entre outras coisas, com as receitas aduaneiras ou loteria gregas). Agora, a crise passa fatura da festa ao governo social-democrata de Georgios Papandreou (que, obviamente, não vacila quando há de optar entre a defesa do capital e a dos trabalhadores, atuando como carrasco dos últimos).

 

Deve-se recordar que Atenas teve de comprar grande quantidade de armas da Alemanha e da França para se defender da Turquia, mas as finanças européias, como todos os banqueiros, não têm memória para agradecer os bons negócios, somente para cobrar até o último centavo o que se lhes deve. Mesmo assim, a Itália tem uma dívida pública superior e a Espanha tem seis pontos a mais no índice de desemprego que a desacreditada Grécia, mas a União Européia não lhes lança ultimato algum nem as coloca em liberdade vigiada, como faz com Atenas.

 

É que por trás do ataque contra a Grécia se soma a ofensiva do capital especulativo estadunidense e inglês para colocar sérias dificuldades ao euro e à própria UE, mais o desejo da grande banca franco-alemã de dar um exemplo com os gregos antes que a crise seja ainda mais grave nos países maiores, como Itália ou Espanha, ou se estenda aos países-mendigos da Europa oriental recém-incorporados à UE, além da vontade dos conservadores governos alemão e francês de golpear os social-democratas do país (e indiretamente os espanhóis e portugueses), colocando em seu lugar países meridionais ‘segundões’, que por sua sigla em inglês eles chamam de PIIGS (Portugal, Itália, Irlanda, Grécia e ‘Spain’, ou seja, Espanha), quer dizer, porcos.

 

O que acontece na Grécia, em resumo, é parte de um plano anglo-estadunidense contra o euro e a União Européia, e de um intento do grande capital europeu de inclinar ainda mais a seu favor a relação de forças entre trabalho e capital, aproveitando a reduzida industrialização do país desde que sua incipiente indústria foi devastada pela ocupação nazi-fascista de Mussolini e Hitler e pela guerra civil posterior para se livrar da ocupação inglesa e da monarquia pró-fascismo.

 

Mas o capital não contou com a politização e as tradições do povo grego, que é o povo de Poliopoulos, o líder comunista partidário de Trotski, fuzilado pelos fascistas, e seu arquimarxismo, majoritário entre o proletariado grego de antes da guerra, sendo o povo também dos kapetanios, que durante a guerra civil dirigiram a insurreição contra os ingleses e a política stalinista de aliança com estes, e que segue sendo um povo de esquerda e antiimperialista.

 

Hoje os trabalhadores gregos se insurgem aos gritos de que "os plutocratas que paguem a crise!", se mobilizam e recorrem à ação direta e à auto-organização, passando por cima do governo Papandreu. O povo grego resiste formando uma frente única contra as resoluções e as instituições estatais e a UE (que é uma aliança dos capitais europeus que despreza a história, a cultura e a sociedade); a escassa energia da polícia e as hesitações das forças armadas indicam que os trabalhadores influenciam, com sua ação anticapitalista e antiimperialista, as forças nacionalistas presentes também nas classes médias gregas.

 

As lutam ainda não passam do nível da oposição definida ao das propostas de soluções anticapitalistas alternativas. Mas essa necessidade já flutua no ambiente e traz à luz anteriores exemplos históricos nacionais. Por isso, muito provavelmente a União Européia não poderá jogar a Atenas sua balança, tal qual um novo Shylocke, e terá de buscar aliviar a crise para evitar que da Grécia, esse pequeno país quase latino-americano instalado no sótão da Europa, venha um exemplo para Itália, Espanha e o mundo, tornando realidade o mote de que essa crise seja paga pelos plutocratas, não por suas vítimas.

 

Guillermo Almeyra é professor de Relações Sociais da UNAM (Universidade Autônoma do México) e membro do conselho editorial da revista Sin Permiso.

 

Publicado originalmente em La Jornada.

Traduzido por Gabriel Brito, Correio da Cidadania.

 

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Última atualização em Qui, 18 de Março de 2010
 

A publicação deste texto é livre, desde que citada a fonte e o endereço eletrônico da página do Correio da Cidadania




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