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O que fracassou em Copenhague? Imprimir E-mail
Escrito por Grupo de São Paulo   
Terça, 16 de Março de 2010
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Analistas e ativistas foram unânimes em afirmar o fracasso da 15ª Conferência sobre Mudanças Climáticas das Nações Unidas (COP-15), realizada na capital da Dinamarca em dezembro de 2009. A COP-15 reuniu nada menos que 119 chefes de governo de 192 países, um feito inédito.

 

O evento foi acompanhado com grande expectativa pelos povos do mundo todo que já sofrem as trágicas conseqüências do aquecimento global – tsunamis na Ásia, furacões nos EUA, ondas de calor na Austrália, tempestades no Brasil, degelo das calotas polares no Ártico e na Antártida.

 

A conferência culminava dois anos de negociações no âmbito da ONU e visava elaborar um programa de cooperação internacional para combater as mudanças ambientais que ameaçam a vida na Terra. O seu objetivo central era garantir a fixação de metas para emissão de gases que provocam efeito estufa e evitar o aquecimento global acima de 2ºC até 2050 – após esse limite as conseqüências das mudanças climáticas seriam irreversíveis. Para que isso aconteça o mundo precisaria reduzir suas emissões em 80% nas próximas quatro décadas.

 

O que, de fato, fracassou em Copenhague?

 

A abordagem adotada para o problema das mudanças climáticas restringiu a questão aos seus efeitos, qual seja, o aquecimento da temperatura do planeta causado pelas emissões de dióxido de carbono. Além disso, circunscreveu as possibilidades de ação àquelas que significassem novos negócios para as grandes corporações transnacionais, expandindo o "capitalismo verde" movido a agrocombustíveis, alimentado por transgênicos resistentes a um clima mais adverso e pelas negociações de créditos de carbono em bolsa de valores.

 

Sem dúvida que as emissões destes gases representam um grave problema ambiental e de saúde. Hoje são 30% mais altas do que na época em que a Convenção sobre Mudança do Clima foi firmada, na Cúpula da Terra realizada no Rio de Janeiro, em 1992.

 

No ritmo atual de crescimento, estas emissões poderiam mais do que triplicar até o fim deste século, o que significa 50% de risco de que a temperatura global subisse 5°C. A esse nível, o aquecimento global impacta de forma catastrófica os biomas, comprometendo as formas de vida das populações que os habitam. No Brasil, espaço da maior biodiversidade da Terra e que abriga um quinto das espécies do planeta, a Amazônia teria 40% de sua cobertura florestal transformada em savana e o rio São Francisco teria sua vazão reduzida em 70%.

 

Ocorre que os países centrais do capitalismo, que emitem as maiores quantidades de dióxido de carbono – como EUA, Inglaterra, Alemanha e Japão – e as maiores economias da periferia, com suas indústrias poluidoras – China, Brasil, Rússia – pactuaram e garantiram que não se abordassem na conferência as causas das emissões. Ou seja, esses países preservaram o modelo de produção e consumo hoje hegemônico em seus territórios e na maioria do planeta onde imperam os seus próprios interesses. O resultado evidente será o sacrifício da natureza, a ampliação das desigualdades sociais e a inviabilidade futura da vida no planeta.

 

Mesmo diante do tão limitado enfoque adotado, o documento final da conferência registra o fracasso das negociações. O texto prevê apenas redução de 50% das emissões de dióxido de carbono em 2050 e não determina metas obrigatórias para redução até 2020. Antes do início da cúpula, os países estipulavam como objetivo mínimo definir em Copenhague metas de redução para os próximos dez anos. Nem isso se conseguiu e este fracasso ameaça a eficácia do já superado Protocolo de Kyoto, de 1997, cujas metas de redução para 2012 eram próximas de 6%.

 

Em relação aos outros pontos da agenda defendida pelos países que comandaram a cúpula, o documento também é vago. Não detalha o funcionamento do fundo a ser criado pelos países ricos para financiar os países mais afetados pelo aquecimento global, deixando brechas para que seja disputado também por grandes corporações interessadas em negócios vinculados aos agrocombustíveis e comércio de carbono. Obviamente, o texto nem menciona possibilidade de controle social sobre os recursos deste fundo, deixando aberta a possibilidade de corrupção.

 

O governo do Brasil seguiu a estratégia adotada desde Kyoto e manteve-se alinhado aos interesses dos países europeus e suas poderosas corporações transnacionais. Coube a Lula, com ampla cobertura da mídia internacional, o papel de reforçar a necessidade de EUA e China cumprirem a agenda de redução de emissões, ao mesmo tempo em que tentava fazer com que os países periféricos se comportassem dentro da agenda limitada que orientou a conferência. Esta postura foi contraponto às manifestações contundentes de alguns países africanos e latino-americanos – notadamente as intervenções do presidente da Bolívia, Evo Morales, que rechaçou não apenas a abordagem reducionista assumida na conferência sobre o problema climático, como também a forma pouco democrática com que a cúpula foi conduzida.

 

Copenhague, entretanto, também evidenciou sinais de esperança. As manifestações populares, fortemente reprimidas pela polícia local, chegaram a reunir 100 mil pessoas em marcha pela capital dinamarquesa e um fórum não-governamental – o Klima Fórum – promoveu dezenas de debates com cientistas, militantes e representantes de alguns governos da América Latina e África e propiciou alianças fundamentais em torno de programas de ação que ampliaram a agenda de luta anticapitalista com as necessárias preocupações ecológicas.

 

Entre os principais consensos do Klima Fórum, resumidos em documento intitulado "Mudemos o sistema, não o clima", consta abandonar completamente os combustíveis fósseis nos próximos 30 anos e reconhecer e compensar a dívida climática e os efeitos negativos das mudanças climáticas sobre as populações afetadas.

 

A eficácia no enfrentamento das mudanças climáticas dependerá da abordagem que for dominante nas ações dos países e das Nações Unidas até o próximo encontro de cúpula, que deve acontecer no final de 2010, na Cidade do México. A depender da agenda hoje hegemônica, não há esperança de avanços que signifiquem superar as causas efetivas dos problemas ambientais que ameaçam a vida na Terra.

 

Thomaz Ferreira Jensen, Elisa Helena Rocha de Carvalho e José Juliano de Carvalho Filho, do Grupo de São Paulo - um grupo de pessoas que se revezam na redação e revisão coletiva dos artigos de análise de Contexto Internacional do Boletim Rede, editado pelo Centro Alceu Amoroso Lima para a Liberdade, de Petrópolis, RJ.

Contato: gruposp(0)correiocidadania.com.br

 

Artigo publicado na edição de janeiro de 2010 do Boletim Rede.

 

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