O Acidente Vascular Cerebral (AVC) e o Brasil

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O Acidente Vascular Cerebral no Brasil não é causa grave para Saúde Pública, e sim Segurança Nacional.

 

No Brasil, morrem por ano 250.000 pessoas de Acidente Vascular Cerebral (AVC) - ou "derrame". Quem sabia isso? E ainda mais, milhões de brasileiros ficam seqüelados, tornando-se "invisíveis" para a sociedade. Ninguém sabe, ninguém viu....

 

É a maior causa de mortes no país, superando infartos, câncer, acidentes de trânsito. Esses dados são fornecidos pelo canal oficial de informações do governo, a TV Globo (novembro 2009, "Bom Dia Brasil"). Talvez seja muito mais. Quem sabe?

 

A cifra de 250.000 é um número assustador, corresponde ao tamanho das guerras e tragédias como furações ou "tsunamis". E ninguém sabe nada disso... Perguntamos: como é que pode, nenhuma informação ou prevenção?

 

Para os governos atuais ou do passado, trata-se do fenômeno da "invisibilidade", não vê, não existe, não toma nenhuma medida e deixa rolar.

 

Certamente existe uma vinculação imediata do AVC com as indústrias de fumo, álcool, drogas (lícitas ou ilícitas), alimentação (o Brasil é o maior consumidor mundial de agrotóxicos, o transgênico tomou conta do mercado do consumidor brasileiro), baixíssimos salários, hipertensão, diabetes e o "tigre nosso de cada dia" que é o estresse de enfrentar essa realidade alienadamente, uma espécie de "AVCerização" social. Um sistema de saúde (saúde?) moribundo, com a mídia propagando aos quatro ventos o consumo de bens pouco duráveis, repetindo a "invisibilidade" com o mesmo bordão: "não vê, não existe... e deixa rolar". A doença não traz lucros institucionais.

 

O acidente vascular cerebral é uma interrupção do circuito cerebral. Pode ser de dois tipos: isquêmico (85% dos casos) e hemorrágico (15% dos casos). Saiba você que até quatro horas após um incidente de AVC isquêmico, pode-se usar medicamento específico (o trombolitico alteplase), cuja performance é de 50% de melhoras, não deixando seqüelas.

 

Tal medicamento existe no Brasil, aprovado seu uso em protocolos do Ministério da Saúde. Você sabia? Não. É somente usado em alguns poucos hospitais particulares, a preço muito alto.

 

Milhares de vidas podem ser salvas, milhares de pessoas podem dispensar a "invisibilidade ou AVCerização social", mas a que preço?

 

Investir na doença ou na saúde? A opção pela saúde implica em remover a "AVCerização social" e começar a nos mexer. "Ninguém quer adoecer ou morrer", "ter saúde é o principal".

 

Forcemos, já que é nosso direito, as campanhas nacionais de informação e prevenção, inclusive o diagnóstico rápido, os hospitais do SUS e conveniados, bem como os particulares, a ter o medicamento adequado; organizemos grupos nas unidades de saúde de pacientes avecerizados e seus familiares, repetindo o modelo dos grupos de hipertensos, diabéticos etc.; revisemos os critérios de aposentadoria para pacientes com AVC; forcemos o governo e o Ministério da Saúde a "verem" o que não querem "ver".

 

Temos certeza absoluta de que, quando conseguirmos detonar essa campanha, o país inteiro cobrará as medidas, em vez do "avecê social", teremos um verdadeiro "pulando a cerca" de saúde, cidadania, solidariedade e justiça. "Pular a cerca" é dar visibilidade, não é a sacanagem habitual, aquela do fenômeno da invisibilidade "não vê, não existe...".

 

Daniel Chutorianscy é médico, teve um AVC cerca de um ano atrás, não se manteve "invisível", voltou a trabalhar com algumas seqüelas, não fez uso, lamentavelmente, do alteplase, fundou o Grupo AVC-PULANDO A CERCA em agosto de 2009, que, neste pequeno período de tempo, continuou brigando pela Saúde, e "pulando a cerca" pela visibilidade, pela justiça e contra a "avecerização" social. Que o AVC, ou derrame, não mais seja um "derrame" de alienações e engodos. Exigimos Saúde, Educação, Justiça como instâncias primeiras.

 

Daniel Chutorianscy é médico. CRM: 52-27646-7

 

E-mail: Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.

 

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Comentários   

0 #3 Avc e suas sequelasAquiles Kiesel 19-09-2010 14:20
Em primeiro lugar parabenizo a todos que de certo modo vivenciaram esta doença desastrosa e voltaram bem para repassar suas experiências pós - avc. Obrigado. Saliento junto a vocês que precisamos de políticas sérias, que respeitem o direito a vida, que nossa constituição não seja ignorada ao olhar dos poderosos, pois, esta doença se não observada torna - se um grande problema ao indivíduo e seus familiares. E ainda vale lembrar que todos somos passivéis de termos e não há dinheiro que cure o trauma. As únicas coisas que precisamos ter é a ciência da paciência e persistencia, para vencer as barreiras impostas pelo avc e suas sequelas. Caso alguém saiba mais sobre a doença ou grupos familiares envie ao e-mail indicado, pois, assim vamos juntos fortalecer a idéia de que é possível viver melhor com familiar paciente de avc.

Aquiles Kiesle / RS
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0 #2 AVC e estilo de vidaCarlos Paes 25-02-2010 08:31
É claro que com campanhas educativas e sérias, com certeza teremos condições de criar em nossa sociedade, principalmente as menos favorecidas cultural e financeiramente a realidade desta situação, que é a tragedia do AVC, porém teremos que exclarecer que uma vida menos consumista e capitalista, que nos coloca um rótulo social faz com que levamos uma vida nada saudável, nos pressiona a gastar, consumir, correr e viver uma competição cada vez mais ferrenha, e com isso nossa saude e convivio familiar sempre ficará em segundo plano.
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0 #1 Daniel e os LeõesRaymundo Araujo Filho 25-02-2010 06:55
Daniel Chutorianscy é dileto amigo e batalhador das causas justas, em Niterói, há muito.

Valente, superou com galhardia e força de vontade os maus efeitos de um grave AVC que lhe acometeu, há um ano, mais ou menos, estando ativo em suas funções de médico e militante social.

Mantém um Programa de entrevistas semanalmente TV (na TV UFF - www.uffteve.gov.br/pulando acerca, sextas feitras às 10h30m), sendo o único apresentador de TV no mundo que, mesmo com alguma sequela do AVC, não se furta de ir ao ar, em bela demonstração de cidadania, além de levar outros com o mesmo problema para se exporem e mostrarem que estão vivos, úteis e atuantes.

Hoje lidera, junto com alguns colaboradores, o Grupo AVC- Pulando a Cerca, onde pretende nacionalizar esta luta que, sob a omissão das autoridades (estas sim AVCrizadas) atinge muito mais de de 250 mil mortes/ ano, e mais de dois milhões de sequelados e familiares em dificuldade para a assistência e informações.

Daniel é hoje, o próprio Daniel dos Leões, figura bíblica que indica a verdade, a luta e a perseverança, segundo meus parcos conhecimentos.
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