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O papel do Pentágono na catástrofe global Imprimir E-mail
Escrito por Sara Flounders   
Terça, 23 de Fevereiro de 2010
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Ao avaliar a conferência das Nações Unidas sobre as mudanças climáticas em Copenhagen – onde estiveram presentes mais de 15 mil participantes de 192 países, além de 100 chefes de Estado e ao redor de 100 mil manifestantes nas ruas –, é importante perguntar: como é possível que o maior contaminador de dióxido de carbono e de outras emissões tóxicas do planeta não tenha sido objeto de nenhuma discussão na conferência ou alvo de propostas restritivas à sua ação?

 

Pois é o Pentágono o maior utilizador institucional de produtos de petróleo e energia. E, não obstante, tem isenção geral em todos os acordos climáticos internacionais.

 

As guerras do Pentágono no Iraque e no Afeganistão; suas operações secretas no Paquistão; seu equipamento operacional em mais de 1000 bases estadunidenses em todo o mundo; suas 6000 instalações somente nos EUA; todas as operações da OTAN; seus porta-aviões, jatos, testes, treinamento e vendas de armas, não serão levados em conta com respeito aos limites dos efeitos dos gases estufa dos EUA ou incluídos em qualquer estudo?

 

Em 17 de fevereiro de 2007, o Energy Bulletin publicou, com pormenores, o consumo de petróleo dos EUA só para aviões, barcos, veículos terrestres e instalações militares, o que converte o país no maior consumidor de petróleo do mundo. Naquela data, a Marinha dos EUA possuía 195 barcos de combate e apoio e 4.000 aviões em condições operacionais. O Exército possuía 28.000 veículos blindados, 140.000 veículos de alta mobilidade e uso múltiplo, mais de 4.000 helicópteros de combate, centenas de aviões de asa fixa e um parque móvel de 187.493 veículos. Sem contar os 80 submarinos e porta-aviões nucleares, que propagam contaminação nuclear, todos os outros veículos utilizam petróleo.

 

Segundo dados do World Factbook 2006 (publicação da CIA), somente 35 países no mundo, num total de 210, consomem mais petróleo por dia do que o Pentágono.

 

As Forças Armadas do EUA consomem oficialmente 320.000 barris de petróleo por dia. Contudo, esse total não inclui o combustível consumido por empreiteiras ou o combustível consumido em instalações alugadas ou privatizadas. E também não inclui a grande quantidade de energia e de recursos utilizados para produzir e manter seu equipamento letal de bombas, granadas ou mísseis que emprega.

 

Steve Kretzmann, diretor da Oil Change International, informa que "a guerra do Iraque produziu, pelo menos, 141 milhões de toneladas métricas de dióxido de carbono (MMTCO2E) desde março de 2003 até dezembro de 2007... Essa guerra emite mais de 60% do dióxido de carbono de todos os outros países... Essa informação não é facilmente acessível porque as emissões militares no estrangeiro estão isentas dos requerimentos nacionais de informação exigidos pela lei dos EUA e a Convenção Marco da ONU sobre Mudanças Climáticas" (http://www.naomiklein.org/). A maioria dos cientistas culpa as emissões de dióxido de carbono pelos efeitos do gás estufa e das mudanças climáticas.

 

Isenção criminosa

 

Como conseguiu o Pentágono a isenção de todos os acordos climáticos? Durante as negociações para o Acordo de Kyoto, os EUA exigiram, como condição para a sua assinatura, que todas as suas operações militares no mundo, bem como as operações em que participa com a ONU e com a OTAN, ficassem totalmente isentas das medidas restritivas de redução da emissão de gases. Depois de obter essa gigantesca concessão, o governo Bush se negou a assinar os acordos.

 

Em artigo de 18 de maio de 1998, intitulado "Temas de Segurança Nacional e de Política Militar contidos no Tratado de Kyoto", o doutor Jeffrey Salmon descreveu a posição do Pentágono. Cita o informe anual de 1997 ao Congresso, do então Secretário de Defesa William Cohen: "O Departamento de Defesa recomenda energicamente que os EUA insistam em uma cláusula de segurança nacional no protocolo de mudança climática que se está negociando" (http://www.marshall.org/).

 

Segundo Salmon, essa cláusula de segurança nacional foi proposta em um rascunho que especificava "uma isenção militar total para os limites de emissão de gases que provocam o efeito estufa. O rascunho inclui operações multilaterais como, por exemplo, atividades aprovadas pela OTAN e a ONU, mas também inclui ações amplamente relacionadas com a segurança nacional, o que parece incluir todas as formas de ações militares unilaterais e de exercícios e treinamentos para tais ações".

 

O doutor Salmon cita também o subsecretário de Estado, Stuart Eizenstat, que chefiou a delegação dos EUA a Kyoto. Eizenstat informou que "o departamento de defesa e os militares de uniforme que estiveram comigo em Kyoto obtiveram todos os requerimentos que queriam, ou seja, autodefesa, manutenção da paz e ajuda humanitária".

 

Mesmo tendo recebido todas essas garantias nas negociações, o Congresso norte-americano aprovou uma cláusula explícita garantindo a isenção militar para o país. A agência Inter Press Service informou em 21 de maio de 1998: "Os legisladores dos EUA, em seu mais recente golpe contra os esforços internacionais para conter o aquecimento global, eximiram hoje as operações militares dos EUA do acordo de Kyoto, que especifica claramente compromissos vinculantes para reduzir a emissão de gases provocadores do efeito estufa. A Câmara de Representantes aprovou uma emenda à lei de autorização militar do próximo ano (1999) "que proíbe restrições às forças armadas a partir do Protocolo de Kyoto".

 

Em Copenhagen, continuaram valendo os mesmos acordos e diretivas sobre a emissão de gases "estufa". Contudo, não há a menor referência a esta manifesta omissão.

 

Segundo a jornalista e ecologista Johanna Peace, as atividades militares continuarão sendo eximidas de uma ordem executiva assinada pelo presidente Barack Obama e que prevê que as agências federais reduzam suas emissões de gases poluentes até o ano de 2020. Peace assinala que: "As forças armadas representam 80% das necessidades de energia do governo federal" (http://www.solveclimate.com/).

 

A total exclusão das operações globais do Pentágono faz com que as emissões de dióxido de carbono dos EUA pareçam ser muito menores do que são na realidade. E apesar disso, mesmo sem contar com o Pentágono, os EUA têm as maiores emissões de dióxido de carbono do mundo.

 

Mais do que emissões

 

Além da emissão de dióxido de carbono, as operações militares dos EUA liberam outros materiais altamente tóxicos e radioativos no ar, na água e no solo.

 

Armas estadunidenses feitas com urânio empobrecido já descarregaram milhares de quilos de micro-partículas de dejetos radioativos e altamente tóxicos em todo o Oriente Próximo, Ásia Central e Bálcãs.

 

Os EUA vendem minas terrestres e bombas de racimo (bombas que ao explodir liberam outras bombas, também chamadas de bombas cluster) que são a maior causa de explosões retardadas, de mutilação e incapacitação, especialmente em camponeses e outros moradores do interior na África, Ásia e América Latina. Israel, por exemplo, lançou mais de um milhão de bombas racimo sobre o Líbano em sua invasão de 2006, fornecidas pelos EUA.

 

Durante a guerra do Vietnã, os EUA deixaram grandes áreas contaminadas com o herbicida ‘Agente Laranja’. Atualmente, mais de 35 anos depois, a contaminação com dioxina ainda está entre 300 e 400 vezes maior do que os níveis "seguros" de contaminação. Uma terceira geração pós-guerra está sofrendo defeitos no nascimento e com altas taxas de câncer resultantes desta contaminação.

 

A guerra de 1991 no Iraque, seguida por 13 anos de cruéis sanções, bem como a invasão de 2003 e a conseqüente ocupação do país, transformou a região – que tem uma história de 5000 anos como celeiro do Oriente Próximo. É hoje uma catástrofe ecológica. A terra arável e fértil do Iraque se converteu em um pântano desértico, no qual o menor vento provoca uma tempestade de areia. O Iraque, que era exportador de alimentos, agora importa 80% de suas necessidades nesse setor. O ministro da Agricultura iraquiano estima que 90% da terra sofre uma severa desertificação.

 

A guerra ecológica no interior dos EUA

 

Além disso, o departamento de Defesa tem se oposto rotineiramente às ordens da Agência de Proteção Ambiental dos EUA (EPA em inglês) para limpar as bases estadunidenses contaminadas (Washington Post, 30 de junho de 2008). As bases militares do Pentágono lideram as listas dos lugares mais contaminados do Superfund (programa de defesa do meio ambiente que exige a localização e limpeza de áreas poluídas), sendo os contaminantes absorvidos por aqüíferos de água potável e pelo solo.

 

O Pentágono tem se oposto também aos esforços da Agência de Proteção Ambiental em estabelecer novos níveis de contaminação para os produtos químicos que se encontram em grande quantidade nas instalações militares: o perclorato, encontrado no propulsor de foguetes e mísseis; e o tricloroetileno, um desengordurante para partes de metal.

 

O tricloroetileno é o contaminador de água mais generalizado no país e é absorvido por aqüíferos da Califórnia, Nova York, Texas, Florida e outros lugares. Mais de 1000 instalações militares dos EUA estão contaminadas com o produto. As comunidades mais pobres, especialmente comunidades negras, são as mais severamente castigadas por esse envenenamento.

 

As provas estadunidenses de armas nucleares no sudoeste e nas ilhas ao sul do Pacífico já contaminaram com radiação milhões de hectares de terra e água. Montanhas de dejetos radioativos e tóxicos de urânio são abandonadas em terras indígenas do sudoeste do país. Mais de 1000 minas de urânio têm sido abandonadas em reservas de índios navajos no Arizona e no Novo México.

 

Em todo o mundo, como nas bases antigas e ativas em Porto Rico, Filipinas, Coréia do Sul, Vietnã, Laos, Camboja, Japão Nicarágua, Panamá e na antiga Iugoslávia, encontram-se barris corroídos com produtos químicos e solventes, além de milhões de projéteis, criminalmente abandonados pelo Pentágono.

 

A melhor e mais dramática maneira de limpar o meio ambiente é fechar o Pentágono. O que se necessita de fato para combater as mudanças climáticas é uma completa mudança de sistema.

 

Fonte: Global Research.

 

Sara Flounders é co-diretora do International Action Center (
www.iacenter.org) para a Global Research. Texto publicado no site www.rebelion.org .

Tradução do espanhol de Izaías Almada.

 

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