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A euforia, a dívida e o fantasma Imprimir E-mail
Escrito por Venâncio de Oliveira   
Sexta, 12 de Fevereiro de 2010
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A euforia dos mercados está dando ao Brasil a categoria de economia estável e promissora. Não somos mais terceiro mundo, hoje somos parte dos BRIC. Saímos de um conceito nebuloso para entrar em outro. Mas sempre com a mesma interpretação de progresso linear e constante do mundo moderno. Antigamente estávamos numa parte horrível da escadinha do desenvolvimento, por nossa inapetência, agora estamos quase chegando ao topo, com os grandes, os brancos e poderosos.

 

Em meio à emergência do Brasil como potência, há um retorno de otimismo. Cresce o sentimento de que o pior já passou, que a economia de mercado é a estabilidade em essência, de que as contradições são aparentes e momentâneas, fruto de decisões de agentes corruptos, que estão fora do sistema. A República Popular Chinesa, uma economia onde o Estado (de quem?) tudo controla, outrora condenada, hoje se faz salvadora.

 

Arrefecendo um pouco este otimismo, a crise financeira continua a expressar-se. Dubai ameaçou quebrar no final do ano passado. É um dos países dos Emirados dos Árabes, um mundo ocidental dentro do Oriente Médio. Um produtor de petróleo, sua economia está estreitamente ligada às operações financeiras européias. Neste país era prevista a construção de paraísos turísticos para finanças. Foi salvo por um dos seus irmãos, o Emirado de Abu Dhabi lhe emprestou dinheiro.

 

A crise toma outro corpo. Antes era a quebra de fundos de investimentos, golpeando o mundo industrial. Agora começa sua fase estatal, ou seja, as abaladas finanças estatais do mundo capitalista entram em quebra. Nestas últimas semanas Grécia e Irlanda apareceram fortemente ameaçadas, bem como a Espanha. Estes países esperam aporte da principal potência européia, Alemanha. Mas será que ela pode salvar a si mesma?

 

A crise financeira de 1973 também foi procedida de uma debaclé das dívidas. Naqueles anos o aumento do preço do petróleo causou uma inflação, casada com uma estagnação econômica e diminuição da taxa de lucro nos países hegemônicos. Os árabes, com seus petrodólares, investiram nos bancos europeus, que ganhavam em meio à estagnação de seus países, estes por sua vez emprestaram para os países latino-americanos, que se enrenderam em uma dívida crescente. Brasil e México foram exemplos magistrais. O sonho de Geisel era manter a estratégia de desenvolvimentismo – que tinha mais investimento que o atual neodesenvolvimentismo liberal lulista. Criar capacidade de oferta, para poder pagar a dívida. Mas não tinha demanda suficiente e os custos cresciam. O petróleo virou uma mercadoria financeira e foi às alturas.

 

Veio o segundo choque do petróleo e as dívidas se fizeram impossíveis de pagar. O calote foi mais necessário do que uma pauta política. Efeitos em cadeia, mais crise e uma economia baseada na especulação para fazer lucro.

 

Agora a situação é pior. Os árabes com seus petrodólares não têm dinheiro para emprestar. Os banqueiros também estão quebrados e as dívidas da Tríade – EUA, Japão e Europa – são monstruosas. Nem precisa dizer que esta tríade controla uma quantidade enorme de capital e dinheiro – mais que os BRIC juntos – e que seu calote é uma bomba pior que o de uma instituição financeira como o Lehmman Brothers.

 

Estes países jogaram todas as suas fichas para poderem salvar o lucro dos seus capitalistas, na ilusão de que podiam sair da crise. Os Estados Unidos gastaram 81,1% do PIB com suporte ao setor financeiro, e 5,5% com estímulos fiscais (os banqueiros foram preferidos à saúde e aos que perderam suas casas). Reino Unido gastou, por sua vez, 81,7 % e 1,9 %. Alemanha, 22,2% e 3,6%. E Irlanda, a ameaçada da vez, 266,4% com bancos.

 

Por outro lado, a taxa de juros foi reduzida a pó, na zona do euro de 4% em julho de 2007 para 1% (1) em maio de 2009, ou seja, não existe tanta recompensa para empréstimo de dinheiro. Um calote dos primos europeus pobres – os espanhóis estão chegando perto do abismo, e fazem parte da elite européia – aumentaria a taxa de juros internacional, conseqüentemente impactaria negativamente na produção e acumulação de lucro industrial.

 

De onde sairá o dinheiro para pagar empréstimos? Os irlandeses e gregos confiam na Alemanha endividada, e quem lhe salvará? Os europeus confiam na suas exportações, bem como os chineses e o Brasil. Mas quem importará? Pois quem vende acumula e quem compra se endivida. Será que os BRIC terão tanta capacidade de salvar a economia?

 

O Brasil é o primo rico da América Latina (fica a dúvida com quem fica este dinheiro). A bolsa de valores subiu para mais de 69.000 pontos no final do ano passado e o real valorizou. Os especuladores especularam (desculpe-nos a redundância) e entrou dinheiro. Mas agora eles querem cobrar o seu quinhão. E a bolha tende a estourar. A bolsa chegou cerca de 61.400 pontos nestas últimas semanas. O dólar voltou a subir, o real perdeu cerca de 10 centavos de valor, o que é bastante para um especulador que investe milhões em ativos brasileiros. A bolha ameaça estalar. O investimento brasileiro não subiu e o tamanho da nossa dívida não está tão invejável, 68,5 % do PIB (dívida bruta).

 

Quem salvará quem? Os Estados Unidos têm uma dívida bruta estimada em 84,8% do PIB. A Alemanha, 78,7% e o Japão, 218,6% (2). Eles dependem das suas exportações e acúmulo interno para poderem pagá-las. A China quer voltar sua economia para exportar. O Brasil também. O protecionismo corre solto.

 

A euforia de "fim da tempestade" mantém-se. O desemprego nos Estados Unidos subiu para 10%, e, com ajuda financeira, as empresas puderam pagar mais dividendos, ou seja, o crescimento da lucratividade é mais ficção que real, sem sustentação no crescimento de vendas e produção. No Brasil, a exportações de soja para China e o consumo de carros e de alimentos têm ajudado a não deixar a peteca cair. Mas nos últimos meses os investidores têm tirado dinheiro da economia e a importação aumentou.

 

Será que a China do Partido Comunista poderá salvar o capitalismo? Cabe esperar e ver. Sem mais especulações. O equilíbrio é o menos que podemos vislumbrar. O desequilibrio é regra. Será que não virá um tsunami depois do terromoto? Apenas ronda um fantasma no ar. Ele tem uma cara feia e está longe daquele de roupa vermelha do século XIX.

 

(1) Os dados de gastos com estímulos fiscais e com suporte financiero em relação ao PIB e da taxa de juros têm como fonte: Unctad Trade and Development Report, 2009. Tirados da sinopse internacional do BNDES, setembro de 2009, http://www.bndes.gov.br/conhecimento/publicacoes/catalogo/sinopse_int%20l%20.asp

(2) Fonte dos dados da dívida bruta em relação ao PIB: FMI - podem mudar de acordo com a publicação dos Bancos Centrais dos respectivos países.

 

Venâncio de Oliveira é economista e trabalha no CEICOM (Centro de Investigación sobre Inversión y Comercio) – http://www.ceicom.org/

 

Contato: venancio.comuna(0)hotmail.com

 

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Última atualização em Sexta, 26 de Fevereiro de 2010
 

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