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O “Processo Imbecilizador” da educação em SP (3) Imprimir E-mail
Escrito por Wellington Fontes Menezes   
Qui, 11 de Fevereiro de 2010
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3. O chamado para a "jihad educacional"

 

Quando uma criatura humana desperta para um grande sonho e sobre ele lança toda a força de sua alma, todo o universo conspira a seu favor.

(Johann Goethe)

 

A situação da rede pública estadual de ensino só não é pior porque já se tornou impossível piorá-la! O fundo do interminável poço da Educação Básica em São Paulo já foi atingindo com méritos tucanos. Restam ao docente dois caminhos antagônicos, entre os quais deverá optar: continuar na servidão da via crúcis ou ser mais um "mujahid" para a "jihad educacional". Uma analogia com o Islã é pertinente dentro do atual quadro de desespero em que se encontra a Educação Básica, e aqui se fará um exercício de reflexão.

 

A palavra árabe jihad (literalmente se traduz por "luta") significa lingüisticamente "esforço" ou "empenho" (tal termo pode ser usado por muçulmanos ou não-muçulmanos) e não se trata de uma insana "guerra santa" (como preconceituosamente foi tachada pelos colonizadores europeus durante a Idade Média em batalhas religiosas contra os seguidores do Corão e do Profeta Maomé)

 

. Desta maneira, a Jihad seria uma luta por vontade pessoal da busca e conquista da fé. Logo, o mujahid é o seguidor da Jihad. De forma análoga, cada professor consciente de seu papel social será um mujahid neste processo de luta contra a terra arrasada imposta pelas seguidas políticas tucanas de destruição da educação pública.

 

Agora, no mês de janeiro, em plenas férias do quadro docente, o governo implanta seu processo seletivo onde apenas 25% dos melhores colocados adicionarão alguns trocados ao seu provento mensal (isto é, para quem eventualmente conseguir atingir as megalômanas metas impostas no projeto). O primeiro passo para o eleitoral ano de 2010 seria o boicote às débeis provinhas de promoção. Nenhum professor poderia dar aval para este descalabro neurótico promovido pela PLC 29/09 sob pena de estar contribuindo para a insanidade da dupla Serra/Paulo Renato. Cada professor que busque dignificar sua profissão não poderá sucumbir ao processo de submissão voluntária em trocas de algumas supostas migalhas. É pura ilusão acreditar que irão conseguir superar as mirabolantes condicionantes exigidos pela PLC 29/09 para conquistar algum naco de salário pela via estúpida de provinhas. Ressaltando, aqui se trata de aplicação do processo de provas para a classe docente em pleno período de suas férias! Para alertar aos conservadores de plantão, isto não significa que os professores não são capazes de fazerem provas ou bobagens similares, mas sim que o projeto foi elaborado propositadamente para que os docentes de fato não consigam passar pelo processo seletivo.

 

Seria o projeto um emaranhado de imposições nefastas cujo objetivo é apenas humilhar os professores? Sim, sem dúvida! Bastaria uma simples leitura do projeto para entender seu caráter ordinário e inverossímil! Ademais, não se pode imputar aos docentes uma prova para ganhar nacos de aumento, uma vez que fere de antemão a isonomia salarial da categoria. Cabe aos sindicatos, em particular a APEOESP, boicotar jurídica, política e fisicamente este processo de provinhas e buscar criar condições mínimas para o docente observar reflexivamente no espelho suas condições de trabalho e sobrevida. A simples acomodação a tal processo será a lápide que ornará o fim da categoria docente como norteadores e propulsores de lampejos de esperança social. Notadamente, o mero apelo ao desconhecimento dos fatos não servirá como alívio para a prostrada acomodação, como observa Guiorgui V. Plekhanov: "[...] os homens adquirem consciência de sua situação com um atraso maior ou menor em relação ao desenvolvimento das novas relações que modificam essa situação".

 

Tal situação não se trata mais do como se chegou ao fundo do poço, mas como a classe docente sairá deste lamaçal histórico promovido pelas mentes disformes da SEE-SP e a ninhada tucana. Dizer "NÃO" para as benditas "provinhas" também é dizer um grande "SIM" para a dignidade do professor. Dizer "NÃO" para o processo imbecilizador da carreira docente é também dizer um fértil "SIM" para o olhar responsável do docente perante sua categoria e ambiente de trabalho. Dizer "NÃO" ao processo de destruição fascista da educação pública pela administração tucana é dizer um enfático "SIM" para a construção de um novo modelo de dignidade para a educação pública.

 

A luta pela dignidade e melhores condições de vida é a própria luta pela emancipação humana. Logo, cabe a todos os professores da rede pública a adoção do boicote sistemático e a não contribuição que avaliza as tais "provinhas" do processo seletivo do governo Serra. O boicote é uma forma de resistência e luta em favor da escola pública e da dignidade da carreira docente.

 

Contra a opressão é necessária a sublevação. Destaca-se pertinentemente que, para transformar a condição humana de sua passividade sistêmica, é necessário fazer uma revolução. As palavras de Karl Marx endossam a argumentação: "a coincidência da mudança das circunstâncias com a atividade humana, ou mudança dos próprios homens, pode ser concebida e entendida racionalmente como prática revolucionária". Portanto, a jihad educacional proposta é o único caminho para buscar a dignidade usurpada por anos de destruição do sistema educacional pela ordinária política tucana.

 

Clique aqui para ler a primeira parte

 

Clique aqui para ler a segunda parte

 

Wellington Fontes Menezes é professor da rede pública.

 

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